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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Juliano e sua lama

Tendo em vista a MPB como aquilo que junta tudo o que é realmente popular, acabamos de ganhar um dos maiores compositores/intérpretes dessa linha. 



Juliano Guerra,  nascido em Pelotas, acaba de lançar seu primeiro álbum, "Lama". Autor de todas as canções, Juliano brinca com a ciranda, samba, bolero e emociona com suas músicas extremamente bem escritas. São 10 faixas onde o cantor brinca entre o lúdico e o irônico, passa pelo protesto e abaca nas canções de amor, que tanto lembram Chico Buarque, Tom Jobim e Adoniram Barbosa. Destque para as excelentes "31 de Dezembro", "Transeunte",  "Inclemente" e para "A Lama", onde Juliano levanta bandeira contra a hipocrisia e desamor, faz menção aos absurdos que somos quando deixamos de ser nós mesmos, fala sobre desigualdade e suas estranhezas sobre o mundo com muito humor.

O CD está diponível para download gratuito no site do cantor e todas as informações de shows, sobre o CD e o cantor, na sua Fanpage no Facebook.



Lama - Juliano Guerra (2012).

01 - Ócio.
02 - 31 de Dezembro.
03 - Valsinha.
04 - Camélia.
05 - Piedade.
06 - Transeunte.
07 - Inclemente.
08 - Bolero.
09 - Samba Pela Ordem.
10 - A Lama.

Faça o download do CD AQUI.



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Frango com ameixas

Frango com ameixas retoma Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud as telas de cinema (os mesmos idealizadores de Persépolis). Adaptação da HQ da própria Satrapi, vêm ganhando movimento no cinema. A história acontece em Teerã, no Irã, onde um renomado violonista decide morrer após sua esposa quebrar seu instrumento. Nos oito dias que antecedem sua morte diversos acontecimentos que esclarecem o rumo da história são mostrados.



Grandes cenas são marcadas pela fumaça dos cigarros em várias gerações. O nascimento, a morte, as decisões que marcam todas as ramificações das histórias são contadas de forma incrivelmente lúdica e tristonha. No desenrolar dos fatos tudo muda, os personagens e sua ideia quanto a eles próprios. Triste e totalmente arrebatador. Recomendo.









terça-feira, 13 de março de 2012

Adeus à carne ou Go to Brazil



Admito que fiquei bastante apreensiva com Adeus À Carne após ler algumas críticas de expectadores que o apontaram como hermético, denso, uma grande masturbação artística pro ego pro Melamed. As imagens da divulgação da peça já dava como pista ser bem ousado, nada convencional e simplesmente um deleite pros olhos. 

Em todo o percurso até o Teatro Sesc Ginástico no Rio contorcia-me na expectativa. Com um preço totalmente acessível, bem localizado e divulgado nos grandes meios a casa estava lotada. Sentei bem próxima ao palco, podia ouvir a respiração deles, sentir tudo de forma mais acalorada. Passado os 80 minutos, levantei-me e fui embora meio desorientada, perplexa, foi perturbador. 

Incrivelmente, deliciosa e totalmente mordaz de uma forma totalmente humana, errante, pulsante. Creio agora, passado alguns dias após ter visto a peça, ter sido apontada como hermética por muitos pela sua falta de convencionalismo, poucas falas e algumas cenas realmente soltas em relação ao contexto da sua própria peça. Contudo quem se propor a assistir Adeus À Carne não pode esperar nada menos impactante que o próprio Carnaval pode nos transmitir. Os conceitos como abre-alas, ala das baianas, das crianças, a velha guarda, mestre sala e porta-bandeira são apresentados de forma totalmente espantosa e usam nossas mazelas como base. Aponta diretamente os meios de comunicação televisiva de forma escrachada, zombando na cara de todos, as relações humanas e seus defeitos. Ousado em suas cenas: jogos com cordas, velas, caixão, carrinho de bebê, buquê de rosas à cora de flores. A iluminação cega nossas vistas e a sonoplastia é papel fundamental em todo o desenrolar. Recomendo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Blind Pilot lança novo álbum

