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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Segunda Pele




O quinto CD de Roberta Sá afasta-se um pouco dos grandes sambas e prova um sabor mais regional em relação a sua própria origem. Apesar de buscar novos sabores o samba ainda se mantem presente como na faixa O nêgo e eu, com cores de carnaval, marchinhas clássicas. Parceria com Pedro Luís, mesclas inovadoras com a Orquestra Criôla de Humberto Araújo com arranjos ousados em relação aos seus CD's anteriores da própria Roberta. Tem ainda um dueto internacional,inédito com Jorge Drexler em “Esquirlas”, cantando em espanhol.

Desenrolar de um CD maduro, sensual, carnal de forma de harmônica, desmembrando de certa forma essa imagem de cantora um pouco recatada, fria e perfeccionista em certo ponto em suas apresentações. O CD por completo, mesmo as faixas mais intimistas, remetem a um grande carnaval, humano, carnal, quente. Recomendo! Está disponível AQUI.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O hit do verão!

Depois de sua jornada como garçonetchen nos EUA, Gretchen está novamente entre nós e com a carreira bombando. Depois de agitadas apresentações nas noites paulistas e cariocas, a cantora e ícone pop brasileiro acaba de nos presentear com aquela que promete ser o hit do verão, I'm a Cool. Sem mais.




segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Visceral

Quem ainda morre de amor, no sentido real da expressão? Sim, ainda morrem de amor. Alguns dias atrás, num sábado de alegria e cerveja, recebi pelo celular a notícia que Amy tinha morrido. Alguém que sabia que eu gostava realmente dela resolveu me avisar, ainda nem me liguei em quem fez isso, mas foi assim que fiquei sabendo. E naquele momento o sábado mudou, mudou o clima, em minha cabeça eu só conseguia ouvir Cássia Eller berrando “eu não posso causar maaaal nenhum a não ser a mim mesmo, a não ser a mim”.


Ouvi Back to Black infinitas vezes por canais de TV e bares, cantarolei Love Is A Losing Game baixinho sem nem mesmo perceber, enquanto levantavam hipóteses, faziam piadinhas e se lamentavam pela morte supostamente precoce de Amy Winehouse. Ela foi ao tempo dela, sem precocidade. Morreu ainda estando viva, imprevisível, verdadeira, crua.

Amy está na história da música sem fazer muito esforço, pois tinha talento. Deixa algumas músicas, uma história trágica e bonita, daquelas que hão de virar filme em Hollywood. Vítima do amor romântico, retrô, e nem na morte ela trai a si mesma. Vou guardar em mim essa saudade que não se explica e é até mesmo um tanto quanto ridícula, mas existe. Em meio a esse burburinho da morte, me perguntaram como eu podia gostar de alguém “que só fazia coisa errada”... Eu admiro quem me parece ser real, gente crua, de verdade.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Negligenciados: Maria Gladys

Há um tempo atrás comecei aqui no blog uma série que tem por objetivo resgatar nomes de cantores, compositores e artistas em geral que são negligenciados pela grande mídia ou até mesmo pelo púnlico. Nem sei mais quantos posts fiz com esse tema, mas hoje darei continuidade. Antes de mais nada, devo me desculpar pelo abandono ao blog, mas é que as ocupações aumentam, o tempo on line diminui e também não há muitas novidades e lançamentos relevantes nos últimos tempos. Voltando ao post de hoje, vou falar de Maria Gladys, que de nome assim ninguém deve saber de quem se trata, mas basta uma foto para que todos a reconheçam.

Sempre vi Maria Gladys na TV fazendo empregadas sem relevância alguma, e fui me atentar para a história dela numa madrugada qualquer, vagando por canais sem audiência, me apaixonei por aquela loucura setentista que ela exalava, e há muito tempo penso em escrever a respeito, mas nunca consegui. O texto original foi publicado no Jornal da Cidade, em 16 de novembro de 2008. Bora lá conhecer essa mulher que tem história pra virar filme, livro e sem sensacionalismo nenhum. São cruezas admiráveis, como revela seu rosto já riscado pelo tempo.


Um apartamento de fundos na Avenida Atlântica. Maria Gladys abre a porta. O cheirinho de insenso transborda da sala decorada com móveis caquéticos, livros e algumas fotos que chamam os olhos. Num retrato caseiro, que se enxerga logo, Glauber Rocha fuma um baseado no canto da boca, com ar debochado. Bem Glauber. Gladys não faz cerimônia. Manda ir entrando e se acomodando. O show começa. Ela fala andando de um lado para o outro, sem economizar nos gestos, nas frases inspiradas, no raciocínio rápido, nas histórias inacreditáveis. Cigarrinho numa mão, copinho de cerveja na outra.

