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sábado, 25 de junho de 2011

Pitanga em Pé de Amora

Uma das minhas mais recentes descobertas e foi completamente por acaso, li o nome e achei interessante. Minutos depois, lá estavam eles na TV Câmara fazendo um show mais que empolgante. Formado por Diego Casas, Ângelo Ursini, Gabriel Setubal, Daniel Altman e a cantora Flora Poppovic, o grupo Pitanga em Pé de Amora existe desde 2008 e apresenta em seu show músicas de sua autoria, compostas em parcerias entre os integrantes da banda.

Sambas, choros, frevos, canções e até jazz fazem parte desse repertório interpretado com leveza e humor, levando ao público crônicas geniais em suas letras. Musicalmente, lembram-me os sensacionais Graveola E O Lixo Polifônico, mas com menos melancolia e mais brasilidade, lembra também Casuarina, mas com mais toques de Pixinguinha e Cartola. São modernos ao resgatar os ritmos antigos esquecidos há tanto tempo. Vale a pena e é necessário conhecê-los, o CD está disponível gratuitamente no site deles. Corre lá e bora começar a cantar!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Cupins



Mais um show de graça (isso mesmo totalmente DE GRAÇA) do Móveis Coloniais de Acajú em Niterói. Simplesmente perfeito. O grupo todo muito simpático, sempre receptivo com o público, com os fãs. André Gonzáles (vocalista) apesar de ainda no início do show abalado pela notícia da tragédia em Realengo, após um minuto de silêncio, levou o show com a impolgação possível. Dançou, rodou, cantou, envolveu-se de forma contagiante com todos (principalmente o pessoal do fã clube, os cupins). Quando tudo parecia perfeito, Xande Bursztyn (trombone)e Esdras Nogueira (sax barítono) descem e fazem uma apresentação no meio do público, tocando pertinho das pessoas, no chão em volta de uma roda humana, o André também desce rapidinho. Depois de todos cantarem, pularem e bla bla bla o Móveis se despede, mas em coro pedem Copacabana, respondendo a pedidos a música começa e começa o Flash Móveis, com vários balões no ar que dá um super efeito visual. Pra finalizar tem a lojinha que vende botons, camisas (a um incrível preço de R$5,00) e os Cd's pelo menos surpreendente preço. Recomendo!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pagode do bom


Se tem algo que cresci ouvindo minha mãe dizer é que devemos ter cuidado com o que falamos para não pagar a língua depois. Eu já paguei algumas vezes e venho a público assumir meu pré-julgamento da vez.

Pra começar, devo reiterar que, dentre os ritmos musicais, o mais execrável para mim sempre foi pagode. Nunca poupei críticas, sempre achei um sim pouco apurado, batuque sem porquê, bagunça, subdesenvolvimento, suor, laje e coisas assim, haha. De samba eu gosto e falo bem, a propósito, hoje em dia não vivo sem um bom samba, mas pagode, ah, pagode não.

As coisas começaram a mudar dia desses aí que numa madrugada à toa pelo Youtube eu descobri o grupo de Ribeirão Preto Sambô e constatei: putz, são ótimos! A segunda constatação foi assustadora: eles são ótimos e tocam PAGODE! Dei o braço a torcer, eu realmente gostava daquele som e não adiantava mais negar, fui pesquisar sobre os caras que faziam aquelas músicas.

O Sambô surgiu a partir de um grupo de amigos, todos músicos profissionais, com influências do Pop e do Rock, que se uniram pra fazer um samba-rock que acabou saindo meio pagodeado. É um som multifacetado, com influências diversas que incrivelmente dão certo. É estranho pensar que músicas como Mercedes Benz, eternizada na voz de Janis Joplin, possam virar samba/pagode, mas viram e fica contagiante.

O repertório ainda conta com grandes músicas da MPB, como Simples Desejo, Fato Consumado, Não Vá Embora e outras. Além da MPB e do rock, Sambô ainda tem uma veia de blues, outra de soul e James Brown cantado por eles parece mais brasileiro que arroz com feijão.

Vale a pena baixar a guarda e conhecê-los, trocar aquela trilha sonora melancólica de domingo por um pagode do bom e uma cerveja gelada. Os caras são bons no CD, ao vivo deve ser ainda melhor. AQUI tem um aperitivo do que estou falando, e logo abaixo o dueto deles com a Luciana Mello.



Mais do Sambô: Site | Twitter | Orkut | Flickr

quinta-feira, 31 de março de 2011

Programa Compacto

Ha um tempo atrás eu soube, através do Twiter, sobre o encontro da grande cantora Thalma de Freitas com o cantor e compositor Matheus Aleluia, que ainda conheço pouco, mas tenho admiração profunda por ser compositor de uma das minhas músicas preferidas, Cordeiro de Nanã.


Na época da descoberta eu fiquei tão empolgado com a nova gravação que nem dei atenção e acabei esquecendo que o encontro desses dois raros na música brasileira se deu no Programa Compacto, até que essa semana meio sem querer eu lembrei do programa e fiz descobertas felicíssimas.

O programa é um videocast produzido/patrocinado pela Petrobrás e tem como objetivo resgatar as raízes do Brasil através da música, unindo artistas de diferentes regiões para um bate-papo descontraído e para fazer um som juntos, claro. Cada programa tem dois blocos de 10 minutos cada, realziado num cenário moderno e aconchegante.

