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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Juliano e sua lama

Tendo em vista a MPB como aquilo que junta tudo o que é realmente popular, acabamos de ganhar um dos maiores compositores/intérpretes dessa linha. 



Juliano Guerra,  nascido em Pelotas, acaba de lançar seu primeiro álbum, "Lama". Autor de todas as canções, Juliano brinca com a ciranda, samba, bolero e emociona com suas músicas extremamente bem escritas. São 10 faixas onde o cantor brinca entre o lúdico e o irônico, passa pelo protesto e abaca nas canções de amor, que tanto lembram Chico Buarque, Tom Jobim e Adoniram Barbosa. Destque para as excelentes "31 de Dezembro", "Transeunte",  "Inclemente" e para "A Lama", onde Juliano levanta bandeira contra a hipocrisia e desamor, faz menção aos absurdos que somos quando deixamos de ser nós mesmos, fala sobre desigualdade e suas estranhezas sobre o mundo com muito humor.

O CD está diponível para download gratuito no site do cantor e todas as informações de shows, sobre o CD e o cantor, na sua Fanpage no Facebook.



Lama - Juliano Guerra (2012).

01 - Ócio.
02 - 31 de Dezembro.
03 - Valsinha.
04 - Camélia.
05 - Piedade.
06 - Transeunte.
07 - Inclemente.
08 - Bolero.
09 - Samba Pela Ordem.
10 - A Lama.

Faça o download do CD AQUI.



quinta-feira, 26 de julho de 2012

Viva Elis

Como muito já devem saber, Maria Rita está em turnê com um show com músicas do repertório de sua mãe, Elis Regina. O show é patrocinado pela Nivea e começou na intenção de poucas apresentações, mas como já era esperado, virou turnê e logo deve sair em DVD. Enquanto isso não acontece, vai aí um vídeo do show completo. É lindo, verdadeiro e Maria Rita é ótima!



Créditos para o Marcelo (@celozudo) que me passou o vídeo!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Volta de Ana Cañas

Após três anos de hiato, Ana Cañas nos apresenta seu terceiro álbum, Volta, lançado dia 15 de junho. O álbum segue o que já pudemos ver em seus dois primeiros trabalhos, a pluraridade de estilos e a avidez. Ana quer inovar, quer arrojo e ora consegue, ora não. Acho experimentações válidas e, ao contrário de muitos críticos, gostei de Volta. Tem canções preciosas como No Quiero Tus Besos (Natalia Lafourcade e Ana Cañas), Urubu Rei e Volta (Ana Cañas), esta última um deleite à parte, puro tesão. Vale a pena ouvir!

Volta - Ana Cañas (2012)

1. Será que Você me Ama? (Dadi e Ana Cañas)
2. Difícil (Ana Cañas)
3. Urubu Rei (Ana Cañas)
4. No Quiero Tus Besos (Natalia Lafourcade e Ana Cañas)
5. Diabo (Ana Cañas)
6. La Vie en Rose (Louiguy e Edith Piaf)
7. My Baby Just Cares For Me (Walter Donaldson e Gus Kahn)
8. Feito pra Mim (Ana Cañas)
9. Todas as Cores (Dadi e Ana Cañas)
10. Volta (Ana Cañas)
11. Rock and Roll (Jimmy Page, John Paul Jones, John Bonham e Robert Plant)
12. Foi Embora (Ana Cañas)
13. L’Amour (Ana Cañas)
14. Falta (Ana Cañas)
15. Amar Amor (Ana Cañas e Dadi)
16. Stormy Weather (Harold Arlen e Ted Koehler)

sábado, 30 de junho de 2012

Açúcar ou Adoçante?

Ontem o Cícero lançou sue mais novo clipe, da música Açúcar ou Adoçante, uma das minhas preferidas do seu álbum Canções de Apartamento. O clipe está muito bonito, o cara não deixa nada a desejar.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Lapidada

Adriana Calcanhotto está numa fase preciosíssima. Segue o vídeo que dispensa maiores explicações.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Viva Elis!