Há dois anos, a atriz protagonizou a cena mais surreal da sua carreira de mulher que sempre viveu como se não houvesse amanhã. Ela estava no Cevada, um boteco de esquina em Copacabana. De repente, ouve gritos:

— Gladys! Oh, Gladys, corre aqui! Rápido!

Era o cineasta Neville de Almeida, estacionado na frente do bar. Ele lhe passa o celular. Do outro lado da linha está Lee Jaffe, amigo-irmão de Jean Michel Basquiat, fotógrafo, videomaker e integrante da trupe de Bob Marley e Peter Tosh nos anos 70, autor do compêndio do reggae “One love”. Os dois trocam meia dúzia de palavras. Uma semana depois, chega um email de Jaffe com fotos da família. Gladys percebe uma semelhança suspeitíssima entre Rachel, sua segunda filha, e o primogênito do artista. A suspeita gerou um exame de DNA. E o fim de uma dúvida cruel. Jaffe, um caso de amor dos tempos em que a atriz morou em Londres, é o pai da moça, que até então se pensava ser filha de um inglês que Gladys conheceu numa festa onde Mick Jagger trajava um tutu de bailarina azul-celeste.

— Nunca escondi da Rachel que ela era filha de Woodstock — diz Gladys.

— O Lee era da nossa corriola em Londres. Naquela tarde, ele me ligou depois de uns 30 anos. Parei o carro na porta do Cevada para falar com calma e vi a Gladys. Não acreditei na coincidência. Dias depois, ela me manda um email com fotos dos filhos do Lee. Respondi: “Acabou a dúvida, amiga. Manda uma foto da Rachel para ele” — conta Neville.

A biografia de Gladys é assim: uma sucessão de casos surpreendentes, que ela relata com o dom de artista que Deus lhe deu. E o talento dela está voltando à cena “cabeça”. Musa do cinema marginal nos anos 70, queridinha de diretores como Julio Bressane e Domingos de Oliveira, a mulher feia viveu nos últimos anos uma sucessão de empregadas domésticas em novelas. Algumas inesquecíveis, diga-se, como a espalhafatosa Lucimar, de “Vale tudo”. Agora, no entanto, a atriz que nunca se encaixou nos padrões convencionais virou um documentário e está na mira de dois diretores cultuados, o pernambucano Cláudio Assis e o promissor Bruno Safadi, que a escalaram para seus próximos longas. O documentário é da cineasta Paula Gaitán, ex-mulher de Glauber, que resolveu contar a história da atriz no filme “Vida — Sobre Maria Gladys”, exibido no Festival do Rio, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e já agendado para o circuito de festivais europeus. A louca trajetória de Gladys merece mesmo platéia.

— O cinema brasileiro deve muito a Maria Gladys — diz Cláudio Assis. — Hoje se sacrificam talentos em prol de rostinhos bonitos. Há muito estou de olho nessa danada.

Voltemos aos anos 70. Naqueles tempos ainda de swinging London, a atriz vivia por lá, em Notting Hill, cercada por sua turma: Bressane, Neville, Rogério Sganzerla, Glauber, Dedé e Caetano Veloso, Sandra e Gilberto Gil, Hélio Oiticica, Jorge Mautner, Gal Costa, Tim Maia. Alguns eram moradores fixos, outros flutuantes. Todos enxotados do Brasil pela ditadura. Nascida e criada no subúrbio do Rio, histriônica, como bem a define seu amigo Bressane, Gladys caiu de boca no mundo. Virou hippie, adotou o visual psicodélico, tornou-se partidária do sexo livre, embarcou na onda do LSD. Sua única obrigação era assistir a concertos de rock. Com Tim Maia, companheiro de sempre, como Nelson Motta conta na biografia que escreveu sobre o cantor, ela viu o histórico show de Ray Charles no Royal Albert Hall. Na época, o par mais constante de Gladys era Lee Jaffe. Com ele, ela passou uma temporada em Nova York, onde freqüentou a galera de Andy Warhol. Segundo a atriz, a relação encaixava-se no estilo vigente: “Eu, você e todos nós.” No meio desse frenesi, no final de 1972, Gladys ficou grávida. As amigas se juntaram para fazer as contas e apontar o pai. Na regra de probabilidades, ganhou John Coward, com quem Rachel vive desde os 15 anos. O tal exame de DNA virou uma novela, ainda sem final feliz. Mãe e filha, amigas do peito, agora querem reverter a confusão.