Além da parceria da Thalma com M. Aleluia, muito me chamou atenção o encontro de Teresa Cristina (uma das minhas sambistas preferidas) com a regional Karina Buhr. À primeira vista me pareceu algo tão estranho juntar essas duas, e uns 3 minutos depois, antes mesmo de abirem a boca pra cantar eu já me perguntava: "puta que pariu, por que não juntaram essas duas antes!?" É uma parceria magnífica, que até rendeu uma música inédita, chamada Vagalume. É sublime!



Lá no site do programa há link para baixar essa e outras canções em MP3, num ícone logo abaixo do vídeo. A equipe pro programa também mantém um canal no YouTube, comunidade no Orkut e perfil no Twitter. Tem música para todos os gostos. É pra espalhar, ouvir, admirar e aplaudir!

quinta-feira, 24 de março de 2011

O Micróbio do Samba


Há dias que vem se intensificando o burburinho em torno do novo álbum de Adriana Calcanhotto, intitulado de O Micróbio do Samba. Como o próprio título sugere, é sim um álbum de sambas. Não aquele sambão de domingo, mas sambinha cadenciado, pra ouvir a noite tomando um álcool qualquer. É samba individual, não é samba de galera.

Percebo com felicidade que o samba tem tomado mais espaço na vida de artistas e dos ouvintes. Eu mesmo, outrora tão restrito ao rock e suas infinitas vertentes, hoje não vivo sem um bom samba. E Calcanhotto sabe fazer samba gostosinho, vale a pena! Aqui dá pra ouvir trechos do novo álbum, de todas as 12 faixas. E logo abaixo a cantora fala um pouco do disco e das coisas que o envolvem.



UPGRADE com mais do Micróbio e mais de Calcanhotto:

sábado, 25 de dezembro de 2010

Letuce



Duas vozes, um casal. Sempre comparados á Rita Lee e Roberto Carvalho em toda a sua doçura excêntrica. Versão de Caso Sério em Francês, em Ballet da Centopéia cita verso de Cabecinha no Ombro (1958), um clássico sertanejo de autoria de Paulo Borges. Voz mansa, por vezes sonolenta como seus próprios olhos, Letícia Novas conduz as canções. Lucas Vasconcellos aparece de forma sutil no som, voz tímida, mas em Potência se faz mais presente. Clipes e capa caseiros, piscinas, girafas, dois, sempre dois, praia, areia, sol. Um ar meio bossa nova, jazz e algo bem caseiro, fim de tarde com cor de flamboyan. Amor, eles cantam sobre o amor, deles, dos outros, do agora e do amanhã. Sim, vale a pena.



http://www.myspace.com/letuceletuce
http://twitter.com/letuceletuce
http://www.lastfm.com.br/music/Letuce

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Rock + RAP = Samba!


O que acontece quando se juntam duas coisas que você não gosta num mesmo trabalho? As expectativas são as piores, pelo óbvio. Mas não, eu estava errado. Nunca gostei de Bezerra da Silva, nunca gostei de Marcelo D2.

Contudo, nos últimos anos venho percebendo a transição de D2 para o mundo do samba, deixando para trás os trejeitos que não me agradavam na sua época à frente Planet Hemp. Depois de passar entre o rock e o RAP, as mudanças no artista aconteceram de maneira bastante sutil e natural, como deve ser. Não temos um sambista fabricado por interesse mercadológico, é uma musicalidade que flui de modo muito agradável.

Para coroar essa nova identidade artística que se constituiu, Marcelo D2 lançou recentemente um CD com canções do repertório de Bezerra da Silva. O resultado é sensacional! A qualidade musical do trabalho chama atenção, mérito do D2 e especialmente do produtor e percursionista Leandro Sapucahy, que sempre apresenta trabalhos de qualidade impecável, como o Samba Meu, de Maria Rita.

O álbum conta com 14 faixas que mesclam crítica social, ironia e diversão. É um CD leve, daqueles pra levantar o astral tocando no churrasco de domingo, ainda que tenha requinte nos arranjos. O destaque do álbum vai para a música A Semente. Vale a pena ouvir não só essa, mas todo o álbum. Vida longa ao Marcelo D2 sambista!

Músicas:

01- Se não fosse o samba
02- Partideiro sem nó na garganta
03- A semente
04- A necessidade
05- Bicho feroz
06- Quem usa antena é televisão
07- Meu bom juiz
08- Malandro rife
09- Pega eu
10- Malandragem dá um tempo
11- Minha sogra parece sapatão
12- Na aba
13- Saudação às favelas
14- Pai véio

Disponível AQUI ou AQUI.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Entrevista com Validuaté!

