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domingo, 24 de junho de 2012

Dança das Cabaças

Dança das Cabaças é um documentário de 51 minutos que descobri há pouco tempo e fala sobre a divindade Exu no Brasil, relevando sua natureza, sua história mítica e o modo como é cultuado no Brasil. É um filme interessantíssimo para desfazer os mitos criados pelos pilares judaico-cristãos que regem a sociedade ocidental. Um filme muito lúcido e emocionante em diversas passagens. Ótimo para quem pouco sabe e também para quem conhece o culto aos Orixás e entidades. 

SINOPSE: Trazido pelos escravos com outros Deuses do panteão Yoruba, Exu foi colocado à margem e passou por um processo de demonização que se inicia na missão católica na África e se estende no período colonial brasileiro, onde seus atributos originais foram ocultados.

Exu que na África era caracterizado como o princípio da vida, a força que move os corpos, a dinâmica, o senhor dos caminhos e das encruzilhadas, a principal ponte entre os mortais e as divindades que habitam o além, passa a ser visto como a personificação do mal perante o modelo cristão, devido ao seu seu símbolo fálico e seu comportamento astucioso.

Dirigido por Kiko Dinucci, o filme passa pelas diversas vertentes das religiões afro-descendentes, dos candomblés (de tradição Nagô, Gege, Bantu), Tambor de Mina, passando pela Umbanda e Quimbanda. Dança das Cabaças - Exu no Brasil conta com participações de Sacerdotes e estudiosos.

Filme completo:


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Madeinusa

Madeinusa  (Peru/Espanha,  2006)  é  o  primeiro  longa-metragem  dirigido  pela peruana Claudia Llosa, que em 2009 ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim pelo seu  segundo  filme,  La  Teta  Asustada.  Um  ponto  em  comum  nos  dois  filmes  é  a presença  da  atriz  Magaly  Soler  que  no  primeiro  filme  interpreta  Madeinusa de maneira admirável, com muita expressividade, conferindo um realismo à personagem que nos leva a esquecer que estamos vendo ali uma atriz com seu papel e não uma personagem autêntico e real.

O filme narra alguns dias de um  imaginário vilarejo peruano,  denominado  Manayaycuna,  e  localizado  entre  as  remotas  montanhas  da  Cordilheira Branca,  onde  ocorreria  o  Tempo  Santo,  período  que  vai  da  Sexta-Feira  Santa  ao Domingo  de  Páscoa.  Neste  hipotético  povoado,  vivem  Madeinusa,  sua  irmã  Chale (Yiliana  Chong)  e  seu  pai,  então  prefeito  da  cidade,  Cayo  Machuca  (Juan  Ubaldo Huamán).  A  chegada  de  Salvador  (Carlos  J.  de  la  Torre),  que  percorre  um  longo caminho de Lima até  localidade, é a chance que Madeinusa encontra para partir para a capital, seguindo os passos da mãe que abandonara as filhas com o pai.

O filme pontua a diferença entre o arcaico e o urbano, pagão e religioso, mostrando-nos o cotidiano exótico do vilarejo. É um filme caracterizado pelo etnocentrismo, assim como o ótimo filme brasileiro A Festa da Menina Morta (2008). Os costumes típicos e exóticos se revelam durante as festividades do Tempo Santo, onde, segundo as tradições locais, tudo está permitido, uma vez que Jesus está morto e não pode ver os pecados do mundo. A trama se desenrola sobre esse pretexto, encantando na fotografia e surpreendendo no roteiro. Este é um filme cheio de silêncios, para ver e digerir por alguns dias. O final é um tanto atordoante, surpreendente e faz do filme imperdível! Disponível AQUI ou AQUI.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cine 2011

Três filmes que marcaram 2011 cinematograficamente:

Tudo pelo poder



Com direção, roteiro e atuação de George Clooney, Tudo pelo poder já entraria pra história do cinema somente por esse fato. Mas, o drama vai além das expectativas, poderia até cair na mesmice pelo tema ou até mesmo hipocrisia, contudo prende o espectador do início ao fim. Excelente roteiro, com boas atuações, com a duração correta, ápice e desfecho com maestria. As suaves comparações com os governos americanos dá todo um ar humano e errante a narração. Ryan Gosling merece destaque. E ponto positivo para a capa principal do filme que ficou fantástica.

Amores Imaginários



Direção, roteiro e atuaçãode Xavier Dolan (o mesmo de Eu matei a minha mãe). Nesse filme Dolan acerta na direção, nas cores, nos enquadros de cena, na trilha sonora, no figurino, mas o roteiro em si é extramente pobre. A trama só prossegue pela direação, o enredo é parco, aguado, decepcionante até. A beleza de Niels Schneider dá todo um toque romântico as cenas, o alaranjado na camisa, o cabelo dourado. Enfim, poderia ter sido um ótimo filme, mas deixou a desejar.