— A gente chegou a Londres em pleno desbunde. Estava todo mundo tomando ácido na praça. Aí desbundamos também. O Lee era meu e de muitas outras. Mas acho que era mais meu — brinca Gladys. — Naquela tal festa, eu queria ter comido o Mick de bailarina. Mas acabei com o John. A Rachel nasceu em agosto de 1973, no Brasil. Com 15 anos, quis conhecer o pai que a gente arrumou para ela e se mandou para a Inglaterra. Agora está uma loucura. Como é que a gente vai contar para o John?

A essa altura do papo, Gladys já bebeu umas duas cervejinhas, fumou vários cigarros e percorreu alguns quilômetros: da cadeira de balanço, no fundo da sala, até o espelho, perto da porta. Ela estreou na vida já em grande estilo, causando barulho no bairro do Cachambi, subúrbio do Rio. A mãe de Gladys, também Rachel, tinha estreitamento de bacia e perdeu dois filhos no parto. Grandes e fortes, as crianças morreram asfixiadas. Quando Rachel engravidou pela terceira vez, a fofoca tomou conta da Rua Garcia Redondo. A vizinhança não se conformava. Apavorada, a mulher enfaixou a barriga para que o bebê não crescesse. Assim facilitaria o parto. Deu certo. Em 23 de novembro de 1939, nasceu Maria Gladys Mello da Silva. Sã e salva. Ela deveria ter se chamado Maria Inúbia. Mas, segundo acredita, foi salva pelo pai, um radiotelegrafista que trabalhava numa firma inglesa e gostava de nomes estrangeiros. Pensando bem, Maria Gladys é mesmo melhor do que Maria Inúbia.

— No meu aniversário, a rua parava. Todo ano eu vestia uma cor diferente. No ano em que usei amarelo, acordei com paralisia infantil. Minha mãe botou em mim a praga do amarelo. Nunca mais — conta. — Eu tinha 3 anos. Todo dia a gente pegava o bonde, depois um ônibus, e descia na Praça da Bandeira para ir ao médico. Eu tomava uma injeção chamada Zinfeni, que doía pra caralho. Meu único problema hoje é abaixar.

Na adolescência, Gladys ficou malfalada. Quando ela passava, a mulherada da rua cacarejava e jogava milho. Tudo porque a menina gostava de dançar nos bailões de Elizeth Cardoso. Tinha 12 anos. Aos 15, engravidou. Envergonhada, a família se mudou para o Grajaú, onde nasceu Glayson, mistura de Gladys e Edson, o pai, que logo sumiu no mundo. A mudança alterou o rumo da vida de Gladys. Na nova vizinhança, ela conheceu um menino chamado Roberto Carlos, e começou a namorá-lo. Ele tinha uma turma — Carlos Imperial, Tim Maia e Erasmo Carlos. Imperial organizava apresentações do bando no “Clube do rock”, na TV. Gladys virou umas das bailarinas oficiais do programa. Na biografia de Tim Maia, Nelson Motta descreve bem o clima: “O palco pegava fogo quando Carlos Imperial chamava os dançarinos Maria Gladys, Cidinho Cambalhota, Nilza, Bolão e Clito.” A farra durou até o final dos anos 50, quando ela se mudou com a família para Copacabana, porque queria fazer teatro.


— Passei a viver entre o Cervantes, o Beco da Fome e a praia. O Roberto já estava tocando na Boate Plaza. Só que já estava metido a besta. E eu estava entrando em outra — conta.
Em 1959, Gladys estreou no Teatro Municipal, com a peça “O mambembe”, de Arthur Azevedo. Em ótima companhia: Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Ítalo Rossi e Sérgio Britto. Foi um sonho entrar para a companhia Teatro dos Sete. Depois de dois trabalhos com o grupo, Gladys decidiu que seria uma atriz de verdade e enfiou a cara nos estudos. Nessa mesma época, conheceu Domingos de Oliveira.

— Ele foi o primeiro homem moderno que encontrei na vida — diz Gladys.
O diretor a introduziu de vez no mundinho do teatro intelectual. E ela passou a integrar a companhia Teatro Jovem, de Kleber Santos. Em “O chão dos penitentes”, apareceu com os seios nus no cartaz de divulgação da peça, entrando para a História como a primeira atriz séria a mostrar o corpo. Era a queridinha do grupo.