No último sábado a cantora Maria Rita esteve em São Paulo com o show Nívea Viva Elis!. Projeto de Marcelo Boscoli, seu irmão e músico, em parceria com a Nívea. A turnê de cinco shows que já passou por Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e São Paulo, e terá sua última apresentação no Rio de Janeiro, dia 13, serve de homenagem aos trinta anos desde a morte de Elis Regina, um dos nomes mais importantes da Música Popular Brasileira.

O show de São Paulo aconteceu no Parque da Juventude e teve tanta gente acompanhando que, decidi procurar pelos números de público e resolvi desistir. A polícia informa um tanto, a organização outro. Mas a verdade é que estava lotado. Quando Maria pisou no palco, não houve quem não chorasse. Ali não estava só a filha de Elis, a tão criticada Maria Rita, a que copia o modo, a afinação e os trejeitos da mãe. Era a Maria Rita incoporada por Elis. Tudo foi pensado e estudado para que quem assistisse visse no palco, Elis.

E deu certo. Quem esteve por lá e viu a performance de “Saudasosa Maloca” não se conteve. Gritou, chorou, quando Maria arranhava a voz junto à composição de Adoniran Barbosa. Quando gritou e levantou os braços em “Como Nossos Pais”. Quando deixou-se emocionar ao cantar “Me Deixas Louca”. Quando, no ponto alto do show, cantou, sem acompanhamento, “Fascinação”.


Maria é uma das melhores intérpretes dos últimos anos, tão diferente de sua mãe e que precisou fazer um show em homegem a Elis para que a prova fosse dada. Elis não morreu, está viva em cada fã e em sua filha: na gana de cantar, no corpo e na alma.

Um pouco antes das luzes se acenderem e o espetáculo ter acontecido, por duas ou três vezes, a realização do show decidiu passar um documentário sobre o projeto e, dentro dele, algumas cenas do Programa Ensaio, da TV Cultura, em uma das aparições de Elis. Em determinado ponto ela diz que a sua música não havia mudado, mas sim ela mesma havia, a sua alegria e os seus nervos; ela era outra e sendo a música a transa maior da vida dela, isso se refletiria.

A transa maior de todos nós, fãs de Elis, foi vê-la de novo, trinta anos depois de sua morte, no corpo de outra pessoa. Mais uma vez.

domingo, 6 de maio de 2012

MPB Até Quando?


A Música Popular Brasileira há muito já é indagada até que ponto é popular, agora, creio que é hora de indagarmos até que ponto é brasileira.

Na última década podemos notar um movimento de resgate da cultura nacional através de artistas que surgiam no cenário musical e outros tantos que já estão aí na estrada por mais tempo. Movimento especialmente concentrado no Rio de Janeiro e, mais recentemente, na região Norte.

São Paulo é um caso a parte, por ser uma metrópole sempre bebeu de muitas fontes externas, tornando difícil caracterizar seus frutos artísticos como autóctones. Como exemplo, temos Thiago Pethit, Tiê e Mallu Magalhães, que são artistas que cantam e compõem em outros idiomas e até veneram um estilo que não é característico do nosso cenário cultural. Já no Rio de Janeiro, onde a música brasileira sempre teve lugar cativo, algo vem mudando desde o último ano.

Na última década o samba voltou à tona, deixamos as influências do nosso rock oitentista para trás e nomes como o de Roberta Sá, Teresa Cristina, Casuarina, Diogo Nogueira e outros que mesmo não sendo sambistas, beberam da fonte e se influenciaram. Vale lembrar que até mesmo Adriana Calcanhotto, artista já consagrada há duas décadas, compôs e lançou um ótimo álbum de samba, O Micróbio do Samba. Ana Carolina vez ou outra grava um samba, compõe outro para alguém e daí por diante...

Contudo, não sei se numa tentativa de ser global ou por modismo, os últimos lançamentos dos artistas de música brasileira nos trazem gravações em outros idiomas. Isso não seria problema se estas se encaixassem nos seus respectivos álbuns, algo que, em minha opinião, não acontece.