A pele que habito



Grandes expectativas dos fãs de Almodóvar, talvez repreensivos por ser um filme que tem uma atmosfera de mistério, suspense. Um grande e inovador filme. Surpreendente como somente Almodóvar sabe ser. Roteiro inusitado, atuações primorosas, desfechos que beiram a loucura, a adoração e a paixão. Encantador de uma forma totalmente humana, pecadora e errante. No desenrolar da história se criam mentalmente várias respostas e todas elas se mostram falhas próxima ao fim. É um filme pra se digerir durante uns dias.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

sábado, 25 de junho de 2011

Pitanga em Pé de Amora

Uma das minhas mais recentes descobertas e foi completamente por acaso, li o nome e achei interessante. Minutos depois, lá estavam eles na TV Câmara fazendo um show mais que empolgante. Formado por Diego Casas, Ângelo Ursini, Gabriel Setubal, Daniel Altman e a cantora Flora Poppovic, o grupo Pitanga em Pé de Amora existe desde 2008 e apresenta em seu show músicas de sua autoria, compostas em parcerias entre os integrantes da banda.

Sambas, choros, frevos, canções e até jazz fazem parte desse repertório interpretado com leveza e humor, levando ao público crônicas geniais em suas letras. Musicalmente, lembram-me os sensacionais Graveola E O Lixo Polifônico, mas com menos melancolia e mais brasilidade, lembra também Casuarina, mas com mais toques de Pixinguinha e Cartola. São modernos ao resgatar os ritmos antigos esquecidos há tanto tempo. Vale a pena e é necessário conhecê-los, o CD está disponível gratuitamente no site deles. Corre lá e bora começar a cantar!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Negligenciados: Maria Gladys

Há um tempo atrás comecei aqui no blog uma série que tem por objetivo resgatar nomes de cantores, compositores e artistas em geral que são negligenciados pela grande mídia ou até mesmo pelo púnlico. Nem sei mais quantos posts fiz com esse tema, mas hoje darei continuidade. Antes de mais nada, devo me desculpar pelo abandono ao blog, mas é que as ocupações aumentam, o tempo on line diminui e também não há muitas novidades e lançamentos relevantes nos últimos tempos. Voltando ao post de hoje, vou falar de Maria Gladys, que de nome assim ninguém deve saber de quem se trata, mas basta uma foto para que todos a reconheçam.

Sempre vi Maria Gladys na TV fazendo empregadas sem relevância alguma, e fui me atentar para a história dela numa madrugada qualquer, vagando por canais sem audiência, me apaixonei por aquela loucura setentista que ela exalava, e há muito tempo penso em escrever a respeito, mas nunca consegui. O texto original foi publicado no Jornal da Cidade, em 16 de novembro de 2008. Bora lá conhecer essa mulher que tem história pra virar filme, livro e sem sensacionalismo nenhum. São cruezas admiráveis, como revela seu rosto já riscado pelo tempo.


Um apartamento de fundos na Avenida Atlântica. Maria Gladys abre a porta. O cheirinho de insenso transborda da sala decorada com móveis caquéticos, livros e algumas fotos que chamam os olhos. Num retrato caseiro, que se enxerga logo, Glauber Rocha fuma um baseado no canto da boca, com ar debochado. Bem Glauber. Gladys não faz cerimônia. Manda ir entrando e se acomodando. O show começa. Ela fala andando de um lado para o outro, sem economizar nos gestos, nas frases inspiradas, no raciocínio rápido, nas histórias inacreditáveis. Cigarrinho numa mão, copinho de cerveja na outra.

Há dois anos, a atriz protagonizou a cena mais surreal da sua carreira de mulher que sempre viveu como se não houvesse amanhã. Ela estava no Cevada, um boteco de esquina em Copacabana. De repente, ouve gritos:

— Gladys! Oh, Gladys, corre aqui! Rápido!

Era o cineasta Neville de Almeida, estacionado na frente do bar. Ele lhe passa o celular. Do outro lado da linha está Lee Jaffe, amigo-irmão de Jean Michel Basquiat, fotógrafo, videomaker e integrante da trupe de Bob Marley e Peter Tosh nos anos 70, autor do compêndio do reggae “One love”. Os dois trocam meia dúzia de palavras. Uma semana depois, chega um email de Jaffe com fotos da família. Gladys percebe uma semelhança suspeitíssima entre Rachel, sua segunda filha, e o primogênito do artista. A suspeita gerou um exame de DNA. E o fim de uma dúvida cruel. Jaffe, um caso de amor dos tempos em que a atriz morou em Londres, é o pai da moça, que até então se pensava ser filha de um inglês que Gladys conheceu numa festa onde Mick Jagger trajava um tutu de bailarina azul-celeste.

