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sábado, 22 de maio de 2010

Entrevista com Wado



Essa semana trazemos a entrevista que eu e a Diana fizemos com o Wado. Cantor e compositor "alagoano" que já conhecemos há um tempo e gostamos bastante. De som diverso e singular, Wado mescla poesia de lirismo apurado com crítica social e experimentalismo bem sucedido. Antes da entrevista, vamos a um pequeno hitórico:

"No ano de 2001 Wado lança o seu primeiro CD e chama a atenção dos brasileiros para a nova safra de compositores que fazem “música inteligente”, como bem afirma o jornalista Pedro Alexandre Sanches em matéria para o jornal Folha de São Paulo.
Foi a partir deste trabalho que Wado começou a ser reconhecido e respeitado em outros estados do Brasil, figurou em muitas listas de disco como o melhor do ano. Alexandre Matias, não só colocou o Cd de Wado no topo de sua lista com também escreveu uma crítica com declarações sobre tal escolha, “e agora vem Wado, com seu excelente O Manifesto da Arte Periférica, até agora o melhor disco de 2001. Sai Daft Punk, sai Vídeo Hits - o lugar é deste catarinense radicado em Maceió que conseguiu fazer um disco com sotaque, mas sem soar pós-mangue beat."

Bora pra entrevista!

Desde o seu primeiro CD que você vem obtendo reconhecimento e sendo valorizado através de sua música, que é muito marcada pelo regionalismo até mesmo pelo seu sotaque forte. Alguns artistas que despontam fora do Sudeste do país e pretendem alcançar este mercado, tendem a afastarem-se das referências locais, ou ao menos atenuá-las. Depois de quase 10 anos de carreira percebemos que você ainda mantém-se alagoano, com seu sotaque e sua identidade regional, e ainda assim já alcançou outras praças fonográficas e fez shows pela Europa. É difícil levar seu trabalho a um público cada vez maior e globalizado e ainda assim manter a identidade e continuar autêntico?

No meu caso acho natural ser assim, e considero mais brasileiro que regional o pacote todo das coisas que faço, pois tem muito samba, afoxé e funk carioca nas músicas que ando fazendo. Esses ritmos tem matizes no Nordeste e também no Sudeste. Estou morando em Maceió então isso acentua ainda mais, pois isso e muito a vida diária aqui.


Apesar de acumular premiações, críticas elogiosas e de ter entrado na trilha sonora de Caminho das Índias, ainda não conseguimos te ver como um artista (re)conhecido pelo grande público e frequente em programas de TV com abrangência nacional. Isso gera alguma frustração ou o meio virtual junto dos artistas e do público da música alternativa satisfazem suas necessidades enquanto artista?

Teve momentos que já fiquei sim frustrado, mas isso era um desajuste de percepção minha, acho que a configuraçã da nova cena é essa mesmo, estou num dia a dia viável, aprendi a ser outras coisas além de músico/compositor e isso me fez bem. A vida está boa.


O apoio do governo federal através da Funarte e do Ministério da Cultura mudou o que na sua carreira no que se refere à visibilidade e e criação?

Ano passado foi um ano muito bom por causa disso, sem o Pixinguinha não tinha feito o Atlântico Negro, que me trouxe muitas coisas boas e shows pelo Brasil.


A Farsa do Samba Nublado é para muitos seu melhor CD. Pela qualidade sonora, técnica e até mesmo poética. É também o seu preferido ou tem algum outro xodó?

Meu preferido é o Terceiro Mundo Festivo, mas isso varia de tempos em tempos. Já foi o Cinema Auditivo por um tempo. Depende da época.


Outras artes como cinema, literatura e teatro influenciam na sua música? Se sim, o que mais te inspira? Percebemos também a natureza com uma presença marcante nas suas letras o quanto ela está presente nas suas composições e própria vida?

A vida toda inspira né, as canções brotam de temas, fatos e observações bem inusitadas. Moro numa cidade praiana, gosto de surfar, caminhar na praia, gosto de lugares verdes no frio quando viajo, isso tudo reflete acho pois compor é também uma atividade comtemplativa.


Sabemos que disponibiliza sua discografia completa pela internet. Como lida com esse meio tão abrangente e que não lhe rende lucro diretamente? E o que pensa a respeito das grandes gravadores e seus meios de comunicação em massa que de certa forma restringuem o grande mercado?

Faço isso como estratégia de mercado, acho natural esse fluxo, só torço pra que ele não seja tão voraz e unilateral. Com um Estado maduro e forte pode se ter um pouco mais de legislação e fiscalização, isso acho que é uma coisa pra gente lutar. É um pouco o que diz a canção Reforma Agrária do Ar.


Apesar da mídia ainda renegar o mercado independente ele vem crescendo e cativando público fiel. Com quais nomes desse cenário você trabalha ou prende, quais admira?

Gosto e tenho parcerias com Rômulo Fróes, Lucas Santanna, Momo, Zeca Baleiro, Numismata, Fino Coletivo, Fábio Góes. Acho uma geração muito boa essa minha e tem ainda mais um monte de gente.


Sua trilogia tá completa ( A farsa do samba nublado, Cinema auditivo, Manifesto da arte periférica). Planos pra um próximo projeto?

Esse ano vou fazer um cd/DVD de inéditas. Mas só pro segundo semestre. Será o sexto disco, poderíamos considerar duas trilogias :), nunca pensei assim, mas pode ser que até caiba.




Wado, via e-mail.

Para mais ionformações e para ouvir o som do cara, seguem os links:
http://www2.uol.com.br/wado/
http://www.lastfm.com.br/music/Wado
http://twitter.com/wado

Agradecemos e muito ao Wado pela gentileza em conceder a entrevista.
Abraço a todos!

7 comentários:

Diana disse...

ótima entrevista \0/

Anônimo disse...

Curti a entrevista!
É bem legal o som do cara, tem pouco mais de um ano que eu conheço e acho mt bom! Nunca ouvi os discos anteriores ao Atlântico Negro, qual vcs recomendam?

Richard disse...

Muito boa a entrevista. A revolução cultural em Alagoas vem crescendo rapidamente graças a artistas como ele.

Darlan disse...

Eu recomento A Farsa do samba Nublado, que é o meu preferido.

Frank disse...

Darlan e Diana,
Por que não me falaram sobre o Wado?
Bom, baixei Atlantico Negro aqui e gostei bastante do som. Se pelo que li na enrevista (sobre outros albuns preferidos) então deve ser mesmo altamente recomendável.
Boa entrevista!
Abraços

Anônimo disse...

Achei bem legal a entrevista. Eu não o conhecia, quero ouvir :D Já já to baixando. (byIssa)

Lua disse...

O Wado é desses caras que me fazem sentir muito orgulho da música brasileira! E olha que razões para ser fã da musicalidade tupiniquim eu tenho de sobra!

Parabéns pela entrevista e por esse espaço tão bacana que é o Varal Fult!