O Blog:

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terça-feira, 13 de março de 2012

Adeus à carne ou Go to Brazil



Admito que fiquei bastante apreensiva com Adeus À Carne após ler algumas críticas de expectadores que o apontaram como hermético, denso, uma grande masturbação artística pro ego pro Melamed. As imagens da divulgação da peça já dava como pista ser bem ousado, nada convencional e simplesmente um deleite pros olhos. 

Em todo o percurso até o Teatro Sesc Ginástico no Rio contorcia-me na expectativa. Com um preço totalmente acessível, bem localizado e divulgado nos grandes meios a casa estava lotada. Sentei bem próxima ao palco, podia ouvir a respiração deles, sentir tudo de forma mais acalorada. Passado os 80 minutos, levantei-me e fui embora meio desorientada, perplexa, foi perturbador. 

Incrivelmente, deliciosa e totalmente mordaz de uma forma totalmente humana, errante, pulsante. Creio agora, passado alguns dias após ter visto a peça, ter sido apontada como hermética por muitos pela sua falta de convencionalismo, poucas falas e algumas cenas realmente soltas em relação ao contexto da sua própria peça. Contudo quem se propor a assistir Adeus À Carne não pode esperar nada menos impactante que o próprio Carnaval pode nos transmitir. Os conceitos como abre-alas, ala das baianas, das crianças, a velha guarda, mestre sala e porta-bandeira são apresentados de forma totalmente espantosa e usam nossas mazelas como base. Aponta diretamente os meios de comunicação televisiva de forma escrachada, zombando na cara de todos, as relações humanas e seus defeitos. Ousado em suas cenas: jogos com cordas, velas, caixão, carrinho de bebê, buquê de rosas à cora de flores. A iluminação cega nossas vistas e a sonoplastia é papel fundamental em todo o desenrolar. Recomendo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O homem que amava caixas



Teatro OI Futuro Ipanema, sábados e domingos às 16h00 até 29 de maio, ingresso R$10,00
Adaptação para teatro infanto-juvenil do livro “The man Who loved boxes” , do escritor australiano Sthephen Michael King.
Dois atores, uma atriz. O pai, o filho, o cachorro e dois vendedores. Uma história curta, mas repleta de sentimentalismo, significados e mensagens que na realidade a maior parte do público infantil não vai compreender. As crianças vão gostar dos bonecos, do cachorrinho sapeca, das canções. Os adultos irão levar pra casa toda a sensação de abismo entre pai e filho.
O cenário é composto por caixas , grandes e pequenas, portas e escadas. Primeiro e segundo plano dentro de caixas. Creio que por a peça se basear em uma história curta, tentam “esticá-la” logo no começo, o que torna o início um pouco cansativo. Quando a história toma um ritmo natural tudo flui com leveza, com as pausas certas. A história termina assim, leve com o céu estrelado e braços trançados.

Recomendo!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sessão Dupla

Pleno domingo, pegar sessão dupla na Estação Botafogo *__*

Primeiro filme: Você vai conhecer o homem dos seus sonhos - Woody Allen

Algumas histórias que se cruzam, mesclam e muda no final. Tem seus pontos altos, mas não é um bom filme. E eu sempre vou dizer que esse filme NÃO É DO WOODY, NÃO É!
Ele começou a me "desagradar" logo quando fez Vicky Cristina Barcelona. Não é a mesma coisa. Sim, ele tem direito de novos rumos, novos estilos, mas sempre saímos do cinema com aquela sensação de que não tem os dedos do Allen na história. Alguns pontos são bem manjados, não tem nada de surpreendente. Quem assiste até se esforça por ser o Allen, contudo a história é monótona e nada muda isso. O que vale o ingresso de cinema é a presença do Antonio Banderas e o desfecho da personagem Helena adoça o final de forma decadente e irônica.



