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domingo, 6 de maio de 2012

MPB Até Quando?


A Música Popular Brasileira há muito já é indagada até que ponto é popular, agora, creio que é hora de indagarmos até que ponto é brasileira.

Na última década podemos notar um movimento de resgate da cultura nacional através de artistas que surgiam no cenário musical e outros tantos que já estão aí na estrada por mais tempo. Movimento especialmente concentrado no Rio de Janeiro e, mais recentemente, na região Norte.

São Paulo é um caso a parte, por ser uma metrópole sempre bebeu de muitas fontes externas, tornando difícil caracterizar seus frutos artísticos como autóctones. Como exemplo, temos Thiago Pethit, Tiê e Mallu Magalhães, que são artistas que cantam e compõem em outros idiomas e até veneram um estilo que não é característico do nosso cenário cultural. Já no Rio de Janeiro, onde a música brasileira sempre teve lugar cativo, algo vem mudando desde o último ano.

Na última década o samba voltou à tona, deixamos as influências do nosso rock oitentista para trás e nomes como o de Roberta Sá, Teresa Cristina, Casuarina, Diogo Nogueira e outros que mesmo não sendo sambistas, beberam da fonte e se influenciaram. Vale lembrar que até mesmo Adriana Calcanhotto, artista já consagrada há duas décadas, compôs e lançou um ótimo álbum de samba, O Micróbio do Samba. Ana Carolina vez ou outra grava um samba, compõe outro para alguém e daí por diante...

Contudo, não sei se numa tentativa de ser global ou por modismo, os últimos lançamentos dos artistas de música brasileira nos trazem gravações em outros idiomas. Isso não seria problema se estas se encaixassem nos seus respectivos álbuns, algo que, em minha opinião, não acontece.

Creio que o caso mais evidente desse estrangeirismo está no Mais Uma Página, aguardadíssimo CD de Maria Gadú. São três músicas em inglês/espanhol que destoam do restante do álbum, não encaixam ali e são as piores do álbum, fazendo um hiato no clima da coisa. Roberta Sá (Segunda Pele) e Mariana Aydar (Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo) também apresentaram gravações em língua estrangeira e o problema é o mesmo supracitado. Não é por bairrismo, mas realmente me soa artificial essa nova onda. Que não dure, amém.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Frango com ameixas

Frango com ameixas retoma Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud as telas de cinema (os mesmos idealizadores de Persépolis). Adaptação da HQ da própria Satrapi, vêm ganhando movimento no cinema. A história acontece em Teerã, no Irã, onde um renomado violonista decide morrer após sua esposa quebrar seu instrumento. Nos oito dias que antecedem sua morte diversos acontecimentos que esclarecem o rumo da história são mostrados.



Grandes cenas são marcadas pela fumaça dos cigarros em várias gerações. O nascimento, a morte, as decisões que marcam todas as ramificações das histórias são contadas de forma incrivelmente lúdica e tristonha. No desenrolar dos fatos tudo muda, os personagens e sua ideia quanto a eles próprios. Triste e totalmente arrebatador. Recomendo.









quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cine 2011

Três filmes que marcaram 2011 cinematograficamente:

Tudo pelo poder



Com direção, roteiro e atuação de George Clooney, Tudo pelo poder já entraria pra história do cinema somente por esse fato. Mas, o drama vai além das expectativas, poderia até cair na mesmice pelo tema ou até mesmo hipocrisia, contudo prende o espectador do início ao fim. Excelente roteiro, com boas atuações, com a duração correta, ápice e desfecho com maestria. As suaves comparações com os governos americanos dá todo um ar humano e errante a narração. Ryan Gosling merece destaque. E ponto positivo para a capa principal do filme que ficou fantástica.

Amores Imaginários



Direção, roteiro e atuaçãode Xavier Dolan (o mesmo de Eu matei a minha mãe). Nesse filme Dolan acerta na direção, nas cores, nos enquadros de cena, na trilha sonora, no figurino, mas o roteiro em si é extramente pobre. A trama só prossegue pela direação, o enredo é parco, aguado, decepcionante até. A beleza de Niels Schneider dá todo um toque romântico as cenas, o alaranjado na camisa, o cabelo dourado. Enfim, poderia ter sido um ótimo filme, mas deixou a desejar.

A pele que habito



Grandes expectativas dos fãs de Almodóvar, talvez repreensivos por ser um filme que tem uma atmosfera de mistério, suspense. Um grande e inovador filme. Surpreendente como somente Almodóvar sabe ser. Roteiro inusitado, atuações primorosas, desfechos que beiram a loucura, a adoração e a paixão. Encantador de uma forma totalmente humana, pecadora e errante. No desenrolar da história se criam mentalmente várias respostas e todas elas se mostram falhas próxima ao fim. É um filme pra se digerir durante uns dias.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O triste declínio da “Nova MPB”


A MPB sempre viveu de safras e hiatos, alguns grandes, outros nem tanto. Lá no começo da década de 90 e durante toda sua duração, a grande mídia passou a cria uma tal de “nova MPB”, incluindo grandes nomes femininos que surgia na música nacional. Marisa Monte, Adriana Calconhotto, Ana Carolina e tentaram até mesmo incluir Cássia Eller nesse jogo aí, mas eu não vou jogar a maior rockeira do país nesse meio aí. 