— Nunca escondi da Rachel que ela era filha de Woodstock — diz Gladys.

— O Lee era da nossa corriola em Londres. Naquela tarde, ele me ligou depois de uns 30 anos. Parei o carro na porta do Cevada para falar com calma e vi a Gladys. Não acreditei na coincidência. Dias depois, ela me manda um email com fotos dos filhos do Lee. Respondi: “Acabou a dúvida, amiga. Manda uma foto da Rachel para ele” — conta Neville.

A biografia de Gladys é assim: uma sucessão de casos surpreendentes, que ela relata com o dom de artista que Deus lhe deu. E o talento dela está voltando à cena “cabeça”. Musa do cinema marginal nos anos 70, queridinha de diretores como Julio Bressane e Domingos de Oliveira, a mulher feia viveu nos últimos anos uma sucessão de empregadas domésticas em novelas. Algumas inesquecíveis, diga-se, como a espalhafatosa Lucimar, de “Vale tudo”. Agora, no entanto, a atriz que nunca se encaixou nos padrões convencionais virou um documentário e está na mira de dois diretores cultuados, o pernambucano Cláudio Assis e o promissor Bruno Safadi, que a escalaram para seus próximos longas. O documentário é da cineasta Paula Gaitán, ex-mulher de Glauber, que resolveu contar a história da atriz no filme “Vida — Sobre Maria Gladys”, exibido no Festival do Rio, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e já agendado para o circuito de festivais europeus. A louca trajetória de Gladys merece mesmo platéia.

— O cinema brasileiro deve muito a Maria Gladys — diz Cláudio Assis. — Hoje se sacrificam talentos em prol de rostinhos bonitos. Há muito estou de olho nessa danada.

Voltemos aos anos 70. Naqueles tempos ainda de swinging London, a atriz vivia por lá, em Notting Hill, cercada por sua turma: Bressane, Neville, Rogério Sganzerla, Glauber, Dedé e Caetano Veloso, Sandra e Gilberto Gil, Hélio Oiticica, Jorge Mautner, Gal Costa, Tim Maia. Alguns eram moradores fixos, outros flutuantes. Todos enxotados do Brasil pela ditadura. Nascida e criada no subúrbio do Rio, histriônica, como bem a define seu amigo Bressane, Gladys caiu de boca no mundo. Virou hippie, adotou o visual psicodélico, tornou-se partidária do sexo livre, embarcou na onda do LSD. Sua única obrigação era assistir a concertos de rock. Com Tim Maia, companheiro de sempre, como Nelson Motta conta na biografia que escreveu sobre o cantor, ela viu o histórico show de Ray Charles no Royal Albert Hall. Na época, o par mais constante de Gladys era Lee Jaffe. Com ele, ela passou uma temporada em Nova York, onde freqüentou a galera de Andy Warhol. Segundo a atriz, a relação encaixava-se no estilo vigente: “Eu, você e todos nós.” No meio desse frenesi, no final de 1972, Gladys ficou grávida. As amigas se juntaram para fazer as contas e apontar o pai. Na regra de probabilidades, ganhou John Coward, com quem Rachel vive desde os 15 anos. O tal exame de DNA virou uma novela, ainda sem final feliz. Mãe e filha, amigas do peito, agora querem reverter a confusão.

— A gente chegou a Londres em pleno desbunde. Estava todo mundo tomando ácido na praça. Aí desbundamos também. O Lee era meu e de muitas outras. Mas acho que era mais meu — brinca Gladys. — Naquela tal festa, eu queria ter comido o Mick de bailarina. Mas acabei com o John. A Rachel nasceu em agosto de 1973, no Brasil. Com 15 anos, quis conhecer o pai que a gente arrumou para ela e se mandou para a Inglaterra. Agora está uma loucura. Como é que a gente vai contar para o John?

A essa altura do papo, Gladys já bebeu umas duas cervejinhas, fumou vários cigarros e percorreu alguns quilômetros: da cadeira de balanço, no fundo da sala, até o espelho, perto da porta. Ela estreou na vida já em grande estilo, causando barulho no bairro do Cachambi, subúrbio do Rio. A mãe de Gladys, também Rachel, tinha estreitamento de bacia e perdeu dois filhos no parto. Grandes e fortes, as crianças morreram asfixiadas. Quando Rachel engravidou pela terceira vez, a fofoca tomou conta da Rua Garcia Redondo. A vizinhança não se conformava. Apavorada, a mulher enfaixou a barriga para que o bebê não crescesse. Assim facilitaria o parto. Deu certo. Em 23 de novembro de 1939, nasceu Maria Gladys Mello da Silva. Sã e salva. Ela deveria ter se chamado Maria Inúbia. Mas, segundo acredita, foi salva pelo pai, um radiotelegrafista que trabalhava numa firma inglesa e gostava de nomes estrangeiros. Pensando bem, Maria Gladys é mesmo melhor do que Maria Inúbia.