Há algum tempo atrás eu apresentei a banda Validuaté aqui no blog. Era um tempo de euforia pela descoberta. Apresentei a banda pra muita gente, fico feliz que muitos tenham gostado e cantado a plenos pulmões Eu Só Quero Acabar Com Você (risos). Tempos depois, volto a falar da banda para anunciar que finalmente, com todo mérito da Diana por ter conseguido, entrevistamos os caras da Validuaté. O resultado é extenso, mas vale a pena saber um pouco mais da banda, das influências e do som feito por eles. Feita por mim e pela Diana, o resultado está logo abaixo. Agradecemos desde já a eles pela disposição e gentileza. Bora lá!
Som diferente, interessante e inteligente que brota do Piauí, uma região onde as a grande massa de ouvintes não espera que vá sair um grupo desses. Talvez isso possa parecer preconceito, ou até mesmo ser, mas realmente as pessoas em geral não tem muitas informações sobre as novidades musicais de uma região tão esquecida do nosso país. Como vocês lidam com esse olhar? Consideram o som de vocês regional?
Quaresma – Realmente, ainda não temos uma referência musical no âmbito nacional que possa gerar essa expectativa. Talvez a memória nacional recupere figuras piauienses mais ligadas à literatura como Torquato Neto, que também atuava na música e no cinema, Assis Brasil, e Da Costa e Silva. Mas na música mesmo não há quem relacione nosso som, ou o que tem sido feito por aqui, a qualquer outro trabalho piauiense reconhecido Brasil a fora. De alguma maneira, nos anima chegar com alguma novidade, mesmo que tardiamente, embora eu não creia que seja tarde, já que penso nossa música como fruto dos dias de hoje. É resultado de nossas experiências com o que tem sido produzido no Brasil, principalmente, dos anos 80 pra cá, e também de algo de tempos mais remotos. Quanto ao termo “regional”, às vezes soa um tanto pejorativo quando generaliza demais. O que há de regionalismo na música que fazemos são as expressões que utilizamos nos textos, e remetem a situações do dia-a-dia. É regional porque nasce aqui, e de alguma maneira representa um pouco a produção atual, mas não é regional no sentido direto de justaposição temática ou alegórica de elementos que compõem a imagem do nordestino para o restante do país.

Thiago E – Ah, Diana, em nome de todos da Validuaté, primeiro digo obrigados... Pois é. Realmente, muitas e várias e incontáveis pessoas preconceituosas pelo Brasil não esperam grandes coisas do Piauí. Isso é tristíssimo. Até mesmo muitos dos habitantes deste estado duvidam do próprio talento. Acontece bastante de aparecer um trabalho artístico bem feito, bem produzido, esmerado e alguém dizer “olha que massa! nem parece que é daqui”. Repito: isso é soturnamente tristíssimo. E pouca gente percebe que essa atitude é um problema cultural. Quando digo “é um problema cultural” não estou falando de “falta de cultura” – absolutamente ninguém pode dizer isso do Piauí: somos muito ricos culturalmente. Quando digo “é um problema cultural”, falo sobre a falta de hábito de se interessar na produção cultural local. É um problema na educação e vem de longa e antiga data. Quem trabalha com música autoral em Teresina tem enormes dificuldades financeiras... E pouco, ou quase nada, consegue divulgar seu trabalho. E assim, a gente fecha um trágico ciclo: 1º) grande parte do público, por questões históricas e culturais, pouco se interessa pela música local; 2º) A maioria das casas de show, “prevendo” que não vão ter platéia suficiente para o seu almejado retorno financeiro, não contrata bandas locais; 3º) E o público, por ter pouquíssimo, ou nenhum, contato com o trabalho autoral de Teresina, não vai gostar do que não conhece. Mudar isso vai ser demorado e complicado. Eu reafirmo a expressão “música autoral” porque aqui, devido a esses problemas, as bandas cover’s são super valorizadas, logo, fazer música autoral é, antes de tudo, uma militância, uma postura política! Sem falar das rádios: contam-se nos dedos de uma mão as que nos apóiam. A Rádio pública Cultura FM 107.9 faz um trabalho importantíssimo na divulgação artística daqui. O pessoal da Cultura FM é bom e merece muitos elogios e todo o reconhecimento e respeito. E quanto a sermos “regionais” ou não... é bastante simples. O rock é a coluna das nossas músicas. Pelo menos por enquanto, sei lá, tudo pode mudar. Misturamos com samba, reggae, um pouquinho de baião... mas o eixo, o cerne, o cimento é o rock. O problema é que o termo “regional” ficou preconceituosamente ligado apenas ao nordeste. Se um grupo põe qualquer elemento de baião ou “forró” numa música, ele imediatamente é rotulado “regional”. Mas nunca vi um paulista misturar rock e xaxado e ser chamado de “regional”. Então é aquela história: todo rótulo é opressivo. Às vezes também ligam o termo “regional” a uma certa tentativa de “pureza” na música, de tentar deixar “intacta” alguma manifestação artística... A Validuaté nunca se preocupou com isso. E nem acho que isso exista. Na “mundo multidão mil”, primeira faixa do nosso disco “Pelos pátios partidos em festa”, é dito “os movimentos vários das culturas / porque deus é movimento e mistura”. Ninguém da Validuaté se considera “regional” nessa acepção. O Vazin, nosso guitarrista e geógrafo, diz que “regional” é quem vem de alguma região. Nesse sentido, somos regionais. Somos de um vale do até...

A Internet tem aberto muitas portas para a apresentação de bandas novas (ou até mesmo as que estão na estrada há algum tempo). Qual a pretensão do grupo quanto ao público? Grande mídia, meios de comunicação em massa ou grupos mais seletos?
Quaresma – Nossa intenção é atingir um público cada vez maior, fazer nossa música ser conhecida, e dar oportunidade às pessoas de dizer se gostam ou não do que fazemos. O bom de sermos independentes é a liberdade que temos de criar um trabalho do nosso jeito, sem pré-moldes impostos por quem quer que seja. Se houver oportunidade para mostrar esse trabalho para a grande mídia, chegaremos puros como nascemos. Há planos de organizarmos pequenas turnês para poder tocar para um público que nos conhece apenas pela Internet.

