Uma das minhas mais recentes descobertas e foi completamente por acaso, li o nome e achei interessante. Minutos depois, lá estavam eles na TV Câmara fazendo um show mais que empolgante. Formado por Diego Casas, Ângelo Ursini, Gabriel Setubal, Daniel Altman e a cantora Flora Poppovic, o grupo Pitanga em Pé de Amora existe desde 2008 e apresenta em seu show músicas de sua autoria, compostas em parcerias entre os integrantes da banda.
Sambas, choros, frevos, canções e até jazz fazem parte desse repertório interpretado com leveza e humor, levando ao público crônicas geniais em suas letras. Musicalmente, lembram-me os sensacionais Graveola E O Lixo Polifônico, mas com menos melancolia e mais brasilidade, lembra também Casuarina, mas com mais toques de Pixinguinha e Cartola. São modernos ao resgatar os ritmos antigos esquecidos há tanto tempo. Vale a pena e é necessário conhecê-los, o CD está disponível gratuitamente no site deles. Corre lá e bora começar a cantar!
Já falei uma vez ou outra de Thiago Pethit aqui no blog. E uma das minhas favoritas do seu álbum de estréia Berlim, Texas (2010) é a canção Nightwalker. Uma das mais up do CD, que agora ganhou clipe e ficou ainda mais delicinha de ouvir tendo Alice Braga para assistirmos, rs.
Day 21: Your favorite song. Escolher a minha música favorita talvez tenha sido a tarefa mais difícil desse meme. Eu gosto muito de muitas músicas, e a minha favorita MESMO é Andrea Doria, da Legião, que acho que já postei lá no começo da brincadeira. Poderia postar então Quase Sem Querer, que me diz infinitas coisas e talvez seja minha segunda favorita, mas para não monopolizar a brincadeira, nada de repetir Legião Urbana. Resolvi decidir dentre as do Los Hermanos qual era a preferida e não consegui. Fui então pensar nas músicas que ouço mais recentemente e ainda assim tive que pensar um bocado, mas sem dúvida, a minha preferida ultimamente é Vou Mandar Pastar, do Vinicius Calderoni. É como um mantra, uma oração pra vida, haha.
A letra merece atenção, é ótima de conteúdo, além da qualidade técnica.
Day 12: The last song you heard. Nãolembrava qual era a última música que eu tinha ouvido, mas nada como o LastFM para nos lembrar. Então, com vocês, Ludov. Gosto demais do som deles!
Não sei precisar há quanto tempo Renata Rosa passou a fazer parte da minha playlist, mas sei que de lá pra cá nunca mais consegui me esquecer dessa voz cristalina e imponente.
Nascida em São Paulo em 1973, além de cantora é atriz, pesquisadora, compositora e poetisa. Sua obra está intimamente ligada com a cultura da Zona da Mata Pernambucana, aglutinando de maneira muito ímpar e brilhante elementos do coco, dos xangôs, das cirandas, da música índigena e também ibérica. O resultado é música brasileira simples e da melhor qualidade.
Sua discografia é composta por dois CD's: Zunido da Mata (2002) e Manto dos Sonhos (2008), ambos regionalistas sem deixarem de ser multiculturais, tendo o som da rebeca como acompanhamento para a maioria das faixas, tocada pela própria Renata.
Desde 2003 já se apresentou quase 200 vezes pela Europa e Estados Unidos, conquistando prestígio e prêmios importantíssimos, como o Choc de l' Année 2004 (Le Monde de la Musique), prêmio máximo da crítica francesa.
Em Manto dos Sonhos encontramos a artista naturalmente mais madura, mas mantendo suas influências e reafirmando sua alma nordestina. Neste segundo trabalho encontramos canções mais melodiosas, com lirismo mais acentuado, como em Morena.
São CDs que revelam um Brasil muito particular e encantador, que todos deveriam conhecer e decifrar, pois são da nossa raiz, elementos formadores da nossa identidade cultural. É um batuque do bom, imperdível!