— No meu aniversário, a rua parava. Todo ano eu vestia uma cor diferente. No ano em que usei amarelo, acordei com paralisia infantil. Minha mãe botou em mim a praga do amarelo. Nunca mais — conta. — Eu tinha 3 anos. Todo dia a gente pegava o bonde, depois um ônibus, e descia na Praça da Bandeira para ir ao médico. Eu tomava uma injeção chamada Zinfeni, que doía pra caralho. Meu único problema hoje é abaixar.

Na adolescência, Gladys ficou malfalada. Quando ela passava, a mulherada da rua cacarejava e jogava milho. Tudo porque a menina gostava de dançar nos bailões de Elizeth Cardoso. Tinha 12 anos. Aos 15, engravidou. Envergonhada, a família se mudou para o Grajaú, onde nasceu Glayson, mistura de Gladys e Edson, o pai, que logo sumiu no mundo. A mudança alterou o rumo da vida de Gladys. Na nova vizinhança, ela conheceu um menino chamado Roberto Carlos, e começou a namorá-lo. Ele tinha uma turma — Carlos Imperial, Tim Maia e Erasmo Carlos. Imperial organizava apresentações do bando no “Clube do rock”, na TV. Gladys virou umas das bailarinas oficiais do programa. Na biografia de Tim Maia, Nelson Motta descreve bem o clima: “O palco pegava fogo quando Carlos Imperial chamava os dançarinos Maria Gladys, Cidinho Cambalhota, Nilza, Bolão e Clito.” A farra durou até o final dos anos 50, quando ela se mudou com a família para Copacabana, porque queria fazer teatro.


— Passei a viver entre o Cervantes, o Beco da Fome e a praia. O Roberto já estava tocando na Boate Plaza. Só que já estava metido a besta. E eu estava entrando em outra — conta.
Em 1959, Gladys estreou no Teatro Municipal, com a peça “O mambembe”, de Arthur Azevedo. Em ótima companhia: Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Ítalo Rossi e Sérgio Britto. Foi um sonho entrar para a companhia Teatro dos Sete. Depois de dois trabalhos com o grupo, Gladys decidiu que seria uma atriz de verdade e enfiou a cara nos estudos. Nessa mesma época, conheceu Domingos de Oliveira.

— Ele foi o primeiro homem moderno que encontrei na vida — diz Gladys.
O diretor a introduziu de vez no mundinho do teatro intelectual. E ela passou a integrar a companhia Teatro Jovem, de Kleber Santos. Em “O chão dos penitentes”, apareceu com os seios nus no cartaz de divulgação da peça, entrando para a História como a primeira atriz séria a mostrar o corpo. Era a queridinha do grupo.

— A Gladys fez o papel principal de “Sétimo céu”, a primeira peça que montei, em 1962 — lembra Domingos. — Nunca namorei a Gladys. Como não tínhamos máscaras, logo vimos que éramos amigos. Mas ela era muito atraente, uma gata que atemorizava os homens por excesso de sinceridade. Gladys nasceu sem persona. É ela. Não se engana.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Preconceitozinho

Já que é um assunto muito ~em voga~, vamos falar de preconceito e fobias aqui no Varal Fult. O vídeo é realmente ótimo, um convite bem humorado a reflexão.

Por trás de discursos de diversos setores da sociedade, esconde-se um terrível preconceito. Muitas vezes, ele não é percebido nem por seus interlocutores. As verdadeiras aversões do povo brasileiro são aqui tratadas através de inversões. As contraversões dos discursos tornam-se mais claras quando mudam seus alvos. Fazendo do comum, bizarro, pretende-se mostrar uma outra versão do natural, que é, também, uma alteração.

Curta produzido em 2007.2 para a ECO - UFRJ


Na onda da banda mais bonita

É igual, mas é diferente. E tem muita qualidade, vale a pena divulgar. Assistam que não vai ter arrependimento:

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A volta de Fleet Foxes

 Eles surgiram no início de 2008 e acumularam elogios e críticas por parte da mídia especializada. Por parte do público, os elogio eram ainda mais passionais e freqüentes. Apesar do som ser pop, a harmonia é complexa e as referências usadas pelo Fleet Foxes são deliciosas, como definiram a época do primeiro disco dos caras, quase uma experiência religiosa.