Para quem ainda não conhece a banda, Blind Pilot foi uma das maiores revelações da música folk no último ano.  A banda que inicialmente contava com apenas dois membros, Israel Nebeker na voz e violão e Rian Dobrowski na percussão, hoje conta com  seis membros e instrumentos como gaita de fole e vibrafone.
A música de Blind Pilot conquista por sua leveza e simplicidade, que fez com que se destacassem no cenário de Portland, Oregon de onde a banda veio e onde há uma grande concentração de bandas folks. São músicas simples que lhe dão uma vontade de ficar cantarolando durante o dia, músicas que cantam a singeleza do cotidiano, das dúvidas diárias. Talvez seja esse o motivo pelo qual eles tenham passado de pequenas "turnês de bicicleta" à grandes concertos com milhares de pessoas.
Com a nova incorporação de novos instrumentos a música tornou-se um pouco mais complexa, mas ainda com seu tom de simplicidade, algo como um lo-fi de qualidade. Seria difícil dizer qual álbum seria o melhor, se 3 rounds and a sound, ou o novo, lançado ontem, We Are The Tide.

E deixo aqui uma pequena amostra do trabalho desenvolvido pela banda no novo álbum.


terça-feira, 5 de julho de 2011

Negligenciados: Zé Renato

Eu conheci Zé Renato em 2007, pelo seu CD de 2001 intitulado Filosofia, só com composições de Noel Rosa e Chico Buarque. Logo à primeira "ouvida", me apaixonei pelo timbre e pela interpretação de Olhos nos Olhos, uma das melhores que conheço (só não é a melhor porque Maria Bethânia é Maria Bethânia, né? haha). Zé tem um timbre admirável e traz precisão técnica nas suas interpretações, sem nunca deixar de lado a emoção, tão importante e presente na MPB. Apesar dos seus 34 anos de carreira, o cantor é ainda pouco conhecido, e por isso hoje está aqui na série Negligenciados.

Zé Renato começou sua carreira artística participando de festivais. Em 1977, integrou o grupo Cantares, ao lado de Marcos Ariel, entre outros, com o qual lançou um compacto duplo pela Funarte, no ano seguinte, no projeto "Vitrines". Em 1979, formou, com Cláudio Nucci, David Tygel e Maurício Maestro, o quarteto vocal e instrumental Boca Livre, com o qual ganhou projeção nacional e gravou vários discos.

Construiu sua carreira solo paralelamente ao seu trabalho com o Boca Livre, participando individualmente de vários projetos musicais. Em 1982 lançou Fonte da vida, seu primeiro disco solo, e, no ano seguinte, Luz e mistério. A partir de 1984 começou a atuar em dupla com Cláudio Nucci, com quem lançou o disco Pelo sim, pelo não. Suas canções Pelo sim, pelo não (com Cláudio Nucci e Juca Filho) e A hora e a vez (com Cláudio Nucci e Ronaldo Bastos), gravadas nesse disco, foram incluídas na trilha sonora de "Roque Santeiro", novela da TV Globo.

São vários os seus discos, incluindo parcerias magistrais com que vão de Tom Jobim a Arnaldo Antunes. Zé Renato também tem dois CD's de forró para crianças, um projeto premiado em alguns eventos de música, como o Prêmio Tim. Atualmente o cantor prepara o álbum Imbora, que deve ser lançado muito em breve. Vale a pena conhecê-lo melhor e admirar-se com essa voz.

Alguns discos disponíveis AQUI | Site Oficial | MySpace

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Chá de Bebê

A banda/duo/dupla Letuce está com um projeto novo na área para a produção de um segundo disco. Todo mundo sabe que disco é caro, então, para viabilizar essa loucura que eles produzem em forma de som, embarcaram numa vaquinha chamada Bolacha, onde os fãs podem adquirir coisas como um jantar com a banda, um show, um picnic e outras coisas também mais modestas. Tudo muito transparente, com valores e descrição, vídeo explicativo e bonitinho está disponível lá no site do Projeto. Ajudem, divulguem e vamos patrocinar a loucura. Arte também é produto, e se o produto for arte, melhor para o mundo!