Thiago E – Nós tentamos explorar bem a Internet. Podemos ser encontrados no Myspace, no palco mp3, no twitter, na comunidade do orkut, no nosso blog, no nosso site, no youtube... e, ainda bem, em vários espaços de outras pessoas que gostam e acompanham a produção da banda. Nós estamos nos organizando pra fazer mais viagens e tentar divulgar a Validuaté num âmbito nacional. Onde pudermos nos apresentar de uma maneira interessante, estaremos lá. Não gostamos dessa coisa de “grupos seletos”. Pra gente isso não existe. Isso seria o próprio artista se mistificar, se achar superior a alguém. Isso é besteira. John Well, Júnior, Wagner, Quaresma, Vazin fazem a Validuaté ter uma força agregadora que é fundamental pra todos nós. Perder isso seria perder tudo.

Músicas como Ela é, Plaina Maravalha, Eu só quero acabar com você, Essa moça, Eu preciso é de você (regravação da Jovem Guarda) são letras que visões diferentes sobre as mulheres. As primeiras mostram o lado "devorador de corações" que as mulheres podem ter, as últimas demonstram como os homens podem se perder e depender delas. Como vocês realmente lidam com esse universo e como instiga suas criações musicais?
Thiago E – A gente lida tranqüilamente... A banda não privilegia esse tema, isto é: não temos mais cuidado ou menos atenção quando estamos fazendo uma canção sobre “uma mulher” do que quando estamos compondo uma canção sobre outro assunto – “o céu”, “um peixe”, “a orelha da Maria Bethânia”, “o amor”, “o mar”... Nos empolgamos com o arranjo bem feito. Não temos essa de “um tema especial”. Um dos “baratos” da arte é tentarmos tornar qualquer assunto especial. Seja na música, na pintura, na poesia, na prosa... a arte tá aí pra isso: pra instigar um desafio na cabeça de quem vê e de quem cria. Alguém pode querer fazer uma canção sobre o amor e cantar “o amor que sinto é uma lâmpada fluorescente...”, aí o compositor tem de se virar pra dizer por que o amor é uma lâmpada fluorescente! (risos). O Torquato Neto diz “é inventar dificuldades pelo menos maiores”. (risos). Obviamente a figura feminina nos encanta. É só observar as duas capas dos nossos dois discos. O “pelos pátios partidos em festa” e o “alegria girar” trazem uma mulher em cada imagem. Porém, quando a mulher é uma personagem na música, trato com o mesmo alumbramento de quem percebe o mar pela primeira vez e diz “o mar rumina a terra o tempo todo”. Pra mim não é fácil, não é comum compor canção tratando do envolvimento amoroso, de romance... Acabo tratando mais de “coisas” ou histórias mais irônicas. É algo normal no meu comportamento. Já o Quaresma faz músicas sobre relacionamentos com uma naturalidade e um aprumo que invejo. O Quaresma é bom nisso. Ainda bem que ele tá por aqui.

Quaresma – Criar canções para mim é um exercício de representação da realidade, mesmo que seja uma realidade reinventada, ou pura ficção. A música pop, de modo geral, é construída em torno de algumas temáticas recorrentes: paixão/amor, abandono, solidão, admiração, desejo, etc. A maneira como se utiliza uma temática ou outra pode gerar as mais diversas impressões no público, das quais a surpresa é sempre a melhor. As nossas “canções de amor” não dizem “eu te amo”. É um exercício muito prazeroso, principalmente quando temos uma aceitação tão boa do público.

O cenário independente vem crescendo de forma meteórica e diversificada. Como lidam com esse mercado? Quais nomes podem nos indicar? Com quais gostaria de tocar, compor? E até mesmo os mais famosos, quais lhe enchem os olhos?
Quaresma – É um mercado que parece muito convidativo e desafiador. Parece haver lugar para todos quando vemos as ferramentas à nossa disposição. Ao mesmo tempo parece que fica muito a cargo de cada um. Algo do tipo “às próprias custas s/a”, e atuar em diferentes setores da cadeia produtiva da música se torna algo fundamental para compreender o funcionamento do mercado de antes, e do que tempos agora. A Internet é nosso grande aliado na divulgação do trabalho da banda bem como na formação de nosso público Brasil afora. Um dos melhores exemplos de banda que tira todo o proveito da Internet para divulgação e interação com o público é a brasiliense Móveis Coloniais de Acaju. Considero os meninos do Móveis um modelo de organização. Creio que cada músico da banda até imagine grandes artistas participando de alguma gravação ou show nosso. Acho que isso tem mais a ver com a essência de cada música. Por afinidade e admiração, seria uma honra poder tocar/compor algo com Céu, Nação Zumbi, Arnaldo Antunes, Tom Zé, André Abujamra, Moska, Adriana Calcanhoto, Lenine, Vitor Ramil etc.

Thiago E – Olha, somos uma banda como tantas milhares de outras bandas pelo Brasil: adoramos o que fazemos e buscamos nos manter apresentando nosso trabalho. Esse é o objetivo de milhares de bandas. O mercado é inflacionado e não há espaço pra todo mundo. A verdade é essa. Não cultivamos ilusões. Eu até brinco parafraseando uma frase do Stanislaw Ponte Preta: “Validuaté: despontando para o anonimato” (risos). Não sabemos se conseguiremos tocar, gravar mais discos e nos manter com a música... Ou se seremos mais um grupo sufocado pela dificuldade e pela falta de recursos. Tudo é incerto. O que sabemos é que viver de música autoral por aqui é fazer um milagre. Como não temos o dom de fazer milagre, resta-nos tentar também outras paisagens. É como diz outra do Stanislaw “quem quer ser artista tem de carregar o circo nas costas”. Várias bandas e músicos daqui têm um trabalho autoral interessante: Clínica Tobias Blues, Obtus, Roque Moreira, Fragmentos de Metrópole, Eucapiau, Teófilo, Eita Piula, Batuque Elétrico, Captamata, Maykel Francis, Joniel Veras... entre outros grupos e músicos. As produções estão acontecendo... Como todo mundo, a gente da Validuaté admira muitos artistas. Também tocamos algumas músicas de quem admiramos: Tom Zé, André Abujamra, Arnaldo Antunes, Márcio Greyck... Se, no futuro, formos parceiros de um deles já vai tá bom demais! Mas já conseguimos alguns encontros maravilhosos. No disco “Alegria Girar”, contamos com a participação do poeta Ferreira Gullar, do cantor, compositor e ator Lirinha, do ator e dublador Isaac Bardavid e do ator, cantor e compositor Zéu Britto. Pra gente foi-é-e-será uma felicidade!