Apesar de virem de Seattle, a terra do grunge, o quinteto vai muito além e bebe de influências que vai de Bob Dylan a Beach Boys, de The Zombies a Arcade Fire. É um pouco disso tudo sem serem nada disso, numa criatividade e inovação surpreendente. Mas passou toda aquela empolgação da estréia estrondosa de 2008 e confesso até ter esquecido do nome deles até que recentemente soube do segundo álbum, recentemente lançado, após 3 anos sem material inédito.

Um segundo álbum, depois de um sucesso tão grande de crítica e público, é um tanto quanto complicado, pois a tendência natural das gravadoras, produtores e, em alguns casos, até mesmo do artista, é se repetir. Fleet Foxes consegue fugir do comum, não se repete em uma nota sequer e consegue ser mais uma vez sensacional.

As raízes e a identidade do Fleet Foxes se mantém, mas o som realmente não é o mesmo. Nesse novo trabalho, intitulado de Helplessness Blues, eles passeiam muito mais pelo folk, numa onda meio Devendra Banhart, mas com criatividade e pegada pop. Realmente, é um álbum necessário para todo fã de música de qualidade, especialmente de folk. Abaixo, o material da banda disponível (clique no título).
01. Sun Giant
02. Drops in the River
03. English House
04. Mykonos
05. Innocent Son

01. Sun It Rises
02. White Winter Hymnal
03. Ragged Wood
04. Tiger Mountain Peasant Song
05. Quiet Houses
06. He Doesn't Know Why
07. Heard Them Stirring
08. Your Protector
09. Meadowlarks
10. Blue Ridge Mountains
11. Oliver Jame

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O Rei do Suspense

Como todo mundo vê por aqui, o blog fala sobre várias coisas e entre as cults temos filmes e música, mas nenhum livro. Então eu, como leitora voraz, resolvi postar sobre os livros que leio.

Antes de falar sobre o livro preciso falar sobre o escritor: Stephen King, o Rei do suspense. Com muitos livros e filmes ele é, na minha humilde opinião, o hors concours do suspense. Histórias facinantes, surpreendentes e cheias de mistério e ação.

Mas a melhor obra de Stephen é sem dúvida a saga A Torre Negra, que tem o total de sete livros com mais de 4 mil páginas e segundo burburinhos um oitavo livro vem por ai. Ele demorou mais de duas décadas para escrever e nada nem ninguém pode mudar o fato de que ele estava destinado a escrever essa história que encanta com seus personagens: Roland (O pistoleiro), Eddie (O viciado), Susannah (A esquizofrênica), Jake (A criança) e Oi (O guaxinin-cachorro falante).
É uma história que mistura faroeste estaduniense, mitologia britânica - focando na história do Rei Artur e a Tavóla Redonda. E muita influência de J. R. R. Tolkien.
Roland Deschain vive num mudo paralelo ao nosso, chamado 'Mundo Médio' e que seguiu adiante. Ele se sente atraido pela energia que emana da Torre e quer alcança-la para evitar a destruição de todos os mundos e para que o Mundo Médio possa retornar ao que era antes de seguir adiante. Para isso ele recebe a ajuda de seu Ka-tet (são pessoas unidas pelo mesmo ka) que é formado por Eddie Dean de Nova York, Susannah de Nova York, Jake Chambers de Nova York e Oi do Mundo Médio.
É uma história facinante e que surpreende com tudo em que Stephen se inspirou para escrevê-la, como O Mágico de Oz, Star Wars, A Hora do Vampiro (outro livro do escritor), Harry Potter, entre outras histórias que todos nós conhecemos.
Não existe só suspense nessas linhas. Existe amizade, amor, loucura, raiva, desvairio e muita muita força.

Para os amantes de Stephen King e dos livros, leiam. Quem nunca leu nada de Stephen ou não é muito chegado em suas histórias vai se surpreender com A Torre Negra.
É impossível parar de ler. E tem um final que vai além da surpresa, é estarrecedor, te deixa sem palavras.
A obra-prima que mais me encantou até hoje.

Para os fãs da saga, vão ser lançados 2 filmes e 2 seriados. O ator que fará Roland Deschain é ninguém menos que Javier Barden, na minha opinião o melhor ator para o papel.
Está sendo lançada também uma coleção em HQ que conta mais detalhadamente alguns acontecimentos da história.

sábado, 2 de abril de 2011

Novo clipe do Móveis

A banda Móveis Coloniais de Acaju, uma das minhas preferidas da atualiade e que vem trabalhando em cima do seu segundo álgum, lançou há poucos dias o clipe da música O Tempo, que está na trilha sonora da novela global Araguaia.