— A Gladys fez o papel principal de “Sétimo céu”, a primeira peça que montei, em 1962 — lembra Domingos. — Nunca namorei a Gladys. Como não tínhamos máscaras, logo vimos que éramos amigos. Mas ela era muito atraente, uma gata que atemorizava os homens por excesso de sinceridade. Gladys nasceu sem persona. É ela. Não se engana.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Odó-Ìyá!

Dia 2de fevereiro, dia importante para o país inteiro, dia em que é comemorado nos candomblés como o de Iemanjá, sereia dona do mar. Dandalunda, Janaína, Princesa de Aiocá, Inaê, Sereia, Mucunã, Maria, Dona Iemanjá: em todas as suas denominações, em todos os dias do ano, salve a Mãe de todos os orixás.

Para começar, Bethânia, que dispensa apresentações, impecável

Fabiana Cozza, excelente cantora, voz abençoada e marcante saudando e cantando para Iemanjá

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Black Swan





Dia desses olhando um blog vi uma lista dos filmes mais esperados de 2011 e entre eles estava Cisne Negro, achei o cartaz bonito, mas nem me importei em ler a sinopse. Algumas semanas depois procurando um filme qualquer para baixar me deparei com Cisne Negro legendado e coloquei pra baixar sem, de novo, ler a sinopse.
Comecei a assistir e nas primeiras cenas do já comecei a ficar inquieta. É um filme perturbante e sobretudo cativante, te faz sentir todas as agonias e dúvidas da protagonista, te faz querer dançar balé, quebrar as barreiras e o principal: faz com que tenhamos vontade de nos sentir perfeitos e inteiros.
Apesar de ser um filme curto, só 1h47min, quando acaba você está exausta e existem algumas perguntas que não lhe saem da cabeça. Ela morreu? A rival realmente existia (no sentido de ser rival)?
É um filme de terror psicológico onde a protagonista enfrenta todos a sua volta, e principalmente, enfrenta a si mesma.
É como uma frase do filme 'A única coisa que fica no seu caminho é você.' E não é assim com todos nós?

Natalie Portman está com atuação impecável e mais graciosa que nunca. Dança perfeitamente.
Vincent Cassel é capaz de manipular quem está assistindo e Mila Kunis está encantadoramente perversa.

Não vou falar da direção porque não sei absolutamente nada sobre. Só posso dizer que as cenas são perfeitas e a fotografia é linda.

Para quem ainda não viu o trailler:

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Achados os perdidos – Parte II

No masculino da música brasileira, como já disse aqui no Varal, Vinicius Calderoni foi meu grande achado de 2010. Compositor e cantor moderno, de musicalidade contagiante, antenado em nas diferentes linguagens, enfim, um cara que realmente merece atenção e está na ponta do movimento musical contemporâneo.

Pois bem, hoje venho apresentar meu grande achado no lado feminino da música: Áurea Martins. A intérprete contrapõe quase que totalmente ao Calderoni: ela é clássica, daquelas tipicamente clássicas. Excelente e intensa, mas também obscura, melancólica e rasgante. Penso no tempo que perdi por não conhecê-la antes


Hoje com 70 anos e mais de 50 de carreira, ainda circula pelo circuito undergound de bares e clubes do Rio de Janeiro, sua cidade natal. Seu álbum Até Sangrar, de 2008, faz jus ao nome que tem. A cantora dá às composições de Lupcínio Rodrigues o peso certeiro que deve ter, e até uma composição sutil de Herbert Vianna e Paula Toller (Nada Por Mim) ganha peso e intensidade na sua voz marcante. É uma grande viagem ao tempo. Não chega a ser um álbum de fossa, mas certamente é algo para se ouvir sozinho em alguma noite qualquer. Embriagando-se de álcool ou de mágoa.

Esse álbum necessário você encontra AQUI.

sábado, 16 de outubro de 2010

A voz de mentira


Encantei-me por essa moça há alguns anos atrás, logo na estréia de um site para o qual ela gravou um vídeo cantando sua composição Não Foi em Vão a capella. Ontem à tarde, meio que do nada, eu fiquei sabendo que à noite teria um show da atriz e cantora Thalma de Freitas no SESC de Barra Mansa, cidade vizinha a minha. Logo me animei e, convites arrumados, lá estava eu 30 minutos adiantado para ver o show. Esperava daquilo tudo um bom show, num tom intimista, voz pequena acompanhada por instrumentos em piano.