Estava eu muito bem na internet, cafucando umas coisinhas e li que a Tiê tinha participado ontem (28 de maio) no programa da Rede Globo Som Brasil na homenagem da Rita Lee. Elogios mil (tirando sobre o novo corte de cabelo dela). Fui eu conferir e quase caí da cadeira. Nossa, ficou lindo, do jeitinho da Tiê mesmo. Bem, taí procês se deliciarem
_pra mim o melhor_
_ficou bem boa também_
Apaixonei por tudo, tirando a roupa de peixe de festa dela :X
Tempos atrás comecei a escutar um albúm de uma cantora ,até então desconhecida para mim, chamada Bruna Caram. Ouvi uma, ouvi duas e na terceira percebi que aquilo me encantava de uma forma diferente. Quando tocou Um blues não consegui mais parar de ouvir (e olha que essa nem é a música "de trabalho"). Joguei no google, ví clipes (maravilhosos diga-se de passagem), li entrevistas, depoimentos sobre ela, li um pouco da sua vida tão diversificada, tão aberta pra cultura em geral e tão aberta pros seus admiradores. Encontrei seu blog, onde conta sua vida, sua carreira, suas grandezes e miudezas de uma forma tão simples, tão gente de verdade. Aí (abusada mais uma vez) dei a cara a tapa e tentei uma entrevista, e não é que deu certo mais uma vez. Bem, agradeço a Bruna que desde o comecinho foi um doce de pessoa comigo sem nem ao menos me conhecer e a sua produção a Ana Paula Aschenbach, que também foi super atenciosa e atendeu o pedido da entrevista de forma super profissional sem deixar de ser agradável. Espero que gostem e que seja prazeroso ler como foi pra mim fazer essa entrevista.
Entrevista
01- A música te acompanha desde o berço, com seus familiares, ocupa o ar da sua cidade natal (Avaré - SP), começou a carreira bem cedo e já com 19 anos lança seu primeiro Cd (Essa menina). Quase formada em Educação Musical pela UNESP. A voz e a biografia da Elis Regina mudou sua vida. Em qual ponto ou fato percebeu que a música era fundamental e inseparável da sua vida pessoal e profissional?
(Bruna Caram) - Acho que são duas coisas diferentes. Na minha vida pessoal, a música sempre foi fundamental. Em casa e na minha família, a maneira de a gente estar junto sempre foi cantando e tocando, todos os meus tios e primos estudaram piano e cantam bem, minha mãe foi professora de piano quando eu era menina, e meu avô paterno sempre fez memoráveis rodas de choro no quintal de casa, com os melhores músicos dessa área, e eu sempre os assisti, até o dia que resolvi me meter na roda e começar a cantar. Agora, quanto a ser cantora, é diferente. Resolver ser artista de fato é uma coisa séria, e uma responsabilidade. Basta pensar nos artistas que marcaram sua vida: eles mudaram seu jeito de pensar, de sentir, de ver as coisas, marcaram sua história, fizeram você sair de casa só para ouvi-los. Foi quando eu era adolescente, com uns 14 anos, que percebi, ao começar a estudar canto, que podia fazer algo para mu dar o que existisse ao redor. Minha professora na época, a Lucila Novaes, chorava na aula enquanto eu cantava. Foi quem me abriu os olhos, pensei: Aí tem coisa...
02 - Seu primeiro album foi lançado até no Japão. Apesar de ser seu primeiro trabalho teve uma boa repercussão. Qual foi sua reação ou espectativa com esse trabalho e qual foi o lugar mais inusitado ou inesperado que sua música alcançou?
(Bruna Caram) - Acho que o lugar mais inusitado foi o próprio Japão! (Risos) Que eu saiba, claro. Porque a música, ainda mais hoje, tem disso: voa e voa e vai pra cada lugar que a gente nem imagina... Isso é que é bonito. Não tive o privilégio de cantar no Japão, mas aqui no Brasil já vieram japoneses me assistir cantar por causa do sucesso lá. É inacreditável.