Além, ainda tivemos as cantoras de um só sucesso, que apesar de promissoras, logo caíram no esquecimento. Deborah Blando, Patrícia Marx e mais algumas outras que incluídas em trilhas de novela experimentaram um sucesso vindo tão rápido quanto o posterior ostracismo.

Já nos anos 2000, posso lembrar de Vanessa da Mata e seu surgimento para as massas. Ótima compositora, sempre foi uma cantora superestimada, fato que se comprova por doloridas desafinações em apresentações ao vivo. Teve também o surgimento de Maria Rita, meu amor platônico, que apareceu somente como filha da Elis Regina e nada mais.

Particularidades à parte, todas criaram clássicos instantâneos, foram ovacionadas pelo público e ganharam uma espécie de altar por parte da grande mídia. Merecidamente? Talvez. Adriana Calcanhotto, dentre as citadas, talvez seja a que menos aparece na TV e a que guiou sua carreira de maneira mais brilhante. Calcanhotto não teve medo e não quis viver à sombra de “Vambora”, reinventou-se em Partimpim, voltou aos seus ritmos habituais com maestria e mais uma vez se reinventou com seu ótimo O Micróbio do Samba.

Ana Carolina, a quem já dediquei um texto específico aqui no blog, está apagada desde sua parceria com Seu Jorge. Dois Quartos, seu álbum solo após parceria com Seu Jorge, viveu mais pelas suas polêmicas que pelo que apresentava musicalmente. N9ve é chatinho, cansativo e burocrático, não lembra em nada a velha Ana Carolina cheia de vigor.

Vanessa da Mata ainda anda cheia de suas altos e baixos, ora com excelentes canções, ora com alguma bobeirinha radiofônica que nos empurram goela abaixo meses seguidos. Vanessa talvez seja a rainha do remix, invade as pistas de dança mesmo falando ai ai ai ai ai ai ai trocentas vezes seguidas. Eu gosto dela, queria ter escrito algumas de suas canções e a acho com uma energia ímpar, mas ainda é uma cantora de álbuns irregulares, sem um padrão de qualidade.

Maria Rita, após dois álbuns plurais quanto a ritmos e estilos, se encontrou no samba e finalmente parece ter exorcizado de vez a sombra de Elis a sempre a perseguiu. Maria Rita é uma grande cantora, versátil musicalmente, mas pouco ousada enquanto artista. Tecnicamente é irrepreensível, o carisma admirável, mas leva a carreira com pouca dinâmica, passa anos sem lançar nada.

Por último chegamos a Marisa Monte, uma espécie de bibelô dessa tal “Nova MPB”. Eu gosto de Marisa Monte e claro que muitas de suas músicas fazem parte da vida, de fases e relacionamentos. Acho que quem nunca cantou “Não Vá Embora” com sorriso aberto não sabe o que uma paixão, e quem nunca se contorceu com os versos de “Bem Que Se Quis” é porque não prestou atenção na lascividade da letra.

Cheia dos projetos profissionais e pessoas, vezenquando Marisa some, mas sempre que ressurge fazem festa e batem palma. Em seu último “ressurgimento” Marisa chegou cantando uma música de matar qualquer diabético por tanto açúcar e qualquer letrista pela falta de rima e métrica na música. “Não É Proibido tocou exaustivamente. Chego a cogitar alguma parceria dela com os laboratórios produtores de insulina...

Jujuba, bananada, pipoca,
Cocada, queijadinha, sorvete,
Chiclete, sundae de chocolate,

Uh!
Paçoca, mariola, quindim,
Frumelo, doce de abóbora com coco,
Bala juquinha, algodão doce e manjar.

Uh!

Depois de outro sumiço, agora volta Marisa Monte com Ainda Bem. Comecei já estranhando o título, por ser o mesmo de uma canção da Vanessa da Mata, mas tudo bem, vamos lá ouvir o que essa grande voz tem pra nos mostrar e gente! Que coisinha chata. A música é pobre, ganhou um clipe pobre e não empolga nem se ouvir depois de tomar umas tequilas. Não é ruim, mas é pobre. Uma coisinha morna que vai ter gente falando que é singela, esquecendo-se da linha sutil entre o simples e o simplista. Mais uma parceria de Marisa com Arnaldo Antunes, tem umas rimazinhas e um “na na na na na” típico de Jota Quest.





Alguém duvida que vamos ouvir muito essa música? Vai tocar, claro que vai, e o nome disso é inve$timento. Aparece só quem tem, e as fórmulas são as mesmas sempre. Anderson Silva, celebridade onipresente do momento, participa do clipe para deixar deixar claro o apelo da visibilidade. Som Livre, Sony-BMG e Universal dominam os meios de comunicação em massa.

Enquanto a TV insiste a mostrar as santas do altar, tem uma galera profana fazendo bonito longe dos holofotes. Gente de talento que não precisa viver de memória e mantém viva e rica a música do Brasil. Salve a música impopular brasileira!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

As loucuras de Natalia Klein

Desde o fim d'Os Normais que uma série de comédia nacional não me chamava a atenção realmente. Fernanda Young e Fernando Machado (roteiristas de Os Normais) tentaram algumas outras coisas, como O Sistema, Os Aspones, mas nada realmente bom e cômico como o casal Rui e Vani. Até mesmo o segundo filme inspirado na série, foi um tanto decepcionante.