O vídeo é resultado de uma ação executada ao vivo, intitulada #TempoRealMoveisMtv.
Dia 27 de março é o Dia do Grafite no Brasil. Então, a banda convidou o público para participar da ação da seguinte forma: as pessoas "twittariam" a tag #TempoRealMoveisMtv durante a transmissão em streaming no portal da MTV e os artistas pintariam seus Nicks no vidro.

Durante a transmissão, a banda executou uma estranha coreografia atrás do vidro. Ao final da transmissão, o Móveis revelou a surpresa: o público tinha assistido, em tempo real, o vídeo inteiro da música, só que executado 4x (e no final, 8x) mais lento. Ao atualizar a página, o público viu a sequência acelerada: o vídeo oficial de "O Tempo". O resultado ficou muito interessante e você pode conferir logo aqui embaixo:


Direção: Steve ePonto
Grafites: KollorsKingz
Biker: Luciano Cedro (Papai)

Fonte: YouTube

quinta-feira, 31 de março de 2011

Programa Compacto

Ha um tempo atrás eu soube, através do Twiter, sobre o encontro da grande cantora Thalma de Freitas com o cantor e compositor Matheus Aleluia, que ainda conheço pouco, mas tenho admiração profunda por ser compositor de uma das minhas músicas preferidas, Cordeiro de Nanã.


Na época da descoberta eu fiquei tão empolgado com a nova gravação que nem dei atenção e acabei esquecendo que o encontro desses dois raros na música brasileira se deu no Programa Compacto, até que essa semana meio sem querer eu lembrei do programa e fiz descobertas felicíssimas.

O programa é um videocast produzido/patrocinado pela Petrobrás e tem como objetivo resgatar as raízes do Brasil através da música, unindo artistas de diferentes regiões para um bate-papo descontraído e para fazer um som juntos, claro. Cada programa tem dois blocos de 10 minutos cada, realziado num cenário moderno e aconchegante.

Além da parceria da Thalma com M. Aleluia, muito me chamou atenção o encontro de Teresa Cristina (uma das minhas sambistas preferidas) com a regional Karina Buhr. À primeira vista me pareceu algo tão estranho juntar essas duas, e uns 3 minutos depois, antes mesmo de abirem a boca pra cantar eu já me perguntava: "puta que pariu, por que não juntaram essas duas antes!?" É uma parceria magnífica, que até rendeu uma música inédita, chamada Vagalume. É sublime!



Lá no site do programa há link para baixar essa e outras canções em MP3, num ícone logo abaixo do vídeo. A equipe pro programa também mantém um canal no YouTube, comunidade no Orkut e perfil no Twitter. Tem música para todos os gostos. É pra espalhar, ouvir, admirar e aplaudir!

segunda-feira, 28 de março de 2011

O Palhaço


Hoje, dia 28/04, foi divulgado o trailler do filme O Palhaço, que conta com Selton Mello como diretor, redator e protagonista. Selton estreiou como diretor em longas em 2008, com o cansativo drama Feliz Natal (muito bem criticado pela mídia). O ator e diretor volta às telas com um drama, mas pelo visto bem mais leve e dinâmico.

O Palhaço, que começou a ser rodado no dia 2 de março, em Paulínia, São Paulo, conta a história de Pangaré, um palhaço que atravessa uma crise existencial. Paulo José vive Puro-Sangue, pai do personagem de Selton. As filmagens terminaram em 13 de abril e teve também locações em Ibitipoca, Minas Gerais.

Pelo trailler logo abaixo, podemos esperar uma fotografia muito bonita, que à primeira vista me remeteu ao estrangeiro Peixe Grande. O filme contou com um modesto orçamento em torno de 5 milhões de reais. Segundo o próprio Selton, a idéia do filme surgiu num momento depressivo onde repensava sua vida e estava insatisfeito com sua carreira. Apesar disso, o personagem não é autobiográfico, mas sim metafórico. Particularmente, penso que momentos assim sempre rendem ótimos trabalhos. Vale a pena conferir!