03 - Seu primeiro album tem como compositor principal Otávio Toledo, já o segundo tem uma grande mistura com nomes conhecidos (Lô Borges, Caetano Veloso,Guilherme Arantes) e nomes mais recentes ou não tão conhecidos (Pedro Altério,Dani Black).Você acredita que gravações de nomes mais conhecidos envolvem alguma tática comercial para maior aceitação do CD no mercado fonográfico? Qual sua pretensão pra um terceiro album?
(Bruna Caram) - No meu caso, de jeito nenhum. Nunca pensei em gravar o que ia vender mais fácil. Pensei, sim, em gravar o que as pessoas estão sentindo falta de ouvir. E eu acho que a novidade está mais em falta do que a repetição de sucessos que já foram. Por isso, das 25 músicas que já gravei, apenas 3 são de compositores conhecidos, e todas em versões bastante diferentes das originais. Como sou essencialmente intérprete, gosto de cantar os grandes nomes, mas gosto mais ainda de descobrir novos. Gosto dessa relação com o compositor, de vir em casa, de mostrar, que retocar, de deixar, de dar a música para você gravar. Isso é lindo. Agora, quanto ao terceiro álbum, não posso dizer nada, nem estou pensando nele ainda...
04 - O cenário musical independente tem crescido e sendo respeitado cada vez mais. Artistas enfrentam essa selva e merecem com louvor o lugar alcançado. Como você tem se mesclado com esse grupo e quais nomes pode nos indicar?
(Bruna Caram) - Tenho uma convivência muito grande com vários desses novos artistas que são apontados - inclusive dentre os compositores que gravei estão grandes amigos. Pedro Altério, Pedro Viáfora, Dani Black, Caê Rolfsen, Janaína Pereira (vocalista da banda de forró Bicho de Pé), os meninos do grupo Cinco a Seco, a Trupe Chá de Boldo, o Pitanga em Pé de Amora (do qual participei nos primeiros anos), esses paulistanos são meus irmãos e referências que posso indicar sem medo.
05- Bem, somos curiosos e queremos saber qual o significado dessa tattoo que você tem perto da nuca (e sim, temos 15 minutos pra escutar rs).
(Bruna Caram) - Hahahahahahaa!!!!! Já sabem de tudo!!! Vai lá: esta é uma margarida que desenhei simbolizando minha avó materna, Maria Margarida (que foi cantora de rádio na década de 50), e toda a minha família materna: a margarida tem oito pétalas - minha avó tem oito filhos -, de cada pétala sai uma nova pétala com pequenos pontinhos - que são os filhos que cada filho teve. Além disso, a margarida foi tatuada vista de cima, como que plantada no sangue, e o centro dela, o pólen, o círculo, simboliza meu avô, o centro seguro da família... Isso quer dizer que uns 25 primos, todos os meus tios, eu, meus irmãos, minha mãe e meus avós estão todos tatuados na minha nuca! (Risos) Estão até faltando uns pontinhos, pois mais primos nasceram.. Mas ao lado das pétalas da margarida tem um sinal de crescendo, indicando que essa família continua ascendendo...
06- Sabemos que você mistura todo tipo de arte na sua carreira(música,literatura, dança, teatro), qual tipo de ramificação artística você quer ou pretende se aprofundar mais por agora? E qual delas te auxilia mais namúsica?
(Bruna Caram) - Eu quero a variedade!!! O centro, evidentemente, é a música, e acho que sempre será. Continuo estudando canto, gostaria de voltar a estudar piano, tenho pego ultimamente o cavaquinho, quero lembrar o violão, o pandeiro... Mas tem também o teatro, que estudo, a dança (sapateado e balé clássico, a paixão da minha vida), a literatura... No meu show piano-e-voz, um trabalho paralelo e novo que venho fazendo, já tem textos declamados, trazendo o teatro e literatura para o palco juntos, o que é um antigo sonho meu. Pretendo declamar cada vez mais!