Em 2011, destaco um acerto na área da comédia, que é a série Tapas & Beijos, estrelada por Fernanda Torres e Andrea Beltrão. Demorei a assisti-la com assiduidade, mas tenho gostado do que vem ao ar, mesmo com uma ou outra cena de drama no meio, coisa que eu acho pavorosa. Comédia é pra ser comédia, roteiros com dramazinho me tiram o tesão completamente, você tá lá rindo querendo se divertir e entra uma cena melancólica no meio da parada!? Acho absurdo, eu me preparo psicológicamente pra ver comédia, não tem como engolir drama junto. Talvez por esse motivo eu não gostasse de Divã, mesmo com a ótima Lília Cabral no papel protagonista. Macho Man também não me instigou a assistir, Jorge Fernando me cansa um pouco, é muita extroversão pra pouca coisa.

Passado os tropeços, agora creio que a Globo realmente acertou o passo, mas não no seu canal aberto, e sim no Multishow. A série Adorável Psicose é dinâmica e criativa, não há como não rir das loucuras da protagonista, Natalia Klein. 

Natalia é uma jovem que acha dilemas nos mínimos aspectos da sua vida. Qualquer que seja a situação do dia, sua reação não é normal. Por isso, ela decide procurar tratamento com uma psicanalista, a Dra. Frida. As consultas servem para que a personagem revele seus problemas pessoais e sociais. Dra. Frida merece um destaque, é engraçadíssima e já teve uma crise de riso em seu consultório que me causou a mesma reação assistindo. 

A proposta da série é parecida com As Confissões de Penélope, estrelada por Eva Wilma em 1969. Nessa atual versão, Natália é solteira, tendo ao seu lado dois melhores amigos que tentam ajudá-la. No elenco também estão Juliana Guimarães, Carol Portes e Raoni Seixas.

Atualmente, a série está na segunda temporada, estreada dia 12 de maio. Depois de ser redatora do Zorra Total e do Junto & Misturado, Natalia consegue mostrar seu talento de uma forma muito mais visível. As frases dela rapidamente viram bordões e fazem parte do vocabulário do nosso cotidiano. A série está disponível pelo YouTube pelo Zingo Schneider (só assistindo para conhecê-lo, haha) e recomendo muito que assistam! A fotografia de inspiração retrô lembra um pouco Aline, da Rede Globo, é um destaque à parte.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Visceral

Quem ainda morre de amor, no sentido real da expressão? Sim, ainda morrem de amor. Alguns dias atrás, num sábado de alegria e cerveja, recebi pelo celular a notícia que Amy tinha morrido. Alguém que sabia que eu gostava realmente dela resolveu me avisar, ainda nem me liguei em quem fez isso, mas foi assim que fiquei sabendo. E naquele momento o sábado mudou, mudou o clima, em minha cabeça eu só conseguia ouvir Cássia Eller berrando “eu não posso causar maaaal nenhum a não ser a mim mesmo, a não ser a mim”.


Ouvi Back to Black infinitas vezes por canais de TV e bares, cantarolei Love Is A Losing Game baixinho sem nem mesmo perceber, enquanto levantavam hipóteses, faziam piadinhas e se lamentavam pela morte supostamente precoce de Amy Winehouse. Ela foi ao tempo dela, sem precocidade. Morreu ainda estando viva, imprevisível, verdadeira, crua.

Amy está na história da música sem fazer muito esforço, pois tinha talento. Deixa algumas músicas, uma história trágica e bonita, daquelas que hão de virar filme em Hollywood. Vítima do amor romântico, retrô, e nem na morte ela trai a si mesma. Vou guardar em mim essa saudade que não se explica e é até mesmo um tanto quanto ridícula, mas existe. Em meio a esse burburinho da morte, me perguntaram como eu podia gostar de alguém “que só fazia coisa errada”... Eu admiro quem me parece ser real, gente crua, de verdade.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Negligenciados: Maria Gladys

Há um tempo atrás comecei aqui no blog uma série que tem por objetivo resgatar nomes de cantores, compositores e artistas em geral que são negligenciados pela grande mídia ou até mesmo pelo púnlico. Nem sei mais quantos posts fiz com esse tema, mas hoje darei continuidade. Antes de mais nada, devo me desculpar pelo abandono ao blog, mas é que as ocupações aumentam, o tempo on line diminui e também não há muitas novidades e lançamentos relevantes nos últimos tempos. Voltando ao post de hoje, vou falar de Maria Gladys, que de nome assim ninguém deve saber de quem se trata, mas basta uma foto para que todos a reconheçam.

Sempre vi Maria Gladys na TV fazendo empregadas sem relevância alguma, e fui me atentar para a história dela numa madrugada qualquer, vagando por canais sem audiência, me apaixonei por aquela loucura setentista que ela exalava, e há muito tempo penso em escrever a respeito, mas nunca consegui. O texto original foi publicado no Jornal da Cidade, em 16 de novembro de 2008. Bora lá conhecer essa mulher que tem história pra virar filme, livro e sem sensacionalismo nenhum. São cruezas admiráveis, como revela seu rosto já riscado pelo tempo.