Benjamim (Selton Mello) e Valdemar (Paulo José) formam a fabulosa dupla de palhaços Pangaré e Puro Sangue. Benjamim é um palhaço sem identidade, CPF e comprovante de residência. Ele vive pelas estradas na companhia da divertida trupe do Circo Esperança. Mas Benjamim acha que perdeu a graça e parte em uma aventura atrás de um sonho.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Sabonetes - Hotel

Conheci essa banda há mais de um ano, e acho que cheguei a comentar sobre eles aqui no Varal. Apesar de ter gostado desde a primeira vez que ouvi o CD, nunca foi algo que escutei com muita frequência. Essa semana eu lembrei da banda e resolvi matar saudade do CD, coincidentemente, um amigo me fala que eles lançaram clipe e estão com bons contatos na MTV, tendo tudo para estourar em 2011. O clipe é realmente acima da média, muito bom! O som também é bom, vale a pena ser visto e ouvido. A estética do clipe muito me agrada. Com vocês, mais uma vez, Sabonetes:



Hotel

Roupas no varal
Chuva de verão
Os dias soltos no quintal
Vão me dando a direção

Se você perguntar o que eu fiz
Se você quer saber o que eu quis
Ah, o tempo passa e eu penso demais
Pra dizer ao vento que me satisfaz
E eu minto

Quartos de hotel
Rá, alguém que se perdeu
Se você perguntar o que eu fiz
Se você quer saber o que eu quis
Ah, o tempo passa e eu penso demais
Pra dizer ao vento que me satisfaz
Tanto faz
O tempo passa e eu penso demais
Pode ser que eu tenha te deixado pra trás
E eu sigo
E eu minto
E eu sinto

Se você perguntar o que eu fiz
Se você quer saber o que eu quis
Ah, o tempo passa e eu penso demais
Pra dizer ao vento que me satisfaz
Tanto faz
O tempo passa e eu penso demais
Pode ser que eu tenha te deixado pra trás
E eu sigo
E eu minto
E eu sinto

E eu sigo

terça-feira, 22 de março de 2011

1 + 1 = 1



O filme Incêndios (Incendies) traz a história de uma mãe ausente com gêmeos, após sua morte eles recebem um testamento dizendo pra procurarem o pai (que consideravam morto) e mais um irmão desconhecido para entregar uma carta. Uma mãe distante que em um país distante, em guerra, esfacelado conta sua história, suas torturas, seus pesadelos e seus segredos.
Sua filha vai até o Oriente Médio pra buscar pistas sobre o paradeiro de ambos. Descobre sobre a vida dela, da mãe, do irmão gêmeo, do irmão desconhecido e do pai que está vivo. Rejeitada em um país desconhecido, língua, costumes diferentes, tudo é arisco.
O filme já começa demonstrando uma trilha sonora peculiar que se encaixa de forma primorosa na trama. Planos interessantes, cortes de cena que se encaixam bem, fotografia perfeita. Diálogos e leituras de cartas que deixam o espectador com água nos olhos. Sim, eu chorei no fim do filme.
O filme pode se alongar de certa forma, mas quando tudo se encaixa é totalmente perdoável. Lindo, tocante, humano e surpreendente. O melhor filme do ano, de longe merecia o Oscar de filme estrangeiro. Recomendo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Preconceito no Cinema



Tá bem, admito que quando fui ao cinema assistir Bruna Surfistinha tinha lá meus receios, achei que seria só sacanagem e blá, blá, blá. Mas, as poucas opções em exibição me forçaram a assistir. Agora dou o braço a torcer, o filme é bom sim. Recomendo a todas as pessoas e quando o cartaz dizia: "Leve seu namorado, seus amigos, mas vá sem preconceitos" tinha toda a razão.
Obviamente o filme todo terá cenas de sexo aos montes, ela é uma prostituta, uma missa que não cairia bem no contexto. E apesar de ver os peitos da Debora Secco o filme todo não o achei apelativo. A palavra que se encaixa melhor seria "agressivo". O primeiro programa ou quando ela faz fila pra fazer programas por vinte reais (Momento Vanessão) são afiadas, incomoda. Em outros pontos passa a ser normal, comum como ela mesmo via, como ela mesmo dizia não diferenciar seus clientes não diferenciava o sexo.
A fotografia é boa, me surpreendeu bastante, bem urbana, cigarro na janela, um ponto verde no cinza de um prostíbulo. Ponto alto pra trilha sonora também, teve seu encaixe. Alguns efeitos que me surpreenderam e que não costumo ver em filmes nacionais. Um roteiro que tem fôlego, boas atuações, no mais o filme em si é muito bom. Logo quando fui ler as críticas diversas pessoas indo contra o filme, dizendo ser apelativo, fraco, que passamos uma visão pejorativa pro público internacional com esse filme ou que as criancinhas do país teriam um péssimo exemplo. Bem, as adoráveis crianças tem acesso a internet o que faz elas saberam mais que a Bruna em si. Hipocrisia pura, se fosse uma cena de Almodóvar todos achariam arte, se fosse um clássico alemão todos comprariam o filme, mas por ser nacional as pessoas falam mal. Não levanto a bandeira de ninguém, admito nem ir muito com a cara da Bruna Surfistinha. Lembro que quando saiu o livro nem dei muita importância e tal, mas o filme eu recomendo e mais recomendo que as pessoas trepem mais.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O homem que amava caixas