07 - Gostaria de fazer um dueto com qual ícone musical?
08 - Em qual projeto está envolvida nesses últimos tempos e quais lugares pretende cantar?
(Bruna Caram) - Estou de corpo e alma no meu Feriado Pessoal e neste novo show piano e voz, que vem trazendo a possibilidade de, de fato, podermos tocar em qualquer lugar, em qualquer formato. Um é intimista, outro é extravasado, um é para poucas pessoas, outro pode ser para milhares, um tem estrutura enorme com cenário e produção, outro é mais simples. Agora temos show pra dar e vender! Quero esse ano levar meu trabalho pessoalmente para o Nordeste, coisa que nunca consegui fazer, e viajar muito pelo Brasil.
09 - Até que ponto suas criações sonoras são profissionais e quando elas passam essa barreira e se tornam autobiográficas?
(Bruna Caram) - O profissional não descarta o pessoal. Cada música que cantei ou canto, no palco ou em casa, é autobiográfica! Ser artista é deixar a alma exposta ao público, não ter vergonha nenhuma. Quando gargalho ou choro no palco, o que acontece sempre, é tudo verdade, não é "profissional", nem é apenas treinado. O treino, assim como a direção cênica (assinada pela Cris Ferri), são coisas feitas para tornar o show mais espontâneo, não mais duro ou estático. Meu treino é para obter o maior número de ferramentas possível na hora H, para mostrar a verdade, ainda que a áurea seja de fantasia. O que vem para o meu repertório são coisas que vivi. O apuro é profissional, mas a essência é autobiográfica.
Agradecemos e muito a Bruna pela gentileza e disponibilidade em conceder a entrevista e pela simpatia. Mas acima de tudo, agradecemos por compartilhar com todo mundo o talento encantador!
Pelas minhas andanças pelo LastFM (sempre caçando sons novos) deparei-me com um perfil com uma descrição bem diferente. Lembro-me que tinha uma mistura de sangue de alien, minhocas e ironia. Uma grande mistureba de Olinda+SãoPaulo+infantil+ironia+vozlenta+palavrões= Lulina. Até agora não sei o motivo ao certo de ter ido atrás, de ter procurado, mas Cara, valeu a pena. Lulina tem uma coisa diferente, um jeito lentinho, um sotaque gostoso, uma cerveja gelada em cada esquina. Ouvi, ouvi algumas vezes. Procurei, pesquisei, vi vídeos, um rostinho com cara de São Paulo calmo. Eu muito abusada, dei cara à tapa e me aventurei a entrevistar essa moça via e-mail. E não é que deu certo! Vida corrida, tempo curto, mas taí ó. Leiam, ouçam Lulina, vejam o vídeo e entre no site dela e viajem pela Lulilândia. Mais que recomendo!
- Entrevista!
01 - As principais influências geográficas do seu som é Olinda (terra natal) e São Paulo (cidade que te abduziu). Hoje em dia qual das duas te impulsiona mais a criar?
(Lulina) - São Paulo, sem dúvida, porque é onde vivo e onde as coisas acontecem comigo, as coisas que me levam a refletir, contestar, me aperriar e a compor, hoje em dia.
02 - Suas canções são claramente autobiográgicas. Na sua infância jogando playmobil, as bolhas na pleura (doença real), sua avó, as gírias paulistanas entrando na sua vida. Em algum ponto compor como se fosse um diário da sua própria vida lhe causou algum problema, constrangimento ou fato curioso que possa nos contar?