Um apartamento de fundos na Avenida Atlântica. Maria Gladys abre a porta. O cheirinho de insenso transborda da sala decorada com móveis caquéticos, livros e algumas fotos que chamam os olhos. Num retrato caseiro, que se enxerga logo, Glauber Rocha fuma um baseado no canto da boca, com ar debochado. Bem Glauber. Gladys não faz cerimônia. Manda ir entrando e se acomodando. O show começa. Ela fala andando de um lado para o outro, sem economizar nos gestos, nas frases inspiradas, no raciocínio rápido, nas histórias inacreditáveis. Cigarrinho numa mão, copinho de cerveja na outra.

Há dois anos, a atriz protagonizou a cena mais surreal da sua carreira de mulher que sempre viveu como se não houvesse amanhã. Ela estava no Cevada, um boteco de esquina em Copacabana. De repente, ouve gritos:

— Gladys! Oh, Gladys, corre aqui! Rápido!

Era o cineasta Neville de Almeida, estacionado na frente do bar. Ele lhe passa o celular. Do outro lado da linha está Lee Jaffe, amigo-irmão de Jean Michel Basquiat, fotógrafo, videomaker e integrante da trupe de Bob Marley e Peter Tosh nos anos 70, autor do compêndio do reggae “One love”. Os dois trocam meia dúzia de palavras. Uma semana depois, chega um email de Jaffe com fotos da família. Gladys percebe uma semelhança suspeitíssima entre Rachel, sua segunda filha, e o primogênito do artista. A suspeita gerou um exame de DNA. E o fim de uma dúvida cruel. Jaffe, um caso de amor dos tempos em que a atriz morou em Londres, é o pai da moça, que até então se pensava ser filha de um inglês que Gladys conheceu numa festa onde Mick Jagger trajava um tutu de bailarina azul-celeste.

— Nunca escondi da Rachel que ela era filha de Woodstock — diz Gladys.

— O Lee era da nossa corriola em Londres. Naquela tarde, ele me ligou depois de uns 30 anos. Parei o carro na porta do Cevada para falar com calma e vi a Gladys. Não acreditei na coincidência. Dias depois, ela me manda um email com fotos dos filhos do Lee. Respondi: “Acabou a dúvida, amiga. Manda uma foto da Rachel para ele” — conta Neville.

A biografia de Gladys é assim: uma sucessão de casos surpreendentes, que ela relata com o dom de artista que Deus lhe deu. E o talento dela está voltando à cena “cabeça”. Musa do cinema marginal nos anos 70, queridinha de diretores como Julio Bressane e Domingos de Oliveira, a mulher feia viveu nos últimos anos uma sucessão de empregadas domésticas em novelas. Algumas inesquecíveis, diga-se, como a espalhafatosa Lucimar, de “Vale tudo”. Agora, no entanto, a atriz que nunca se encaixou nos padrões convencionais virou um documentário e está na mira de dois diretores cultuados, o pernambucano Cláudio Assis e o promissor Bruno Safadi, que a escalaram para seus próximos longas. O documentário é da cineasta Paula Gaitán, ex-mulher de Glauber, que resolveu contar a história da atriz no filme “Vida — Sobre Maria Gladys”, exibido no Festival do Rio, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e já agendado para o circuito de festivais europeus. A louca trajetória de Gladys merece mesmo platéia.

— O cinema brasileiro deve muito a Maria Gladys — diz Cláudio Assis. — Hoje se sacrificam talentos em prol de rostinhos bonitos. Há muito estou de olho nessa danada.

Voltemos aos anos 70. Naqueles tempos ainda de swinging London, a atriz vivia por lá, em Notting Hill, cercada por sua turma: Bressane, Neville, Rogério Sganzerla, Glauber, Dedé e Caetano Veloso, Sandra e Gilberto Gil, Hélio Oiticica, Jorge Mautner, Gal Costa, Tim Maia. Alguns eram moradores fixos, outros flutuantes. Todos enxotados do Brasil pela ditadura. Nascida e criada no subúrbio do Rio, histriônica, como bem a define seu amigo Bressane, Gladys caiu de boca no mundo. Virou hippie, adotou o visual psicodélico, tornou-se partidária do sexo livre, embarcou na onda do LSD. Sua única obrigação era assistir a concertos de rock. Com Tim Maia, companheiro de sempre, como Nelson Motta conta na biografia que escreveu sobre o cantor, ela viu o histórico show de Ray Charles no Royal Albert Hall. Na época, o par mais constante de Gladys era Lee Jaffe. Com ele, ela passou uma temporada em Nova York, onde freqüentou a galera de Andy Warhol. Segundo a atriz, a relação encaixava-se no estilo vigente: “Eu, você e todos nós.” No meio desse frenesi, no final de 1972, Gladys ficou grávida. As amigas se juntaram para fazer as contas e apontar o pai. Na regra de probabilidades, ganhou John Coward, com quem Rachel vive desde os 15 anos. O tal exame de DNA virou uma novela, ainda sem final feliz. Mãe e filha, amigas do peito, agora querem reverter a confusão.

— A gente chegou a Londres em pleno desbunde. Estava todo mundo tomando ácido na praça. Aí desbundamos também. O Lee era meu e de muitas outras. Mas acho que era mais meu — brinca Gladys. — Naquela tal festa, eu queria ter comido o Mick de bailarina. Mas acabei com o John. A Rachel nasceu em agosto de 1973, no Brasil. Com 15 anos, quis conhecer o pai que a gente arrumou para ela e se mandou para a Inglaterra. Agora está uma loucura. Como é que a gente vai contar para o John?