Dois CD's, alguns clipes soltos na Internet e um bom número de admiradores fiéis, planos pra um próximo projeto? Tocar nas grandes capitais?
Quaresma - Está em nossos planos, antes de gravarmos um disco que encerra a trilogia doa álbuns em estúdio, produzir um DVD com repertório dos dois primeiros trabalhos e mais algumas músicas inéditas. Além de participações especiais. Paralelo a isso, vamos organizar pequenas temporadas por outras capitais e outras regiões do país. Alimentar nosso público que nos acompanha tão somente pela Internet. Tudo com calma e planejamento.

Vemos em comunidades do orkut e do Last.FM que grande parte do público da banda é feminino e se derretem todas pelas músicas e por vocês. Pois então, há assédio nos shows? Como os compromissados lidam?
Thiago E – Isso é tranqüilo. A maioria da banda é compromissada e há respeito. Obviamente existe aquela coisa do fetiche do palco e tal, mas não dou importância pra isso. Aliás, qualquer pessoa sã que nos observe concluirá que não temos atrativos físicos (risos). Vez por outra ouvimos comentários “rapaz, a Validuaté... Ô banda pra ter cabôcos fêi, menino! Os cara até tocam bem... mas, ali, num escapa um!!” (risos!) Pois é. Eu só defendo o Wagner. Só o Wagner é bonito! É nosso Ébano, nosso precioso, nosso Orfeu Negro! (risos!)

Quaresma – (risos, risos) O assédio acontece, mas não é nada escandaloso que nos force a correr pelos corredores ou chegar por alguma porta secreta. Todo o encantamento acontece enquanto estamos sobre o palco. Quando a gente desce, sempre tem alguém que aborda para parabenizar, perguntar por que não tocamos música tal e tal, ou mesmo só para dar um abraço. As respectivas namoradas de cada músico da banda são bem pacientes com esse assédio. Mesmo porque depois do show a gente parece que volta à forma de abóbora (risos).

Para os mais simplistas e/ou para as massas, ao ouvir o som de vocês podem, equivocadamente, achar o som de vocês semelhante demais com outras bandas fora do eixo RJ - MG - SP, como Cordel do Fogo Encantado ou até mesmo Nação Zumbi e Mundo Livre S.A. Vocês lidam bem com essas comparações ou procuram se afastar cada vez mais delas?
Thiago E – São bandas de um som maravilhoso e as admiro. Realmente, já nos compararam com o Cordel e com o Mundo Livre. Mas, sinceramente, não vejo grandes semelhanças... quase nenhuma. A Validuaté mistura um pouco de poesia às suas práticas e tal... o que poderia nos aproximar do Cordel... Mas o nosso som é muito diferente, trabalhamos com esses elementos de forma diversa. O formato de banda e os timbres não têm nada a ver! Poderiam nos aproximar do Mundo Livre pelo uso do cavaquinho no rock e tal... mas é a mesma razão: misturamos esses elementos de maneira diversificada. Nossa escrita é outra, nossas melodias são outras, nossa pegada é outra. Se nos comparássemos ao Nação Zumbi, eu também só poderia receber como um elogio – eles são fantásticos – mas iria aconselhar essa pessoa a fazer uma avaliação psíquica o quanto antes. Gostaria que as pessoas olhassem pra Validuaté como Validuaté mesmo. Por mais que te comparem com nomes importantes, todo mundo quer ser o que é mesmo.

Comparando Pelos Pátios Partidos em Festa e Alegria Girar, notamos que o segundo é um álbum mais maduro, letras e som mais elaborado, são músicas mais fáceis de ficar na cabeça (até minha mãe anda cantando Eu Só Quero Acabar Com Você, haha), um outro padrão. Pois então, quais experiências a banda acumulou entre um trabalho e outro e o que poderia explicar a mudança?
Thiago E – O “Pelos pátios partidos em festa” é primeiro cd. Tem os atropelos e as delícias de toda primeira vez. Quando o gravamos passamos por uma série de problemas. Alguns por inexperiência e outros de ordem do acaso da vida mesmo, dos rumos que tudo toma. Houve um pouco de pressa, por falta de informação também tivemos pouco cuidado com a captação dos sons na gravação, a escolha do estúdio, os horários no estúdio eram ruins, etc, etc, etc. Uma série de fatores. Hoje, nos incomodamos com a qualidade técnica da gravação... e talvez o público, sem perceber, se incomode também com o áudio... Mas nós adoramos as canções do “Pelos pátios partidos em festa” e temos planos para melhorá-las: quem viver verá (risos). Já o “Alegria girar” foi feito com um cuidado bem maior. Não queríamos repetir as inexperiências do primeiro. Pesquisamos, nos empenhamos e também tivemos a sorte de trabalhar com engenheiro de áudio Mike Soares. Com os toques dele mudamos bastante. O grupo tava coeso. Mas, sobre esse percurso todo, é bom ser observado uma coisa... Não podíamos ficar esperaaando uma situação ideal aparecer. Queríamos fazer, mesmo aos trancos e solavancos... falta de aparato técnico não significará inércia criativa...