(Lulina) - Até agora não causou nenhum constrangimento, mas me fez por muitos anos esconder esses disquinhos, justamente porque eu não queria me expor tanto (e não achava que pessoas além dos meus amigos se interessariam por isso). Foi muito aos poucos, quando me mudei para São Paulo, que comecei a perder a timidez, quando percebi que várias pessoas estavam interessadas em ouvir e me pediam para colocar na internet. Mesmo sendo muito autobiográfico, uma tática que uso para não me expor tanto na hora de compor é abusar de metáforas, ironias e de ficção científica. Minhas histórias reais estão misturadas com ficção, escondo em minhocas as minhas nóias com morte, tento tirar algum proveito das desgraças transformando-as em músicas às vezes até engraçadas, acho que esse é meu jeito de digerir o mundo.
03 - Luciana Lins, mais conhecida como Lulina, tem jeito de criaça, fala de sangue de et's, solta palavrões no meio da música, usa versos ácidos brincando, voz de sussurro, um pouco sonolenta,sotaque gostoso. Mas,é comparada com Fernanda Takai (vocalista do Pato Fu) por muitos na internet. Como lida com isso? E com quais outros ícones gostaria de ser lembrada pra inflar seu ego ou seu sorriso?
(Lulina) - A comparação com Fernanda Takai é normal, porque ela foi a única cantora com voz mais suave que estourou para a massa brasileira nos últimos anos. Todas as outras cantam com aquele mesmo estilo mais vozeirão. Já estou acostumada a essa comparação, tanto que no primeiro disco caseiro que eu gravei, em 2001, tiro um sarro disso: imito ela cantando, como se ela estivesse fazendo uma participação especial no meu disco. Mas a comparação com qualquer cantora vem muito mais das referências de cada um. Já fui comparada à Nara Leão (pelos que gostam de bossa e samba), já fui comparada à Frances McKee do Vaselines (pelos indies), à Rita Lee por causa da ironia, enfim, cada um compara com as referências que tem. Eu acho engraçado a mania do ser humano de classificar tudo ao redor, de catalogar o que existe, como se algo não pudesse existir sozinho. Acho que é um jeito que a turma encontra de se sentir confortável, em terreno seguro, associando tudo o que já existe para organizar melhor na cabeça. Eu não me incomodo com nenhuma comparação, para mim isso é elogio.
04 - Sua carreira começou com muitos EP'S (nove pra ser mais exata), feitos na sua casa, de forma bem artesanal. Sabemos que seu CD Cristalina tem esse nome exatamente por ser feito de forma mais "limpa" onde sua voz aparece melhor, sem os ruídos da forma caseira, do cachorro latindo e a vizinha tocando a campainha. Como tem sido a recepção do público? Ele tem crescido após o nascimento do CD? Ou simplesmente ter parido esse trabalho já lhe basta?
(Lulina) - A recepção foi muito melhor do que eu podia imaginar. Cristalina é um lançamento independente, por isso eu esperava muito pouco, já estava contente com a alegria de colocar um filho no mundo. Aí, vem um monte de crítica elogiando em várias revistas e jornais bacanas, gente que eu admiro elogiando, e isso me deixou feliz da vida. O público vem crescendo, o disco tem se espalhado pela internet, dois meses após o lançamento já tinhamos vendido 700 cópias e agora está esgotado, estamos prensando mais 1000. Cada vez mais surgem convites para shows em lugares legais, lotamos o Sesc Vila Mariana, enchemos o Sesc Pompéia, então eu acho que tem mais gente diferente querendo conhecer o som, o que é muito bom. Tô feliz demais com essa surpresa.
05 - Compositora compulsiva, alguns trabalhos com nomes improváveis, pessoas "comuns" até. Quais nomes gostaria de incluir nessa lista? (pode ser vivo ou morto, pode ser quem quiser, pode delirar)
(Lulina) - Eu não entendi direito essa pergunta, mas li a palavra “delirar”, então vou responder delirando. Vou responder com uma lista das pessoas e coisas que eu mais agradeço a Deus por existirem nesse mundo: Tom Zé, Lou Reed, minha família, He-man, Dostoievski, meus amigos, cervejinha, pão com manteiga, feriados, cama.