Creio que o caso mais evidente desse estrangeirismo está no Mais Uma Página, aguardadíssimo CD de Maria Gadú. São três músicas em inglês/espanhol que destoam do restante do álbum, não encaixam ali e são as piores do álbum, fazendo um hiato no clima da coisa. Roberta Sá (Segunda Pele) e Mariana Aydar (Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo) também apresentaram gravações em língua estrangeira e o problema é o mesmo supracitado. Não é por bairrismo, mas realmente me soa artificial essa nova onda. Que não dure, amém.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Oásis de Bethânia

Depois de muitos boatos e zumzumzum, soube-se de maneira oficial que sim, Maria Bethânia vem aí com um novo trabalho, intitulado Oásis de Bethânia. O álbum tem previsão de lançamento dia 27/03, chegando às lojas logo no primeiro dia de abril, trazendo mais uma vez o selo da gravadora Biscoito Fino.

O trabalho conta com dez faixas onde, ao que parece até agora, Bethânia resgata o seu lado romântico e, por que não dizer, brega. Uma das surpresas que este CD guarda é um texto inédito recitado por Bethânia de sua própria autoria.

Ao que tudo indica, este trabalho está muito bem elaborado. Cada faixa conta um com um arranjador diferente, que teve a missão de elaborar um arranjo exclusivo para a canção. Entre os arranjadores convidados estão Lenine, Hamilton de Holanda, Jorge Helder, Maurício Carrilho e André Mehmari. Djavan toca violão em Vive. 

O álbum já está em pré-venda no site da Saraiva e no Amazon é possível ouvir trechos das músicas. 

Oásis de Bethânia (2012) - Maria Bethânia

1. Lágrima
2. O Velho Francisco - Participação especial: Lenine
3. Vive - Participação especial: Djavan
4. Casablanca
5. Calmaria
6. Fado
7. Barulho
8. Lágrima (citação)
9. Carta de amor
10. Salmo

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Diego Moraes


Há alguns anos atrás, os meus programas de TV preferidos eram os concurso musicais. Ídolos, Fama e até mesmo o classicão Raul Gil. Através desses programas conheci muitos ótimos artistas que, salvo raras exceções, não conseguiram espaço na grande mídia por carregarem pra sempre a cruz de calouros.

Na última versão brasileira de Ídolos que acompanhei (em 2009), transmitida pela Record, me chamou a atenção Diego Moraes, que é certamente uma dos mais talentosas do Brasil. O cara modula a voz de maneira sensacional, percorrendo notas com a maior facilidade do mundo. Claro que ele não ganhou, porque nesse tipo de programa, cabe o segundo lugar para quem é o melhor. Isso já tinha acontecido no Ídolos anteriormente, quando Shirley Carvalho perdeu pra fraquinha Thaeme Marioto. O diferencial dessa vez é que Diego assinou contrato com a gravadora EMI e lançou um CD e DVD com regravações preciosas e outras três canções inéditas. A parte ruim da coisa é que não houve divulgação e a TV aberta do Brasil, mesquinha que é, não convida artistas que surgiram em emissoras concorrentes.

Intitulado de Meus Ídolos, o trabalho foi lançado em maio de 2010. Diego percorre o repertório da MPB auxiliado por arranjos luxuosos e cheios de suingue, nos quais fica à vontade para brincar com a voz e mostrar porque não é nenhum exagero considerá-lo o cantor mais talentoso dessa geração. Destaque para a interpretação de Explode Coração, de fazer repensar se a de Bethânia é mesmo a melhor de todas. Vale a pena o deleite! Áudio do DVD disponível AQUI.

Meus Ídolos (2010)
1. Punk da Periferia
2. Ando Meio Desligado
3. Alô Alô Marciano
4. Lanterna dos Afogados
5. Canto de Ossanha
6. Muderno
7. Garçom
8. Lembrei
9. Uma Canção Só (Pra Você)
10. Meu Erro 11. Negro Gato
12. Pagu 13. Talismã sem Par
14. Atrás da Porta
15. Explode Coração
16. As Rosas Não Falam
17. Partido Alto
18. Como uma Onda
19. Créditos (Como uma Onda)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Segunda Pele




O quinto CD de Roberta Sá afasta-se um pouco dos grandes sambas e prova um sabor mais regional em relação a sua própria origem. Apesar de buscar novos sabores o samba ainda se mantem presente como na faixa O nêgo e eu, com cores de carnaval, marchinhas clássicas. Parceria com Pedro Luís, mesclas inovadoras com a Orquestra Criôla de Humberto Araújo com arranjos ousados em relação aos seus CD's anteriores da própria Roberta. Tem ainda um dueto internacional,inédito com Jorge Drexler em “Esquirlas”, cantando em espanhol.