A essa altura do papo, Gladys já bebeu umas duas cervejinhas, fumou vários cigarros e percorreu alguns quilômetros: da cadeira de balanço, no fundo da sala, até o espelho, perto da porta. Ela estreou na vida já em grande estilo, causando barulho no bairro do Cachambi, subúrbio do Rio. A mãe de Gladys, também Rachel, tinha estreitamento de bacia e perdeu dois filhos no parto. Grandes e fortes, as crianças morreram asfixiadas. Quando Rachel engravidou pela terceira vez, a fofoca tomou conta da Rua Garcia Redondo. A vizinhança não se conformava. Apavorada, a mulher enfaixou a barriga para que o bebê não crescesse. Assim facilitaria o parto. Deu certo. Em 23 de novembro de 1939, nasceu Maria Gladys Mello da Silva. Sã e salva. Ela deveria ter se chamado Maria Inúbia. Mas, segundo acredita, foi salva pelo pai, um radiotelegrafista que trabalhava numa firma inglesa e gostava de nomes estrangeiros. Pensando bem, Maria Gladys é mesmo melhor do que Maria Inúbia.

— No meu aniversário, a rua parava. Todo ano eu vestia uma cor diferente. No ano em que usei amarelo, acordei com paralisia infantil. Minha mãe botou em mim a praga do amarelo. Nunca mais — conta. — Eu tinha 3 anos. Todo dia a gente pegava o bonde, depois um ônibus, e descia na Praça da Bandeira para ir ao médico. Eu tomava uma injeção chamada Zinfeni, que doía pra caralho. Meu único problema hoje é abaixar.

Na adolescência, Gladys ficou malfalada. Quando ela passava, a mulherada da rua cacarejava e jogava milho. Tudo porque a menina gostava de dançar nos bailões de Elizeth Cardoso. Tinha 12 anos. Aos 15, engravidou. Envergonhada, a família se mudou para o Grajaú, onde nasceu Glayson, mistura de Gladys e Edson, o pai, que logo sumiu no mundo. A mudança alterou o rumo da vida de Gladys. Na nova vizinhança, ela conheceu um menino chamado Roberto Carlos, e começou a namorá-lo. Ele tinha uma turma — Carlos Imperial, Tim Maia e Erasmo Carlos. Imperial organizava apresentações do bando no “Clube do rock”, na TV. Gladys virou umas das bailarinas oficiais do programa. Na biografia de Tim Maia, Nelson Motta descreve bem o clima: “O palco pegava fogo quando Carlos Imperial chamava os dançarinos Maria Gladys, Cidinho Cambalhota, Nilza, Bolão e Clito.” A farra durou até o final dos anos 50, quando ela se mudou com a família para Copacabana, porque queria fazer teatro.


— Passei a viver entre o Cervantes, o Beco da Fome e a praia. O Roberto já estava tocando na Boate Plaza. Só que já estava metido a besta. E eu estava entrando em outra — conta.
Em 1959, Gladys estreou no Teatro Municipal, com a peça “O mambembe”, de Arthur Azevedo. Em ótima companhia: Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Ítalo Rossi e Sérgio Britto. Foi um sonho entrar para a companhia Teatro dos Sete. Depois de dois trabalhos com o grupo, Gladys decidiu que seria uma atriz de verdade e enfiou a cara nos estudos. Nessa mesma época, conheceu Domingos de Oliveira.

— Ele foi o primeiro homem moderno que encontrei na vida — diz Gladys.
O diretor a introduziu de vez no mundinho do teatro intelectual. E ela passou a integrar a companhia Teatro Jovem, de Kleber Santos. Em “O chão dos penitentes”, apareceu com os seios nus no cartaz de divulgação da peça, entrando para a História como a primeira atriz séria a mostrar o corpo. Era a queridinha do grupo.

— A Gladys fez o papel principal de “Sétimo céu”, a primeira peça que montei, em 1962 — lembra Domingos. — Nunca namorei a Gladys. Como não tínhamos máscaras, logo vimos que éramos amigos. Mas ela era muito atraente, uma gata que atemorizava os homens por excesso de sinceridade. Gladys nasceu sem persona. É ela. Não se engana.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Preconceitozinho

Já que é um assunto muito ~em voga~, vamos falar de preconceito e fobias aqui no Varal Fult. O vídeo é realmente ótimo, um convite bem humorado a reflexão.

Por trás de discursos de diversos setores da sociedade, esconde-se um terrível preconceito. Muitas vezes, ele não é percebido nem por seus interlocutores. As verdadeiras aversões do povo brasileiro são aqui tratadas através de inversões. As contraversões dos discursos tornam-se mais claras quando mudam seus alvos. Fazendo do comum, bizarro, pretende-se mostrar uma outra versão do natural, que é, também, uma alteração.