Conte-nos um pouco sobre o início da banda e o que cada um trouxe como bagagem para formar esse som tão diverso.
Thiago E – A Validuaté surgiu em 2004 e permanece, praticamente, com a mesma formação: John Well na bateria recarregável de longa duração, Vazin e Júnior nas guitarras, eu toco pandeiro e cavaquinho, Wagner Costa no contrabaixo e Quaresma na voz e instrumentos adicionais. Como todo grupo, temos semelhanças e diferenças e sempre procuramos respeitar os desejos uns dos outros. O John Well tocava música gospel na igreja e dá aulas de bateria; o Vazin participava da cena metal, cantava em coral também e dá aulas de geografia; eu tocava sambas e pagodes naquela onda dos anos 90, depois me interessei por rock, poesia e dou aulas de literatura; o Wagner tocava música instrumental, em banda de pop rock, canta num grupo vocal e faz mestrado em literatura; o Júnior tocava música pop e é gerente do bar Recanto do Caranguejo; o Quaresma sempre cantou, é professor de inglês e português e também é publicitário. Então temos uma diversidade boa. Cada um acrescenta unicamente e funciona. O grupo é bom. O que nos une é nossa tolerância e nosso extraordinário senso de humor. (risos!)

Quaresma – O bacana do grupo é a pré-disposição pela busca do novo, de experimentar os detalhes de algo desconhecido. Antes da Validuaté eu tocava MPB com o Júnior. Aquele repertório de churrascaria mesmo. Mas desde sempre eu quis construir algo novo. Até chegamos a participar de festivais com as músicas que já nasciam naquela época. Isso rendia uma ou duas apresentações por ano com duas ou três músicas próprias. O grupo se chamava Papel di Parede. O difícil era inserir esse novo num contexto em que a música serve para ajudar o pedaço de carne descer com um gole de cerveja. Foi aí que desistimos de tocar música com cheiro de picanha e decidimos criar uma nova história. E nasceu a Validuaté.

Mesmo em letras sérias, é possível notar doses de humor, fazendo com que estas flertem com músicas ditas "bregas", brincando com uma linha bem sutil entre o romântico e o brega. Há receios quanto a isso ou o som que vocês fazem é puramente passional, sem preocupações de estilo?
Thiago E – É como eu disse anteriormente: não nos preocupa evitar nem permanecer. Exploramos o som dito “brega” ou “romântico”. E quando criamos algo nesse gênero, sabemos o que estamos fazendo e quem nos escuta também sabe. É como se fosse um ato, ou uma parte de um espetáculo que tem partes diferentes. Isto é: não ficamos no “brega” o tempo inteiro, todos sabemos que logo acontecerá algo novo. Não há receio quanto a essa classificação. De certa forma, é um momento em que há um sarcasmo de nossa parte com essa enxurrada de músicas, no rádio ou na TV, falando desse amor meloso.

Quaresma – Colocamos muito de paixão também no que fazemos. O traço brega de algumas de nossas músicas passa também pela via do humor. Um dor sofrida que precede o riso de quem vê graça nas relações amorosas.

Vemos ultimamente que as bandas têm uma vida efêmera. GRAM, Los Hermanos, Cordel do Fogo Encantado e tantas outras declararam o fim ou então uma "pausa por tempo indeterminado". Podemos esperar vida longa a Validuaté? Quais são os planos e projetos da banda atualmente?
Thiago E – Olha, eu não sei se essas bandas tiveram essa “vida efêmera”. Não conheço o GRAM. Mas o Cordel do Fogo Encantado e o Los Hermanos duraram o tempo que quiseram durar. Foi algo acordado. Nenhuma tragédia aconteceu pra impedi-los de produzir e tal. Eles podem, inclusive, voltar. Mas, para além das músicas, existe a convivência. E essa, às vezes, é melindrosa: juntar pra dar certo os desejos e os comportamentos de várias pessoas é cheio de pregas e complexo e é preciso sabe-se lá o quê... Quando a gente gosta de um grupo que se acaba, ficamos um pouco pra baixo, etc. Porém é um sentimento pessoal e cabe a cada um resolvê-lo da sua forma. E as pessoas dizem “mas, por quê?” etc. Contudo, quem sabe da pedra é quem calça o sapato. Nesse contexto musical, as coisas duram o que tem de durar. Tem de ser respeitado. Obviamente a Validuaté deseja essa vida longa. Estamos ávidos pra nascer e começar em outros lugares e renascer e recomeçar num devir incessante. Tomara que dê certo. A cada tempo que passa aprumamos artes novas e queremos vivê-las com outras pessoas. Temos o espírito musculoso. Contudo, a vida é essa sucessão de acidentes imprevisíveis. Torço pra que tenhamos acidentes felizes, espantos bons. O Vinícius nos avisa: “que seja infinito enquanto dure”. Tomara que esse “enquanto dure” seja um pedação do tempo.

Quaresma – Vida longa à Validuaté. Cenas dos próximos capítulos: viagens, DVD, viagens, clipes, viagens, 3° CD, clipes, viagens, viagens... fortes abraços para todos e até breve!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A grande descoberta!

