No último sábado a cantora Maria Rita esteve em São Paulo
com o show Nívea Viva Elis!. Projeto de Marcelo Boscoli, seu irmão e músico, em
parceria com a Nívea. A turnê de cinco shows que já passou por Porto Alegre,
Belo Horizonte, Recife e São Paulo, e terá sua última apresentação no Rio de
Janeiro, dia 13, serve de homenagem aos trinta anos desde a morte de Elis
Regina, um dos nomes mais importantes da Música Popular Brasileira.
O show de São Paulo aconteceu no Parque da Juventude e teve
tanta gente acompanhando que, decidi procurar pelos números de público e
resolvi desistir. A polícia informa um tanto, a organização outro. Mas a
verdade é que estava lotado. Quando Maria pisou no palco, não houve quem não
chorasse. Ali não estava só a filha de Elis, a tão criticada Maria Rita, a que
copia o modo, a afinação e os trejeitos da mãe. Era a Maria Rita incoporada por
Elis. Tudo foi pensado e estudado para que quem assistisse visse no palco,
Elis.
E deu certo. Quem esteve por lá e viu a performance de
“Saudasosa Maloca” não se conteve. Gritou, chorou, quando Maria arranhava a voz
junto à composição de Adoniran Barbosa. Quando gritou e levantou os braços em
“Como Nossos Pais”. Quando deixou-se emocionar ao cantar “Me Deixas Louca”.
Quando, no ponto alto do show, cantou, sem acompanhamento, “Fascinação”.
Maria é uma das melhores intérpretes dos últimos anos, tão
diferente de sua mãe e que precisou fazer um show em homegem a Elis para que a
prova fosse dada. Elis não morreu, está viva em cada fã e em sua filha: na gana
de cantar, no corpo e na alma.
Um pouco antes das luzes se acenderem e o espetáculo ter
acontecido, por duas ou três vezes, a realização do show decidiu passar um
documentário sobre o projeto e, dentro dele, algumas cenas do Programa Ensaio,
da TV Cultura, em uma das aparições de Elis. Em determinado ponto ela diz que a
sua música não havia mudado, mas sim ela mesma havia, a sua alegria e os seus
nervos; ela era outra e sendo a música a transa maior da vida dela, isso se
refletiria.