Desenrolar de um CD maduro, sensual, carnal de forma de harmônica, desmembrando de certa forma essa imagem de cantora um pouco recatada, fria e perfeccionista em certo ponto em suas apresentações. O CD por completo, mesmo as faixas mais intimistas, remetem a um grande carnaval, humano, carnal, quente. Recomendo! Está disponível AQUI.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Céu - Retrovisor

Em breve a cantora CéU lançará o seu novo álbum, Caravana Sereia Bloom. Enquanto esperemos, o ótimo clipe de Retrovisor, uma das canções do disco. Destaque para a fotografia de Ivo Lopes Araújo, belíssima.


Compartilhado pela @amandabaiana

domingo, 1 de janeiro de 2012

Alcione e Bethânia

Alcione está comemorando os seus 40 anos de carreira e como forma de comemoração, recentemente lançou um DVD com vários convidados. Alguns são companheiros da antiga cena noturna carioca, como Emílio Santiago, Áurea Martins e Djavan, outros são grandes amigos, como Maria Bethânia. Bethânia foi escolhida para cantar Sem Mais Adeus, composição de Francis Hime e Vinicius. Duas gigantes da música brasileira num registro imperdível: 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Maria Gadú em Mais Uma Página

Passado o furor do seu primeiro trabalho e toda aquela perigosa superexposição, além da parceria com Caetano Veloso, Maria Gadú chega com seu segundo CD para confirmar a promessa de ser um novo grande nome na MPB ou decepcionar, como todos outros nomes sazonais. 

Confesso que temi alguma descaracterização da artista devido sua parceria com a Som Livre/Rede Globo, mas é com felicidade que ouço o CD e constato que é ainda aquela Maria Gadú talentosa surgida há pouco tempo. Em 14 faixas, incluindo regravações/composições em inglês e espanhol, Gadú está de volta para comprovar seu talento como compositora e intérprete. 

O álbum não é óbvio como seu título e apresenta boas surpresas, caminha por diferentes ritmos e nuances. Destaque "Axé A Capella" que tem uma sonoridade muito gostosa, com Gadú explorando sua extensão vocal e outros ritmos. Destaque também para "Quem?", faixa que conta com a participação de Lenine.

Preciso ouvir mais vezes para digerir bem a coisa e poder opinar detalhadamente, mas o que posso afirmar com certeza é que é um bom e autêntico CD de uma grande nome da música nacional. Eu que sou amante de música nacional, achei o álbum exageradamente poliglota, mas talvez isso seja estratégia para uma carreira internacional. No fim das contas, isso não afeta a qualidade do álbum e vale a pena!

Mais Uma Página (2011)
01. No Pé Do Vento
02- Anjo de Guarda Noturno
03- Taregué
04- Estranho Natural
05- Like a Rose
06- Oração ao Tempo
07- Quem? ( part. esp.: Lenine)
08- Axé Acappella
09- Reis
10- Linha Tênue
11- Extranjero
12- A Valsa (Part. Esp.: Marco Rodrigues)
13- Long Long time
14- Amor de Índio

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Vôos de Kavita

Tenho ficado muito feliz com as recentes aparições de Mariana Aydar na mídia. Seu mais recente álbum, Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo, me parece o mais amplamente divulgado até agora. Foram inúmeras as aparições em programas de TV, entrevistas e apresentações nesses últimos meses. A mais recente delas foi nos estúdios da revista Rolling Stone Brasil, com direito a entrevista e apresentação ao vivo. Aí está um vídeo da ótima Os Passionais, uma das faixas do seu mais recente álbum.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ana Carolina e Problemas

Recentemente uma música de Ana Carolina entrou para a trilha sonora da novela (chata pra carai, por sinal) Fina Estampa. Como tem se tornado hábito da Ana, a música é bem fácil e se repete, mas em comparação aos últimos trabalhos lançados pela artista, a música não é ruim. É romântica e brega, imagino o Leonardo cantando algo assim. Pelo que me parece, Ana Carolina perdeu o gosto pelo som mais elaborado e arranjos complexos, como vimos no excelente álbum Estampado. Então, aí está, Problemas:


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Recanto da Gal

Não é de hoje que eu espero por esse CD. Por muito tempo eu andei de nariz torcido pra Gal Costa, ela parecia indiferente a  ela mesma, enquanto artista, enquanto cantora. Deu umas entrevistas desgostosas e eu via Gal mais como uma personagem morta há anos, muito diferente de seus contemporâneos, como Maria Bethânia, Caetano Veloso e Ney Matogrosso. Mas chegou um dia, e já faz tempo, que vi Caetano falando que comporia e produziria um novo álbum de Gal. Apesar de emburradinho, claro que eu fiquei empolgado com a notícia e a ansiedade foi inevitável. Recanto enfim saiu e pelo que pude constar até agora, é puro deleite. Gal Costa ressuscitou da sua obsolescência. Clique AQUI para ouvir 5 faixas desse novo disco da cantora, com a visão moderna e antenada de Caetano.

Das 11 canções que compõem o álbum, nove são inéditas e duas ("Madre Deus" e "Mansidão") são regravações, todas de autoria de Caetano Veloso. O álbum é produzido por ele, Moreno Veloso e Kassin.

Recanto (2011)
1 - "Recanto Escuro"
2 - "Cara do Mundo"
3 - "Autotune Auterótico"
4 - "Tudo Dói"
5 - "Neguinho"
6 - "O Menino"
7 - "Madre Deus"
8 - "Mansidão"
9 - "Sexo e Dinheiro"
10 - "Miame Maculele"
11 - "Segunda"

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo

Continuando a falar sobre os nascimentos de Setembro, venho hoje pra falar sobre o terceiro álbum da Mariana Aydar. Sem me estender muito, digo que está impecável e é uma grata surpresa. Mariana nunca foi uma cantora de grande voz, mas compensa muito bem isso com suas interpretações criativas e a musicalidade que vem se refinando a cada álbum.

Em Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo, a cantora assina 5 das 13 faixas e caminha por ritmos distintos e bem brasileiros, indo do forró à africanidade, sem deixar de passar pelas baladas, como acontece com Passionais, que é uma crônica interessante sobre o amor moderno.

Duas regravações do álbum que agradaram muito; a primeira delas é Não Foi Em Vão, da Thalma de Freitas. A letra é primorosa e de longe é minha preferida tanto no repertório da Thalma quanto da Orquestra Imperial, com a qual gravou sua canção pela primeira vez. Outra regravação imperdível no álbum é a de Vai Vadiar, de Monarco e Ratinho, mas que ganhou popularidade na voz de Zeca Pagodinho. Nunca tinha prestado muita atenção nessa letra, mas Aydar falando todas as palavras certinhas e bem encaixadas numa melodia de um tango-bolero-indie a música cresce e fica uma delícia, não dá vontade de parar de ouvi-la.

Caetano Veloso que tem sido bastante lembrado esse ano também foi lembrado por Mariana Aydar, e sua canção Nine Out Of Ten ganhou uma versão esplendorosa nesse terceiro álbum da cantora. Não só pelas letras, o álbum também se destaca pelo instrumental impecável comandado pelo maestro Letieres Leite, comandante da Orkestra Rumpilezz. Atenção especial a percussão de Gustavo Di Dalva, fazendo um batuque moderno e radiofônico, sem desprezar as raízes do outro lado do Atlântico. Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo é um dos melhores álbuns do ano, imprescindível! Há um tom intrigante nesse álbum, Mariana acertou o alvo.

Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo (2011)

1. A saga do Cavaleiro (Mariana Aydar)
2. Solitude (Mariana Aydar - Luísa Maita - Jwala)
3. Não foi em vão (Thalma de Freitas)
4. Passionais (Dante Ozzetti - Luiz Tatit)
5. Vai vadiar (Monarco - Ratinho)
6. Nine out of ten (Caetano Veloso)
7. Floresta (Mariana Aydar - Guilherme Held - Tiganá Santana)
8. Galope razante (Zé Ramalho)
9. Porto (Romulo Fróes - Nuno Ramos)
10. Preciso do teu sorriso (João Silva)
11. O homem da perna de pau (Edson Duarte)
12. Cavaleiro selvagem (Mariana Aydar - Emicida)
13. Vinheta da alegria (Mariana Aydar)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Setembrinos

 Acho que é uma conspiração do Universo fazer com que muitas coisas e pessoas nasçam em Setembro. Prova disso foram os lançamentos de três CD's muito esperados, pelo menos por mim. O primeiro deles foi o CD de estréia de Filipe Catto, intitulado de Fôlego. Teve ainda o lançamento do quarto álbum de estúdio de Maria Rita, o Elo. Mariana Aydar também lançou o seu terceiro álbum de estúdio, Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo, um dos mais esperados por mim não só no mês passado, mas em todo ano. 

Propositalmente venho falar desses álbuns já tarde. Deixo Mariana Aydar pra um texto exclusivo depois, falemos de Catto e Maria Rita. Num ano de lançamentos primorosos como o álbum de estréia do Cícero, Canções de Apartamento, não é muito difícil parecer mais-ou-menos, ainda mais quando se espera por um trabalho com grande expectativa. 

Ouvi repetidas vezes e estou ouvindo novamente agora para reafirmar que o álbum de Maria Rita, para mim, é uma decepçãozinha. A cantora está impecável como sempre, voz bem colocada, interpretação na medida mas não há nada de novo no Elo, nada que acrescente à carreira da artista. Depois do ótimo Samba Meu de 2009, parecia que Maria Rita havia finalmente se encontrado musicalmente e que o próximo álbum também seria do gênero, mas não é o que constatamos com Elo

Maria Rita volta a passear pelo jazz contemporâneo de ótima qualidade já presente nos seus dois primeiros CD's. São 11 faixas que contam com regravações de canções bastante conhecidas pelo público, como Menino do Rio e A História de Lily Braun, incansavelmente regravada, como fez recentemente Maria Gadú e Teresa Cristina em seus respectivos últimos trabalhos. O álbum também traz regravações menos conhecidas, como Santana, já gravada pelo impecável Rubi. Minha queridinha do Elo é a regravação de A Outra, que Maria Rita sacou do repertório de Los Hermanos, já visitado por ela outras vezes.

Vale aqui um parênteses para esclarecer que Elo nasceu de uma turnê que Maria Rita fez, sem título e sem cenário, assim que encerrou os trabalhos com o Samba Meu. Como o contrato que a cantora tem prevê que ela lance um álbum de dois em dois anos, ela entrou em estúdio e fez um CD baseado nesses shows. Até cheguei a ver um destes, e claro, foi perfeito porque Maria Rita é Maria Rita. Para nos deixar com vontade de mais samba, Elo se encerra com a ótima regravação de Coração em Desalinho, que todo mundo pôde ouvir por meses na abertura de uma novela da Globo que já até esqueci o nome. É um bom álbum, queria mais, esperava mais e vou continuar esperando, mas nem por isso Elo deve ser desprezado. Vambora ouvi-lo!

Quanto ao Fôlego, de Filipe Catto, a empolgação é outra. Que álbum delicioso! Conta com algumas regravações, mas sem nenhuma repetitividade e nem clichê. Das regravadas, a mais conhecida é Garçom, famosa na voz do caricato Reginaldo Rossi, mas que com Catto ganha uma seriedade comovente, um lamento de desamor dos mais bonitos. 

Em Fôlego também se destacam as inéditas e autorais Adoração e Redoma. Especial atenção também para Roupa do Corpo, canção autoral que já havia aparecido no seu trabalho de divulgação, Saga (2009), que ganhou uma roupagem mais sofisticada no CD. Também impecável no que diz respeito a voz e arranjos, em Fôlego o cantor se aproxima mais da linguagem pop, tanto no ritmo quanto nas letras, deixando mais sublime sua característica referência literária, mas sem abrir mão da qualidade musical. Fôlego está imperdível! Atenção especial para 2 Perdidos. Cliquem nos títulos abaixo e bom deleite!