Segundo filme: Biutiful - Alejandro González Iñárritu

Sim, é um filme bem longo, mas não tiraria nenhum minuto do filme. Eduard Fernández, o dono da bundinha mais sexy do cinema, tem o olhos molengas perfeitos pra esse drama. Os detalhes do filme o torna ímpar: o casal homossexual asiático explorador, os negros traficantes, as mariposas no teto, a mãe bipolar que enoja e dá vontade de abraçar por ela simplesmente demonstrar quem é e não ter medo disso. Ele ser médium e seus laços com o pai que nunca conheceu. Sim, vale muito a pena ver o filme.



Dica pro paladar:
Frappuccino no Starbucks, delícia.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Letuce



Duas vozes, um casal. Sempre comparados á Rita Lee e Roberto Carvalho em toda a sua doçura excêntrica. Versão de Caso Sério em Francês, em Ballet da Centopéia cita verso de Cabecinha no Ombro (1958), um clássico sertanejo de autoria de Paulo Borges. Voz mansa, por vezes sonolenta como seus próprios olhos, Letícia Novas conduz as canções. Lucas Vasconcellos aparece de forma sutil no som, voz tímida, mas em Potência se faz mais presente. Clipes e capa caseiros, piscinas, girafas, dois, sempre dois, praia, areia, sol. Um ar meio bossa nova, jazz e algo bem caseiro, fim de tarde com cor de flamboyan. Amor, eles cantam sobre o amor, deles, dos outros, do agora e do amanhã. Sim, vale a pena.



http://www.myspace.com/letuceletuce
http://twitter.com/letuceletuce
http://www.lastfm.com.br/music/Letuce

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Achados os perdidos – Parte II

No masculino da música brasileira, como já disse aqui no Varal, Vinicius Calderoni foi meu grande achado de 2010. Compositor e cantor moderno, de musicalidade contagiante, antenado em nas diferentes linguagens, enfim, um cara que realmente merece atenção e está na ponta do movimento musical contemporâneo.

Pois bem, hoje venho apresentar meu grande achado no lado feminino da música: Áurea Martins. A intérprete contrapõe quase que totalmente ao Calderoni: ela é clássica, daquelas tipicamente clássicas. Excelente e intensa, mas também obscura, melancólica e rasgante. Penso no tempo que perdi por não conhecê-la antes


Hoje com 70 anos e mais de 50 de carreira, ainda circula pelo circuito undergound de bares e clubes do Rio de Janeiro, sua cidade natal. Seu álbum Até Sangrar, de 2008, faz jus ao nome que tem. A cantora dá às composições de Lupcínio Rodrigues o peso certeiro que deve ter, e até uma composição sutil de Herbert Vianna e Paula Toller (Nada Por Mim) ganha peso e intensidade na sua voz marcante. É uma grande viagem ao tempo. Não chega a ser um álbum de fossa, mas certamente é algo para se ouvir sozinho em alguma noite qualquer. Embriagando-se de álcool ou de mágoa.

Esse álbum necessário você encontra AQUI.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Bang-bang nacional

Com o download, a pirataria, o DVD, o ato de ir ao Cinema entrou em declínio claro. O Cinema Nacional principalmente é renegado por muitos que da própria nação, dizem que não entendem, que é desnecessário, resumem a ponochanchada. Mas, de uns tempos pra cá tenho notado que ir ao cinema tá quase impraticável nos finais de semana, filas enormes e pra minha grande surpresa as salas lotadas estavam passando Tropa de Elite 2. Pais, filhos, amigos, namorados, todo mundo vibrando com o Capitão Nascimento, mandando a milícia tomar no cú no final do filme e o carinha que vende por 3 pratas o piratão tava vendendo que nem água, mas o cinema permanecia cheio.
É, criaram uma formula pro Cinema de Ação Nacional que tá dando MUITO certo. Hollywood nada, 007 tá irreal demais, o povo quer é ver tiroteio na favela, o pancadão tocando, o tráfico que ele convive, o bang-bang mais nacional possível. Falar da nossa própria ação tá dando certo. Carandiru, Cidade de Deus, Cidade dos Homens, Tropa de Elite 1 e 2 todos eles tem lotado as salas e refletindo a nossa imagem lá fora. E por incrível que pareça, gringo ainda gosta de favela. A lista tá crescendo, logo, logo entra em cartaz Federal e outros do gênero.