Provavelmente todo mundo já viu Gero Camilo em algum filme, seja encarnando o doidinho simpático de Bicho de Sete Cabeças ou como o Sem Chance, par romântico de Rodrigo Santoro no filme Carandiru. Embora estigmatizado para o grande público, Gero Camilo é um ator versátil, com carreira admiradíssima no teatro, tanto como ator quanto como escritor.

Se pouca gente sabe do talento de Gero para compor roteiros, menos pessoas sabem ainda que ele é um grande poeta. Tive contado com a poesia dele através de Astrolábios, interpretada pelo cantor Rubi, já apresentado aqui no Varal Fult. Mais recentemente, tive a felicíssima oportunidade de conhecer o lado cantor de Gero Camilo, através do seu álbum Canções de Invento (2008).

É um álbum sensacional! Diferente, empolgante e com capacidade de te tocar de um modo muito especial. Não é introspectivo, pelo contrário, é animador, com fôlego. Vindo de um artista com tantas facetas, o álbum só poderia ser múltiplo como é. Tem samba, tem MPB, tem coisa que você não sabe o que é. Arranjos e letras de qualidade, sem a chatice de seguir normas e fórmulas.

Despretensioso, o álbum consegue ser surpreendente pela regularidade. Não tem música mais ou menos. Cada um está ali por merecimento, tem conteúdo, provoca a mente a pensar ou o corpo a se mexer. Está mais do que indicado, todo mundo deve experimentar essas sensações!

Destaque para Vai Desabar, que fecha o disco num clímax delicioso. Ficou com vontade de ouvir também? É só clicar AQUI.

domingo, 29 de agosto de 2010

Achados os perdidos


Formado em cinema, também compositor, cantor e produtor, Vinicius Calderoni é uma pérola que conheci há pouco tempo. Seu álbum de estréia não é tão recente assim, data de 2007, mas ainda me parece ser pouco conhecido. Conheci o trabalho do cara por acaso, pesquisando canção da grande Fabiana Cozza pela Internet, parceira dele em uma das canções de Tranchã.

Vinicius é incomum, um artista completo e que precisa ser degustado aos poucos, a fim de absorver os tantos elementos contidos nas canções dele. Volto a falar dele por aqui quando tiver uma opinião mais concreta a respeito, mas uma coisa é certa: o som do cara é muito bom!

Para baixar o CD clique AQUI.
Mais informações, biografia, fotos, vídeos etc: Site Oficial

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Andreia Dias, o som da libertação!

Há uns dois meses atrás vi uma notinha na página com dicas culturais da Veja falando de uma cantora chamada Andreia Dias. Alguma coisa me chamou a atenção ali naquele textículo (diminutivo de texto, riariaria), mas nem lembro mais o que foi em especial. Ah, lembrei! É que ela foi expulsa da casa dos pais evangélicos rigorosos aos 15 anos de idade por insistir em usar calça jeans. Mas bem, sei que fui correr atrás pra conhecer e tive uma grata surpresa: ela é ótima!
Tem um quê diferente, soa desigual em meio a tantas outras ótimas cantoras da sua geração. Há uma rebeldia latente que não depende do grito ou da distorção de guitarras para se perceber. Pelo contrário, Andreia consegue ser doce ao mesmo tempo em que é irônica.
“Através do rock n roll me libertei, do samba me requebrei, do soul e do blues, me inspirei , na Boemia e na capoeira angola me criei.”

Nesse seu segundo trabalho, intitulado Vol. 2, a cantora consegue demonstrar uma maturidade muito interessante. Sem falar na sua qualidade como compositora, passeando pelo brega e pelo moderno com uma naturalidade de poucos. O resultado é um som singular, muito delicinha. Tem pra todo gosto, de sambinhas a boleros.
“O meu amor já não tem mais tanta frescura,
A minha vida não suporta compostura
E assimilando toda a situação,
Sigo tranqüila com muita perturbação”

É um CD para ouvir e se divertir, puro deleite. E, conforme o trecho ali em cima diz, é mesmo um álbum perturbado, no bom sentido. Ficou curioso? Clica AQUI pra viajar junto no Vol. 2, já o Vol. 1 tá disponível AQUI. Pura viagem!

Maiores detalhes: http://www.myspace.com/andreiadias

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Novo CD de Roberta Sá!


Depois do ótimo DVD “Que Belo Estranho Dia Para Se Ter Alegria”, Robertinha, muito felizmente, juntou-se aos cariocas que formam o trio de choro Madeira Brasil — com o qual já havia gravado a linda canção Afefé — e lançou o CD de música brasileira “Quando o canto é reza”. Como sugere o nome, as canções do CD percorrem temas religiosos, com especial atenção à africanidade. É um trabalho muito bonito, não apenas pela temática, mas por não ser superficial. Às vezes um cantor faz uma letra de amor e coloca o nome de Iemanjá ou de Oxum em uma estrofe e diz que é “de raiz”, mas não é o caso desse álbum. Roque Ferreira assina todas as músicas desse trabalho produzido por Pedro Luís.

Seja lá qual for o credo de cada um, vale muito a pena conhecer ouvir, pela qualidade vocal que a Roberta vem aprimorando e pela qualidade do trio. Não se pode deixar de prestar atenção nas letras e no significado por trás delas. É cultura brasileira autêntica, um resgate importante da cultura afro-brasileira.