Elo (2011) - Maria Rita
1. Conceição Dos Coqueiros
2. Santana
3. Perfeitamente
4. Coração A Batucar
5. Menino Do Rio
6. Pra Matar Meu Coraçao
7. A História De Lilly Braun
8. Nem Um Dia
9. A Outra
10. Só De Você
11. Coração Em Desalinho




Fôlego (2011) - Filipe Catto
1. Adoração
2. Gardênia Branca
3. Johnnie, Jack & Jameson
4. Redoma
5. Juro por Deus
6. 2 Perdidos
7. Alcoba Azul
8. Saga
9. Nescafé
10. Garçom
11. Crime Passional
12. Roupa do Corpo
13. Rima Rica/Frase Feita
14. Dia Perfeito
15. Ave de Prata

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O multitalento de Clóvis Struchel

Não, ele não é modelo, ator e manequim. Os talentos dele são outros e bem reais. Eu conheci o Clóvis através de seu blog. Ele tem uma literatura densa que é verdadeiramente admirável e excitante. Conversa vai e conversa vem, descobri que ele não só escrevia prosas, mas também letras de músicas. E logo após, que não só escrevia músicas, mas também cantava. E cantava bem! E a partir daí a admiração só foi crescendo e tender a crescer ainda mais.

Nos últimos dois anos Clóvis foi amadurecendo como artista e deixando de lado o amadorismo de iniciante. Escreveu dois livros, um romance e um livro de microcontos, trabalhos que rendeu um contrato com a editora Multifoco. Contudo, acredito eu, a paixão de Struchel está mesmo na música.
Sou músico. Não sou cantor. Não tenho pretensões de chegar ao nível de um Donny Hathaway, por exemplo. Canto as minhas canções com verdade, e isso é o melhor que eu posso fazer por mim.
Ao ter aulas de canto com a ótima Suely Mesquita, o cantor e escritor foi apresentado a Lucina, uma das parcerias musicais mais freqüentes de Zélia Duncan. Esse foi o pontapé inicial para que Clóvis passasse a circular e ser admirado no meio artístico por nomes importantes com o Edu Krieger, Luis Capucho, Fernando Paiva, Bruno Scamtamburlo etc. Lucina e Edu até chegaram a escrever sobre ele em veículos de informação, admirado com sua musicalidade e talento. Na mesma época, conheceu também Kali C., quem o incentivou muito e produziu o seu primeiro show. Com Lucina e Sonya Prazeres, compôs Tristezas, registrada em vídeo pela Lucina no projeto Música de Bolso.




Entre parcerias, planos, músicas, redescobertas musicais e lapidações, finalmente Clóvis foca-se novamente na música e volta aos estúdios para terminar o seu primeiro álbum. Como poucos, Struchel consegue ser pop e manter a qualidade musical. Suas letras fogem do clichê e do refrão fácil, certamente é um talento que brevemente veremos em vôos bem maiores. Por enquanto, como aperitivo dessa voz de nuance anacrônica e noturna, o registro da inédita Fui Ali.



Qualquer outra novidade sobre o trabalho do cara eu posto aqui, e que venha o CD!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O triste declínio da “Nova MPB”


A MPB sempre viveu de safras e hiatos, alguns grandes, outros nem tanto. Lá no começo da década de 90 e durante toda sua duração, a grande mídia passou a cria uma tal de “nova MPB”, incluindo grandes nomes femininos que surgia na música nacional. Marisa Monte, Adriana Calconhotto, Ana Carolina e tentaram até mesmo incluir Cássia Eller nesse jogo aí, mas eu não vou jogar a maior rockeira do país nesse meio aí. 

Além, ainda tivemos as cantoras de um só sucesso, que apesar de promissoras, logo caíram no esquecimento. Deborah Blando, Patrícia Marx e mais algumas outras que incluídas em trilhas de novela experimentaram um sucesso vindo tão rápido quanto o posterior ostracismo.

Já nos anos 2000, posso lembrar de Vanessa da Mata e seu surgimento para as massas. Ótima compositora, sempre foi uma cantora superestimada, fato que se comprova por doloridas desafinações em apresentações ao vivo. Teve também o surgimento de Maria Rita, meu amor platônico, que apareceu somente como filha da Elis Regina e nada mais.