Teatro OI Futuro Ipanema, sábados e domingos às 16h00 até 29 de maio, ingresso R$10,00
Adaptação para teatro infanto-juvenil do livro “The man Who loved boxes” , do escritor australiano Sthephen Michael King.
Dois atores, uma atriz. O pai, o filho, o cachorro e dois vendedores. Uma história curta, mas repleta de sentimentalismo, significados e mensagens que na realidade a maior parte do público infantil não vai compreender. As crianças vão gostar dos bonecos, do cachorrinho sapeca, das canções. Os adultos irão levar pra casa toda a sensação de abismo entre pai e filho.
O cenário é composto por caixas , grandes e pequenas, portas e escadas. Primeiro e segundo plano dentro de caixas. Creio que por a peça se basear em uma história curta, tentam “esticá-la” logo no começo, o que torna o início um pouco cansativo. Quando a história toma um ritmo natural tudo flui com leveza, com as pausas certas. A história termina assim, leve com o céu estrelado e braços trançados.

Recomendo!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sessão Dupla

Pleno domingo, pegar sessão dupla na Estação Botafogo *__*

Primeiro filme: Você vai conhecer o homem dos seus sonhos - Woody Allen

Algumas histórias que se cruzam, mesclam e muda no final. Tem seus pontos altos, mas não é um bom filme. E eu sempre vou dizer que esse filme NÃO É DO WOODY, NÃO É!
Ele começou a me "desagradar" logo quando fez Vicky Cristina Barcelona. Não é a mesma coisa. Sim, ele tem direito de novos rumos, novos estilos, mas sempre saímos do cinema com aquela sensação de que não tem os dedos do Allen na história. Alguns pontos são bem manjados, não tem nada de surpreendente. Quem assiste até se esforça por ser o Allen, contudo a história é monótona e nada muda isso. O que vale o ingresso de cinema é a presença do Antonio Banderas e o desfecho da personagem Helena adoça o final de forma decadente e irônica.



Segundo filme: Biutiful - Alejandro González Iñárritu

Sim, é um filme bem longo, mas não tiraria nenhum minuto do filme. Eduard Fernández, o dono da bundinha mais sexy do cinema, tem o olhos molengas perfeitos pra esse drama. Os detalhes do filme o torna ímpar: o casal homossexual asiático explorador, os negros traficantes, as mariposas no teto, a mãe bipolar que enoja e dá vontade de abraçar por ela simplesmente demonstrar quem é e não ter medo disso. Ele ser médium e seus laços com o pai que nunca conheceu. Sim, vale muito a pena ver o filme.



Dica pro paladar:
Frappuccino no Starbucks, delícia.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Never Let Me Go


No dia 23 de outurbro de 2010 eu pibliquei aqui um texto da Folha que falava sobre o drama Não Me Abandone Jamais, contendo sinopse e crítica, texto esse que me fez ter muita vontade de assisti-lo. Só agora fui ver o filme, e posso resumir em uma palavra: paralisante.

É uma película sem respostas, que te deixa meio que sem reação por gerar tantas perguntas. Um drama dos bons, onde a natureza humana e o amor são explorados de forma sutil e profunda ao mesmo tempo.

É uma distopia sobre o silêncio, a aceitação, a natureza, a impiedade, os limites, a pequeneza do homem, a fragilidade e a alienação. Imperdível e está mais que recomendado! A fotografia melancólica é um deleite a parte.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Andrade e A Torre (AEAT)

Já faz um bom tempo que eu conheci Andrade E A Torre, mas meu lado relapso falou mais alto e só hoje venho aqui falar do cara.

AEAT na verdade é só um, Iuri Andrade, que adotou “a torre” para publicar suas músicas em 2009. é um trabalho despretensioso e gostoso de curtir, não sei ao certos quais são as referências, mas minha mente traça semelhanças com as canções mais líricas de Los Hermanos, com notas de Ira e Engenheiros de Hawaii. Mas há alguma coisa a mais nisso tudo, talvez Moska e mais algum ingrediente que o diferencia de todos os demais citados.

AEAT hoje é uma banda de verdade, onde cada integrante traz mais influências para enriquecer o som que fazem e embalar as letras de Iuri.

Apesar de ser um som despretensioso, não é nada caseiro ou tosco. As letras têm qualidade e a musicalidade flui de forma muito gostosa. É um projeto que deu certo e merece ouvidos atenciosos.

Para conhecê-los melhor:
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