Curta produzido em 2007.2 para a ECO - UFRJ


terça-feira, 10 de maio de 2011

Cinema nacional

Para quem gosta de cinema nacional assim como eu e é sempre ávido por curiosidades, pesquisas e informações extras sobre os filmes do país, não pode deixar de visitar e se perder lá pelo site da Revista Cinética. A galera fez um levantamento de todos os longas lançados nos últimos 10 anos, com ficha técnica e tudo mais que se tem direito. A pesquisa está disponível on line, e ainda por cima tem como baixar em PDF uma versão digital excelente e realmente imperdível. A pesquisa faz parte de um projeto que resultou mostra 10 Questões, organizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil, recentemente apresentada em São Paulo e no Rio de Janeiro e que refletiu sobre a nossa produção cinematográfica, ajudando a apurar a visão crítica do que é realmente nosso. Vale muito a pena!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Programa Compacto

Ha um tempo atrás eu soube, através do Twiter, sobre o encontro da grande cantora Thalma de Freitas com o cantor e compositor Matheus Aleluia, que ainda conheço pouco, mas tenho admiração profunda por ser compositor de uma das minhas músicas preferidas, Cordeiro de Nanã.


Na época da descoberta eu fiquei tão empolgado com a nova gravação que nem dei atenção e acabei esquecendo que o encontro desses dois raros na música brasileira se deu no Programa Compacto, até que essa semana meio sem querer eu lembrei do programa e fiz descobertas felicíssimas.

O programa é um videocast produzido/patrocinado pela Petrobrás e tem como objetivo resgatar as raízes do Brasil através da música, unindo artistas de diferentes regiões para um bate-papo descontraído e para fazer um som juntos, claro. Cada programa tem dois blocos de 10 minutos cada, realziado num cenário moderno e aconchegante.

Além da parceria da Thalma com M. Aleluia, muito me chamou atenção o encontro de Teresa Cristina (uma das minhas sambistas preferidas) com a regional Karina Buhr. À primeira vista me pareceu algo tão estranho juntar essas duas, e uns 3 minutos depois, antes mesmo de abirem a boca pra cantar eu já me perguntava: "puta que pariu, por que não juntaram essas duas antes!?" É uma parceria magnífica, que até rendeu uma música inédita, chamada Vagalume. É sublime!



Lá no site do programa há link para baixar essa e outras canções em MP3, num ícone logo abaixo do vídeo. A equipe pro programa também mantém um canal no YouTube, comunidade no Orkut e perfil no Twitter. Tem música para todos os gostos. É pra espalhar, ouvir, admirar e aplaudir!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Preconceito no Cinema



Tá bem, admito que quando fui ao cinema assistir Bruna Surfistinha tinha lá meus receios, achei que seria só sacanagem e blá, blá, blá. Mas, as poucas opções em exibição me forçaram a assistir. Agora dou o braço a torcer, o filme é bom sim. Recomendo a todas as pessoas e quando o cartaz dizia: "Leve seu namorado, seus amigos, mas vá sem preconceitos" tinha toda a razão.
Obviamente o filme todo terá cenas de sexo aos montes, ela é uma prostituta, uma missa que não cairia bem no contexto. E apesar de ver os peitos da Debora Secco o filme todo não o achei apelativo. A palavra que se encaixa melhor seria "agressivo". O primeiro programa ou quando ela faz fila pra fazer programas por vinte reais (Momento Vanessão) são afiadas, incomoda. Em outros pontos passa a ser normal, comum como ela mesmo via, como ela mesmo dizia não diferenciar seus clientes não diferenciava o sexo.
A fotografia é boa, me surpreendeu bastante, bem urbana, cigarro na janela, um ponto verde no cinza de um prostíbulo. Ponto alto pra trilha sonora também, teve seu encaixe. Alguns efeitos que me surpreenderam e que não costumo ver em filmes nacionais. Um roteiro que tem fôlego, boas atuações, no mais o filme em si é muito bom. Logo quando fui ler as críticas diversas pessoas indo contra o filme, dizendo ser apelativo, fraco, que passamos uma visão pejorativa pro público internacional com esse filme ou que as criancinhas do país teriam um péssimo exemplo. Bem, as adoráveis crianças tem acesso a internet o que faz elas saberam mais que a Bruna em si. Hipocrisia pura, se fosse uma cena de Almodóvar todos achariam arte, se fosse um clássico alemão todos comprariam o filme, mas por ser nacional as pessoas falam mal. Não levanto a bandeira de ninguém, admito nem ir muito com a cara da Bruna Surfistinha. Lembro que quando saiu o livro nem dei muita importância e tal, mas o filme eu recomendo e mais recomendo que as pessoas trepem mais.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sessão Dupla

Pleno domingo, pegar sessão dupla na Estação Botafogo *__*

Primeiro filme: Você vai conhecer o homem dos seus sonhos - Woody Allen

Algumas histórias que se cruzam, mesclam e muda no final. Tem seus pontos altos, mas não é um bom filme. E eu sempre vou dizer que esse filme NÃO É DO WOODY, NÃO É!
Ele começou a me "desagradar" logo quando fez Vicky Cristina Barcelona. Não é a mesma coisa. Sim, ele tem direito de novos rumos, novos estilos, mas sempre saímos do cinema com aquela sensação de que não tem os dedos do Allen na história. Alguns pontos são bem manjados, não tem nada de surpreendente. Quem assiste até se esforça por ser o Allen, contudo a história é monótona e nada muda isso. O que vale o ingresso de cinema é a presença do Antonio Banderas e o desfecho da personagem Helena adoça o final de forma decadente e irônica.