domingo, 8 de agosto de 2010

PeQuod

Ontem fui assistir a peça Marina do grupo PeQuod. É simplesmente esplendoroso! Esse grupo trabalha com bonecos e fundem a própria atuação e canto com os seres que animam. Marina é baseada na obra de Hans Christian Andersen com as músicas de Dorival Caymmi. São 4 aquários e um "lago" pra representar o fundo do mar. Os bonecos dessa vez são representados na água com todo o movimento e som das águas que torna tudo ainda mais fiel. Todos os integrantes tem papel fundamental, todos se movimentam, atuam, falam, cantam. Aliás, a menina que faz a Marina canta bem pra caraio! Bem, a peça está em cartaz no CCBB e ainda tem a versão de Marina pras crianças. E gente, é só R$10,00! Recomendo!

http://www.pequod.com.br/

No site dá pra ver alguns vídeos e conhecer mais sobre o grupo. O vídeo debaixo é um ensaio de um espetáculo antigo.

domingo, 21 de março de 2010

Futilidades


Tá, todo mundo gosta das mulheres frutas (estragadas), das celebridades instantâneas do BBB, a história do vestidinho da Geysi. Tá, tá, tá! Cansei dessa bosta enlatada, desse povo que adora uma revistinha Caras, de um guarda roupa de 50 mil reais. Eles são sorridentes, utilizam fotoshop até na sobrancelha e fazem lipo até no joelho. Eles passam, outros chegam, deveria nem me incomodar já que o fracasso deles já está marcado. Mas, o grande problema que esses seres ocupam um espaço tão importante nos meios de comunicação. Se você ainda não parou pra ver TV nos finais de semana, faça isso! Queime alguns neurônios, não será fatal. É um lixo que desce fácil, dá pra ficar horas na frente da telinha e sabores o grande sabor do nada. Bem, muitos dirão que ainda temos a Tv Cultura, temos opções, temos até os programinhas educativos que passam na Globo de manhã (de madrugada, sejamos sinceros). Só que pra maioria é mais atrativo ver uma bunda balançando do que uma ópera. E é mesmo. O cara tá cansado, trabalhou igual um corno, ele realmente vai querer relaxar. Pensar nem entra como opção. Isso se torna um ciclo vicioso. As bundas, os domingos, o futebol, a eleição induzida descaradamente Ibope. Eu também faço parte dessa boiada, final de semana lá estou eu comentando sobre como o silicone de alguma mulher fruta tá assustador ou sobre o caso do novo Édipo tupiniquim da mãe gostosona e filho com cara de mongol . É viva a democracia!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Silvia Machete


Louca, insana, bêbada a cantar.

Silvia Machete é a cantora que mais me dá vontade de cantar em voz alta. Vestido curto, pomba branca na cabeça, peruca loira, orelhas de coelho, número com 20 bambolês, bananas, batom vermelho. Performance inesquecível. Irreverente, chupão no dedão do pé, NY e RJ, composições próprias e alheias. Bomb of Love - música safada para corações românticos é o seu Cd. Vermelho como seu vestido com um ar de amor de bar. Música romântica em cenário e figurinos de cabaré de família.

Recomendo!


domingo, 20 de setembro de 2009

Vitrola



Luisa mandou um beijo

Um nome-frase para uma banda carioca de indiepop. Com versos leves e com termos e escolhas do cotidiano. Potes de geléia, Maracanã, guardanapo, luz são elementos para as suas próprias composições. Uma voz que lembra cacos de vidro no liquidificador, porém com um fresco de mar sem sal. Flávia Muniz é a vocalista, Fernando Paiva (guitarra), PP (guitarra), PC (baixo), Shockbrou (trompete) e Luciano Grossman (bateria). Não mostram o rosto com tanta facilidade e misturam Mutantes com MPB. Retrata a vida de pessoas da sua intimidade, cite nomes, mas deixa opções no ar com traços de Cinema Novo. Letras misturadas em harmonia cotidiana e voz levemente aguda. Recomendo!