Particularidades à parte, todas criaram clássicos instantâneos, foram ovacionadas pelo público e ganharam uma espécie de altar por parte da grande mídia. Merecidamente? Talvez. Adriana Calcanhotto, dentre as citadas, talvez seja a que menos aparece na TV e a que guiou sua carreira de maneira mais brilhante. Calcanhotto não teve medo e não quis viver à sombra de “Vambora”, reinventou-se em Partimpim, voltou aos seus ritmos habituais com maestria e mais uma vez se reinventou com seu ótimo O Micróbio do Samba.

Ana Carolina, a quem já dediquei um texto específico aqui no blog, está apagada desde sua parceria com Seu Jorge. Dois Quartos, seu álbum solo após parceria com Seu Jorge, viveu mais pelas suas polêmicas que pelo que apresentava musicalmente. N9ve é chatinho, cansativo e burocrático, não lembra em nada a velha Ana Carolina cheia de vigor.

Vanessa da Mata ainda anda cheia de suas altos e baixos, ora com excelentes canções, ora com alguma bobeirinha radiofônica que nos empurram goela abaixo meses seguidos. Vanessa talvez seja a rainha do remix, invade as pistas de dança mesmo falando ai ai ai ai ai ai ai trocentas vezes seguidas. Eu gosto dela, queria ter escrito algumas de suas canções e a acho com uma energia ímpar, mas ainda é uma cantora de álbuns irregulares, sem um padrão de qualidade.

Maria Rita, após dois álbuns plurais quanto a ritmos e estilos, se encontrou no samba e finalmente parece ter exorcizado de vez a sombra de Elis a sempre a perseguiu. Maria Rita é uma grande cantora, versátil musicalmente, mas pouco ousada enquanto artista. Tecnicamente é irrepreensível, o carisma admirável, mas leva a carreira com pouca dinâmica, passa anos sem lançar nada.

Por último chegamos a Marisa Monte, uma espécie de bibelô dessa tal “Nova MPB”. Eu gosto de Marisa Monte e claro que muitas de suas músicas fazem parte da vida, de fases e relacionamentos. Acho que quem nunca cantou “Não Vá Embora” com sorriso aberto não sabe o que uma paixão, e quem nunca se contorceu com os versos de “Bem Que Se Quis” é porque não prestou atenção na lascividade da letra.

Cheia dos projetos profissionais e pessoas, vezenquando Marisa some, mas sempre que ressurge fazem festa e batem palma. Em seu último “ressurgimento” Marisa chegou cantando uma música de matar qualquer diabético por tanto açúcar e qualquer letrista pela falta de rima e métrica na música. “Não É Proibido tocou exaustivamente. Chego a cogitar alguma parceria dela com os laboratórios produtores de insulina...

Jujuba, bananada, pipoca,
Cocada, queijadinha, sorvete,
Chiclete, sundae de chocolate,

Uh!
Paçoca, mariola, quindim,
Frumelo, doce de abóbora com coco,
Bala juquinha, algodão doce e manjar.

Uh!

Depois de outro sumiço, agora volta Marisa Monte com Ainda Bem. Comecei já estranhando o título, por ser o mesmo de uma canção da Vanessa da Mata, mas tudo bem, vamos lá ouvir o que essa grande voz tem pra nos mostrar e gente! Que coisinha chata. A música é pobre, ganhou um clipe pobre e não empolga nem se ouvir depois de tomar umas tequilas. Não é ruim, mas é pobre. Uma coisinha morna que vai ter gente falando que é singela, esquecendo-se da linha sutil entre o simples e o simplista. Mais uma parceria de Marisa com Arnaldo Antunes, tem umas rimazinhas e um “na na na na na” típico de Jota Quest.





Alguém duvida que vamos ouvir muito essa música? Vai tocar, claro que vai, e o nome disso é inve$timento. Aparece só quem tem, e as fórmulas são as mesmas sempre. Anderson Silva, celebridade onipresente do momento, participa do clipe para deixar deixar claro o apelo da visibilidade. Som Livre, Sony-BMG e Universal dominam os meios de comunicação em massa.

Enquanto a TV insiste a mostrar as santas do altar, tem uma galera profana fazendo bonito longe dos holofotes. Gente de talento que não precisa viver de memória e mantém viva e rica a música do Brasil. Salve a música impopular brasileira!