Sem grandes alardes a banda entrou no palco e tomou seus lugares. O público um pouco contido demais parecia nem perceber os músicos, em especial o grande Domenico Lancellotti, que conheci através do trabalho junto do Moreno Veloso e Kassin. Eles começam a tocar e, igualmente sem alarde, Thalma de Freitas entra no palco. Esguia, elegante, hábil em cima dos saltos de 12 centímetros, introspectiva como eu esperava. A canção era Cordeiro de Nanã, de longe minha preferida do repertório. Execução perfeita, Thalma é completamente afinada e concentrada ao cantar aquele ponto, como quem pede licença, como quem abre os trabalhos que estão por vir.

Thalma cumprimenta o público, abre o primeiro dos muitos sorrisos que estão por vir, fala do repertório e começa a fazer a segunda canção. É nesse momento que descobri que aquela voz era de mentira. A imagem introspectiva era de mentira. E mais: eu sairia do show tendo uma imagem completamente diferente.

Thalma é completamente sensual, tem olhar profundo e provocativo. Domina o palco em todas as suas dimensões. Vai ao chão com facilidade, fazendo bonitos e hipnotizantes desenhos com o corpo, num piscar de olhos está altíssima no alto daquela sandália, dominando também o ar, dançando como quem se inspira no oscilar vento.

A voz era de mentira. A voz é enorme como a artista. Acompanha cada movimentos dos instrumentos, vai aos tons opostos só por brincadeira. Estende notas com delicadeza impressionante, os melismas são pura viagem dela, puro deleite do público.

Ponto alto do show é a canção gravada para o projeto 3NaMassa, chamada de O Seu Lugar. É quase que indescritível o clima dessa música ao vivo, mas posso adiantar que é contagiante e excitante. Impossível não ficar absorto nos movimentos, na música e na voz.

Alegre e extrovertida, Thalma ainda faz muito show pela frente. Canta em espanhol, francês e italiano. Interage com o público, conta história, se emociona e deixa a certeza que estamos diante uma grande artista. Ainda que humilde e sem essa pretensão, uma diva.

Meu único arrependimento foi não ter levado a câmera para registrar as caras, bocas, danças e especialmente a voz da Thalma.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

VMB

O VMB terminou agora e é tanta emoção que eu nem sei por onde começar. Restart ganhou quase todos os prêmios da noite! Família Restart sempre unida, levanta a mão e faz o coraçãozinho! \o/ --> s2 Como se não bastasse todas essas alegrias, Valeska Popozuda encerrou a premiação junto do Gaiola das Cabeçudas. É um êxtase tão grande que fiz um poema concreto pós-moderno em homenagem a ela. Confirão, ok!?
Waleska
ou
Valeska
Vales
Ska
Sky
KY.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Vídeo delicinha

Não é nenhum dueto genial ou emocionante, mas vale muito a pena pela SENSUALIZAÇÃO. Irresistíveis e provocantes!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Abelha Rainha



Hoje é uma data que não poderia deixar passar em branco. Hoje é aniversário da pessoa mais linda do mundo e mais foda e mais diva e mais sobrenatural e completamente necessária: Maria Bethânia! Há 64 anos atrás nós todos ganhávamos esse presente. Eu sou completamente suspeito para falar, e confesso que sou passional quando o assunto é a Bê (reparem na intimidade, haha).

Maria Bethânia tem uma carreira pra lá de respeitável, já pedi a conta de quantos discos ela lançou, e trabalha cada dia mais. É uma artista versátil, que soube como ninguém unir seu lado romântico, seu lado religioso e seu lado subversivo sem nunca se perder por esses caminhos ou se confundir.



Mesmo tendo passado todo o contexto sócio-político que a fazia subversiva e atrevida em cima do palco, Bethânia ainda mantém toda sua vivacidade, canta como quem desafia a métrica, a música e a poesia. Doma todo o palco e toma para si as atenções quando canta e declama os mais variados versos. Bethânia é sempre atual, uma divindade em movimento e evolução.

Ainda que não se goste, que pense ser brega ou qualquer outra coisa do tipo, é muito claro que Maria Bethânia é impecável em cima do palco. Bethânia faz do palco o seu altar, e sua imagem de deusa inalcançável é logo contrariada pela sua simpatia e doçura. Quando alguém se permite sentir aquela energia é irreversível. Não se fica indiferente aos encantos, ao timbre singular e a altivez de uma filha de Iansã tão esplendorosa.

Parabéns a Maria Bethânia!