O álbum conta com 13 faixas, com destaque para Menino e Tô Fora. Vale a pena, aqui está!

sábado, 22 de maio de 2010

Entrevista com Wado



Essa semana trazemos a entrevista que eu e a Diana fizemos com o Wado. Cantor e compositor "alagoano" que já conhecemos há um tempo e gostamos bastante. De som diverso e singular, Wado mescla poesia de lirismo apurado com crítica social e experimentalismo bem sucedido. Antes da entrevista, vamos a um pequeno hitórico:

"No ano de 2001 Wado lança o seu primeiro CD e chama a atenção dos brasileiros para a nova safra de compositores que fazem “música inteligente”, como bem afirma o jornalista Pedro Alexandre Sanches em matéria para o jornal Folha de São Paulo.
Foi a partir deste trabalho que Wado começou a ser reconhecido e respeitado em outros estados do Brasil, figurou em muitas listas de disco como o melhor do ano. Alexandre Matias, não só colocou o Cd de Wado no topo de sua lista com também escreveu uma crítica com declarações sobre tal escolha, “e agora vem Wado, com seu excelente O Manifesto da Arte Periférica, até agora o melhor disco de 2001. Sai Daft Punk, sai Vídeo Hits - o lugar é deste catarinense radicado em Maceió que conseguiu fazer um disco com sotaque, mas sem soar pós-mangue beat."

Bora pra entrevista!

Desde o seu primeiro CD que você vem obtendo reconhecimento e sendo valorizado através de sua música, que é muito marcada pelo regionalismo até mesmo pelo seu sotaque forte. Alguns artistas que despontam fora do Sudeste do país e pretendem alcançar este mercado, tendem a afastarem-se das referências locais, ou ao menos atenuá-las. Depois de quase 10 anos de carreira percebemos que você ainda mantém-se alagoano, com seu sotaque e sua identidade regional, e ainda assim já alcançou outras praças fonográficas e fez shows pela Europa. É difícil levar seu trabalho a um público cada vez maior e globalizado e ainda assim manter a identidade e continuar autêntico?

No meu caso acho natural ser assim, e considero mais brasileiro que regional o pacote todo das coisas que faço, pois tem muito samba, afoxé e funk carioca nas músicas que ando fazendo. Esses ritmos tem matizes no Nordeste e também no Sudeste. Estou morando em Maceió então isso acentua ainda mais, pois isso e muito a vida diária aqui.


Apesar de acumular premiações, críticas elogiosas e de ter entrado na trilha sonora de Caminho das Índias, ainda não conseguimos te ver como um artista (re)conhecido pelo grande público e frequente em programas de TV com abrangência nacional. Isso gera alguma frustração ou o meio virtual junto dos artistas e do público da música alternativa satisfazem suas necessidades enquanto artista?

Teve momentos que já fiquei sim frustrado, mas isso era um desajuste de percepção minha, acho que a configuraçã da nova cena é essa mesmo, estou num dia a dia viável, aprendi a ser outras coisas além de músico/compositor e isso me fez bem. A vida está boa.


O apoio do governo federal através da Funarte e do Ministério da Cultura mudou o que na sua carreira no que se refere à visibilidade e e criação?

Ano passado foi um ano muito bom por causa disso, sem o Pixinguinha não tinha feito o Atlântico Negro, que me trouxe muitas coisas boas e shows pelo Brasil.


A Farsa do Samba Nublado é para muitos seu melhor CD. Pela qualidade sonora, técnica e até mesmo poética. É também o seu preferido ou tem algum outro xodó?

Meu preferido é o Terceiro Mundo Festivo, mas isso varia de tempos em tempos. Já foi o Cinema Auditivo por um tempo. Depende da época.


Outras artes como cinema, literatura e teatro influenciam na sua música? Se sim, o que mais te inspira? Percebemos também a natureza com uma presença marcante nas suas letras o quanto ela está presente nas suas composições e própria vida?

A vida toda inspira né, as canções brotam de temas, fatos e observações bem inusitadas. Moro numa cidade praiana, gosto de surfar, caminhar na praia, gosto de lugares verdes no frio quando viajo, isso tudo reflete acho pois compor é também uma atividade comtemplativa.


Sabemos que disponibiliza sua discografia completa pela internet. Como lida com esse meio tão abrangente e que não lhe rende lucro diretamente? E o que pensa a respeito das grandes gravadores e seus meios de comunicação em massa que de certa forma restringuem o grande mercado?

Faço isso como estratégia de mercado, acho natural esse fluxo, só torço pra que ele não seja tão voraz e unilateral. Com um Estado maduro e forte pode se ter um pouco mais de legislação e fiscalização, isso acho que é uma coisa pra gente lutar. É um pouco o que diz a canção Reforma Agrária do Ar.


Apesar da mídia ainda renegar o mercado independente ele vem crescendo e cativando público fiel. Com quais nomes desse cenário você trabalha ou prende, quais admira?

Gosto e tenho parcerias com Rômulo Fróes, Lucas Santanna, Momo, Zeca Baleiro, Numismata, Fino Coletivo, Fábio Góes. Acho uma geração muito boa essa minha e tem ainda mais um monte de gente.


Sua trilogia tá completa ( A farsa do samba nublado, Cinema auditivo, Manifesto da arte periférica). Planos pra um próximo projeto?

Esse ano vou fazer um cd/DVD de inéditas. Mas só pro segundo semestre. Será o sexto disco, poderíamos considerar duas trilogias :), nunca pensei assim, mas pode ser que até caiba.




Wado, via e-mail.

Para mais ionformações e para ouvir o som do cara, seguem os links:
http://www2.uol.com.br/wado/
http://www.lastfm.com.br/music/Wado
http://twitter.com/wado

Agradecemos e muito ao Wado pela gentileza em conceder a entrevista.
Abraço a todos!