Segundo filme: Biutiful - Alejandro González Iñárritu

Sim, é um filme bem longo, mas não tiraria nenhum minuto do filme. Eduard Fernández, o dono da bundinha mais sexy do cinema, tem o olhos molengas perfeitos pra esse drama. Os detalhes do filme o torna ímpar: o casal homossexual asiático explorador, os negros traficantes, as mariposas no teto, a mãe bipolar que enoja e dá vontade de abraçar por ela simplesmente demonstrar quem é e não ter medo disso. Ele ser médium e seus laços com o pai que nunca conheceu. Sim, vale muito a pena ver o filme.



Dica pro paladar:
Frappuccino no Starbucks, delícia.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Never Let Me Go


No dia 23 de outurbro de 2010 eu pibliquei aqui um texto da Folha que falava sobre o drama Não Me Abandone Jamais, contendo sinopse e crítica, texto esse que me fez ter muita vontade de assisti-lo. Só agora fui ver o filme, e posso resumir em uma palavra: paralisante.

É uma película sem respostas, que te deixa meio que sem reação por gerar tantas perguntas. Um drama dos bons, onde a natureza humana e o amor são explorados de forma sutil e profunda ao mesmo tempo.

É uma distopia sobre o silêncio, a aceitação, a natureza, a impiedade, os limites, a pequeneza do homem, a fragilidade e a alienação. Imperdível e está mais que recomendado! A fotografia melancólica é um deleite a parte.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A crise de criatividade da TV brasileira


Eu posso afirmar sem grande culpa que fui uma criança viciada em ver TV. Era um outro tempo, onde a Internet ainda não era popular e o videogame era o grande vilão, tinha tempo controlado para o brinquedo. O refúgio então para as horas à toa era a TV.

Ouvia muita gente vangloriando programas do passado em detrimento das produções televisivas dos anos de 1990 e 2000, mas ali eu encontrava entretenimento que, ainda que sem qualidade, pelo menos era entretenimento. Hoje em dia, nem isso.

Como se não bastassem os problemas com a qualidade da programação, hoje o problema é mais grave e, temo, irreversível. Além da minha paixão pela música e o advento da Internet, talvez isso explique a irrelevância da televisão para mim e outras tantas pessoas.

Nos últimos anos acompanhamos empresas estrangeiras vendendo cada dia mais quadros para as TV’s do Brasil. Não se contentaram em vender coisa pouca assim, logo os magnatas da comunicação do Brasil compraram programas inteiros. Tivemos nosso mundo invadido por aquilo que nunca foi nosso: Big Brother Brasil, Fama, Ídolos, Super Nanny, Esquadrão da Moda, Dança dos Famosos, Qual É O Seu Talento, O Aprendiz, A Liga, CQC, O Formigueiro, Dr. Hollywood, Todos Contra Um, Topa ou Não Topa, Hipertensão e mais uma infinidade de coisas estrangeiras diretamente para nossas casas.

Essas, ao menos, são produções nacionais, mesmo que“importadas”. Há ainda as séries internacionais, que simplesmente são jogadas na nossa tela para preencher a grade de programação dos canais de TV. O SBT é o campeão nesse quesito: não produz praticamente nada, tudo ali é enlatado, indiferente à qualidade.

A Globo, sempre um referencial de excelência no que diz respeito a novelas, atualmente está com dois remakes no ar: Araguaia e Tititi. Curiosamente, a única novela inédita em produção na emissora, Passione, é a mais capenga. Outras produções como SOS Emergência, Força Tarefa e Cinquentinha não trazem nada de novo; são simplesmente adaptações daquilo que o mundo inteiro já viu e se cansou de ver.

Até mesmo aquilo que é nosso, se repete. A cada dois anos vemos Manoel Carlos produzir a mesma historinha insossa que se passa numa ilha de fantasia chamada Leblon. Todo mundo acha lindo ver Helena sofrendo, Zé Mayer comendo e um porteiro feliz. Este, o papel mais cobiçado pelos figurantes do PROJAC.

Nos programas de auditório vespertinos não é difícil ver reformas de casas, gente pobre chorando e crianças falsamente talentosas. Em todos eles, em todas as emissoras. Luciano Huck, Gugu e Celso Portiolli são iguais, a diferença é a empresa onde trabalha. Cada um, de um jeito ou de outro, insistindo no assistencialismo barato. Será que doação de casa popular dá tão audiência assim? Conseqüências do lulismo na sociedade...

Ao que me parece, diretores e roteiristas estão preguiçosos e não aparentam reação. Infelizmente. Temos uma crise de criatividade que, conseqüentemente, agrava a velha crise de qualidade. O público dá sinais que as coisas não andam boas, os magnatas dizem que a culpa é da Internet. Sentar no próprio rabo é uma beleza... enquanto isso, reinam o copismo e o marasmo. Ah, o BBB 11 vem aí!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Censura!

Eleições, nesse domingo, dia 31 de outubro, aproveite e mate uma bruxa!


sábado, 16 de outubro de 2010

A voz de mentira


Encantei-me por essa moça há alguns anos atrás, logo na estréia de um site para o qual ela gravou um vídeo cantando sua composição Não Foi em Vão a capella. Ontem à tarde, meio que do nada, eu fiquei sabendo que à noite teria um show da atriz e cantora Thalma de Freitas no SESC de Barra Mansa, cidade vizinha a minha. Logo me animei e, convites arrumados, lá estava eu 30 minutos adiantado para ver o show. Esperava daquilo tudo um bom show, num tom intimista, voz pequena acompanhada por instrumentos em piano.