06 - Está soltando seu som fora do país, já. Quais seus planos futuros, mais concretos e bizarros, ousados e simples?
(Lulina) - Não faço planos com música. Vou me deixando levar. O que pintar de oportunidade (como foi nessa turnê recente pelos EUA, por exemplo), a gente agarra.
07 - Tudo te influencia nas suas letras, das coisinhas mais simples e delicadas (infância, bebidas, príncipes,criações de michocas, margarida) e as mais ácidas e toscas (et's, palavrões,pleura,fixação pelo 13). Então diga 13 coisas que te impulsionam mais a escrever, cantar ou continuar sendo a Lulina.
(Lulina) - Vou resumir as 13 em uma: a vida, desgraçada ou feliz. É o que se vive fora e dentro da cabeça que cria em mim essa necessidade de compor, seja para tentar entender as coisas, para celebrar, ou para não chorar.
08 - Sua música se espalhou de uma forma independente (apesar de ter seu primeiro disco de uma gravadora e talz). O cenário musical independente vem crescendo de forma monstruosa e surpreendente. Quais nomes você aprecia ou convive mais desse cenário? Quais ainda não gravou, mas pretende ou gostaria?
(Lulina) - Tem muita gente boa na música brasileira independente . Eu fico empolgada demais com a cena. Tem Cidadão Instigado (a banda que eu mais indiquei com orgulho para os gringos, quando estive em turnê nos EUA esse ano), Romulo Fróes (que além de grande compositor e cantor, é um dos caras mais dedicados a movimentar a cena, a fazer a coisa virar), Marcelo Jeneci (que está para lançar disco esse ano e que eu já tenho certeza que vai ser um dos melhores de 2010), Tulipa Ruiz (uma das vozes femininas com mais personalidade da cena atual, uma coisa linda), Karina Burh (disco fodão lançado recentemente), Bruno Morais (o menino poesia), Nina Becker (que tá para lançar disco duplo), Lucas Santtana, Isaar, Pullovers, Stela Campos , Tiê, Thiago Pethit, Wado, eu posso ficar a tarde toda listando e parece que isso não vai acabar nunca. É tanta gente boa que não existe mais essa coisa de 2 ou 3 ídolos/ícones na música. Tem espaço para todo mundo e todo mundo se ajuda. Dividimos músicos, dividimos palco e público, inventamos de compor juntos em mesas de bar. Muitos dessa lista eu convivo ou troco idéia de vez em quando, outros eu nem conheço pessoalmente, mas admiro muito. Torço para a coisa virar.
09 - Em que parte a Luciana (que trabalha com propaganda e mora em Sampa) interfere na vida, nas idéias e nos anseios da Lulina que vive na Lulilândia?
(Lulina) - Luciana interfere o tempo todo na vida de Lulina, principalmente quando tem passagem de som às 17h e ela não pode comparecer por causa do trabalho. Ao mesmo tempo que ela atrapalha, com sua rotina, a vida de Lulina, é também sua musa inspiradora, já que é dos aperreios e alegrias de Luciana que a Lulina tira seus temas para compor. Tô me sentindo um jogador de futebol falando assim, mas tá valendo.
10 - Por que a necessidade e/ou vontade de ser Lulina? De onde e como surgiu a cantora e compositora?
(Lulina) - Comecei a compor com uns 15 anos, mas só lá para os 22 eu arrisquei gravar disquinhos em casa e mostrar isso para os amigos. Tudo surgiu muito por acaso, por diversão. E acabei tomando gosto pela coisa e ela foi crescendo em importância na minha vida, a medida que os problemas ficaram maiores e minha necessidade de compor e sublimar sentimentos também. Já tive fases de só escrever, ou de só desenhar, sem compor. Respeito essas fases e vou fazendo o que curto no momento.
Dá pra conhecer o trabalho dela de cabo a rabo. Obrigada Lulina pela simpatia e pelo som. Fiquei muito feliz em poder trazer seu trabalho pro nosso Varal.