Sem grandes alardes a banda entrou no palco e tomou seus lugares. O público um pouco contido demais parecia nem perceber os músicos, em especial o grande Domenico Lancellotti, que conheci através do trabalho junto do Moreno Veloso e Kassin. Eles começam a tocar e, igualmente sem alarde, Thalma de Freitas entra no palco. Esguia, elegante, hábil em cima dos saltos de 12 centímetros, introspectiva como eu esperava. A canção era Cordeiro de Nanã, de longe minha preferida do repertório. Execução perfeita, Thalma é completamente afinada e concentrada ao cantar aquele ponto, como quem pede licença, como quem abre os trabalhos que estão por vir.

Thalma cumprimenta o público, abre o primeiro dos muitos sorrisos que estão por vir, fala do repertório e começa a fazer a segunda canção. É nesse momento que descobri que aquela voz era de mentira. A imagem introspectiva era de mentira. E mais: eu sairia do show tendo uma imagem completamente diferente.

Thalma é completamente sensual, tem olhar profundo e provocativo. Domina o palco em todas as suas dimensões. Vai ao chão com facilidade, fazendo bonitos e hipnotizantes desenhos com o corpo, num piscar de olhos está altíssima no alto daquela sandália, dominando também o ar, dançando como quem se inspira no oscilar vento.

A voz era de mentira. A voz é enorme como a artista. Acompanha cada movimentos dos instrumentos, vai aos tons opostos só por brincadeira. Estende notas com delicadeza impressionante, os melismas são pura viagem dela, puro deleite do público.

Ponto alto do show é a canção gravada para o projeto 3NaMassa, chamada de O Seu Lugar. É quase que indescritível o clima dessa música ao vivo, mas posso adiantar que é contagiante e excitante. Impossível não ficar absorto nos movimentos, na música e na voz.

Alegre e extrovertida, Thalma ainda faz muito show pela frente. Canta em espanhol, francês e italiano. Interage com o público, conta história, se emociona e deixa a certeza que estamos diante uma grande artista. Ainda que humilde e sem essa pretensão, uma diva.

Meu único arrependimento foi não ter levado a câmera para registrar as caras, bocas, danças e especialmente a voz da Thalma.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Esse filme eu já vi! (2)

E quando se pensa que vivemos na tão aclamada democracia lá vem censura, daquelas bem leve e simples. Mais um vídeo indolor e além de necessária a sua visualização, deve ser passada adiante.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Esse filme eu já vi!

É rápido, indolor e necessário ver o vídeo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

VMB

O VMB terminou agora e é tanta emoção que eu nem sei por onde começar. Restart ganhou quase todos os prêmios da noite! Família Restart sempre unida, levanta a mão e faz o coraçãozinho! \o/ --> s2 Como se não bastasse todas essas alegrias, Valeska Popozuda encerrou a premiação junto do Gaiola das Cabeçudas. É um êxtase tão grande que fiz um poema concreto pós-moderno em homenagem a ela. Confirão, ok!?
Waleska
ou
Valeska
Vales
Ska
Sky
KY.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Texto maneiraço!


Eu estava muito afim de escrever esse texto há vários e vários dias, mas ficava adiando porque sou um procrastinador. E também nem sei onde começar exatamente. A questão é que nos últimos tempos os adjetivos parecem estar perdendo o seu valor e sua intensidade, de modo que as pessoas não conseguem mais simplesmente dizer que “gostam” de alguma coisa ou de alguém, precisa falar que “adoram muuuuuuito!”. Como se não bastasse adorar, ainda é preciso intensificar em repetidas vogais essa explosão de sentimento.

Navego por aí e vejo comentários em fotos, ninguém é simplesmente bonito porque isso não satisfaz, todo mundo é “liiiindo” e “delícia”. São corpos onde as pessoas “se perdem”, “fazem estrago”, “dá canseira” e por aí vai.

Percebo que as pessoas nem tristes ficam mais, entram direto em depressão. São depressões muito efêmeras, duram uma hora e alguns minutinhos, ou o quanto durar o CD daquela banda “muuuito foda” com músicas “muito lindas!” que você coloca pra tocar no iTunes porque o considera “muito melhor” que o Windows Media Player.

Nada mais é simplesmente “estranho”, hoje as coisas são “bizarras”. Estamos num tempo em que as pessoas choram e riem litros, fazem BFF da noite pro dia e não conseguem viver sem uma infinidade tão relevantes quanto ter uma pulseirinha colorida de silicone. A propósito, o superlativo absoluto sintético de “ri litros” é “MORRI”. Prático, normal.

Vamos adotando esses exageros no nosso cotidiano sem ao menos percebermos, e quando nos damos conta já estamos “a-do-ran-do” a nova série da Globo e, em casos mais graves, escrevendo um depoimento pr’aquela pessoa que conhecemos há menos de 24 horas dizendo que ama.

Em contrapartida a todo esse exagero lingüístico, as relações interpessoais são cada vez mais frágeis, seu BFF pode ser seu desafeto num piscar de olhos. Os sentimentos são efêmeros e superficiais, existem de maneira mais realista em perfis do Orkut e do Twitter que na vida real. Quantidade demais pra qualidade de menos. É preciso reverter isso antes que percamos ainda mais o real significado das coisas. Deixa ser simples.

Não vivo sem vocês! Beeeijos, SEUS LINDOS!