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terça-feira, 13 de março de 2012

Adeus à carne ou Go to Brazil



Admito que fiquei bastante apreensiva com Adeus À Carne após ler algumas críticas de expectadores que o apontaram como hermético, denso, uma grande masturbação artística pro ego pro Melamed. As imagens da divulgação da peça já dava como pista ser bem ousado, nada convencional e simplesmente um deleite pros olhos. 

Em todo o percurso até o Teatro Sesc Ginástico no Rio contorcia-me na expectativa. Com um preço totalmente acessível, bem localizado e divulgado nos grandes meios a casa estava lotada. Sentei bem próxima ao palco, podia ouvir a respiração deles, sentir tudo de forma mais acalorada. Passado os 80 minutos, levantei-me e fui embora meio desorientada, perplexa, foi perturbador. 

Incrivelmente, deliciosa e totalmente mordaz de uma forma totalmente humana, errante, pulsante. Creio agora, passado alguns dias após ter visto a peça, ter sido apontada como hermética por muitos pela sua falta de convencionalismo, poucas falas e algumas cenas realmente soltas em relação ao contexto da sua própria peça. Contudo quem se propor a assistir Adeus À Carne não pode esperar nada menos impactante que o próprio Carnaval pode nos transmitir. Os conceitos como abre-alas, ala das baianas, das crianças, a velha guarda, mestre sala e porta-bandeira são apresentados de forma totalmente espantosa e usam nossas mazelas como base. Aponta diretamente os meios de comunicação televisiva de forma escrachada, zombando na cara de todos, as relações humanas e seus defeitos. Ousado em suas cenas: jogos com cordas, velas, caixão, carrinho de bebê, buquê de rosas à cora de flores. A iluminação cega nossas vistas e a sonoplastia é papel fundamental em todo o desenrolar. Recomendo.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cine 2011

Três filmes que marcaram 2011 cinematograficamente:

Tudo pelo poder



Com direção, roteiro e atuação de George Clooney, Tudo pelo poder já entraria pra história do cinema somente por esse fato. Mas, o drama vai além das expectativas, poderia até cair na mesmice pelo tema ou até mesmo hipocrisia, contudo prende o espectador do início ao fim. Excelente roteiro, com boas atuações, com a duração correta, ápice e desfecho com maestria. As suaves comparações com os governos americanos dá todo um ar humano e errante a narração. Ryan Gosling merece destaque. E ponto positivo para a capa principal do filme que ficou fantástica.

Amores Imaginários



Direção, roteiro e atuaçãode Xavier Dolan (o mesmo de Eu matei a minha mãe). Nesse filme Dolan acerta na direção, nas cores, nos enquadros de cena, na trilha sonora, no figurino, mas o roteiro em si é extramente pobre. A trama só prossegue pela direação, o enredo é parco, aguado, decepcionante até. A beleza de Niels Schneider dá todo um toque romântico as cenas, o alaranjado na camisa, o cabelo dourado. Enfim, poderia ter sido um ótimo filme, mas deixou a desejar.

A pele que habito



Grandes expectativas dos fãs de Almodóvar, talvez repreensivos por ser um filme que tem uma atmosfera de mistério, suspense. Um grande e inovador filme. Surpreendente como somente Almodóvar sabe ser. Roteiro inusitado, atuações primorosas, desfechos que beiram a loucura, a adoração e a paixão. Encantador de uma forma totalmente humana, pecadora e errante. No desenrolar da história se criam mentalmente várias respostas e todas elas se mostram falhas próxima ao fim. É um filme pra se digerir durante uns dias.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Alessandra Leão

Pucos grupos brasileiros renderam quanto o Comadre Fulozinha. Para quem não liga uma nome ao outro, Comadre é o grupo de Karina Buhr e mais um monte de outras moças talentosíssimas que resolveram caminhar sozinhas depois de um tempo de estrada juntas. Uma delas é Alessandra Leão, de quem eu já deveria ter falado há muito tempo por aqui.

Alessandra Leão é percussionista, compositora e cantora. Iniciou sua carreira em 1997 com o grupo Comadre Fulozinha e atuou ao lado de músicos como Antônio Carlos Nóbrega, Siba, Silvério Pessoa, Zé Neguinho do Coco, Kimi Djabaté (Guiné Bissau), Florencia Bernales (Argentina), entre outros. Compôs em parceria com: Caçapa, Juliano Holanda, Chico César e Kiko Dinucci.

Em 2006, Alessandra deu início ao seu trabalho autoral, com o elogiado Brinquedo de Tambor, produzido e arranjado em parceria com o violeiro, compositor e arranjador Caçapa.

O projeto para o segundo CD solo, “Dois Cordões”, foi selecionado no Programa Petrobras Cultural e patrocinado pela Petrobras por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Produzido e arranjado por Caçapa e lançado em 2009, “Dois Cordões” conta com as participações de: Jorge Du Peixe (Nação Zumbi), Kiko Dinucci, Florencia Bernales (Argentina) e Victoria Sur (Colômbia).
Em seus dois CD's, Alessandra passeia por seu universo próprio de composições e também por importantíssimos compositores, como Biu Roque, que já foi gravado por grandes nomes da música brasileira, como Zeca Pagodinho e Roberta Sá, que fez o seu “Quando O Canto É Reza” somente com composições de Biu.

O seu som nos remete a também ótima Renata Rosa, que já comentei por aqui outras vezes. É folk brasileiro da melhor qualidade, com as inegáveis influências do outro lado do Atlântico. Alessandra se afasta da onda moderninha que mescla samba e MPB, fórmula muito utilizada pelas cantoras da atualidade. Seu canto é áspero e rico em influências tipicamente brasileiras e ancestralidade, dando um tom autêntico e encantador aos seus trabalhos.Imperdível!

Brinquedo de Tambor (2006) | Dois Cordões (2009) | MySpace |




terça-feira, 8 de novembro de 2011

Melancolia




Minha maior decepcção cinematográfica do ano e quiçá da carreira do perturbador diretor Lars von Trier. Melancolia se divide em dois blocos onde tem a visão de cada uma das irmãs sobre a presença do planeta Melancolia que ameaça se chocar com o nosso. Plásticamente têm cenas bem amplas, agradáveis visualmente. Alguns diálogos são instigantes, o filme no todo sempre parece que vai "pegar no tranco", ir pro ápice, mas é totalmente morno, sem função, falta o nó na garganta que é marca do Lars. Quem já assistiu Dançando no escuro, Ondas do destino ou Idiotas, vai ficar aguardando a mesma sensação de ser pisoteado por toda a humanidade no final da trama, mas na verdade esse filme nem melancolia conseguiu me transmitir. Totalmente decepcionante, parco, aguado, sem função, sem gosto.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Björk e seu Biophilia

Depois te ter lançado clipe no Youtube da canção Crystalline, em julho, Björk liberou seu oitavo álbum para ouvir on line e na íntegra nessa quarta-feira. Oficialmente, Biophilia será lançado em 10 de outubro, nos formatos de CD, vinil e aplicativos para iPad.

Biophilia (2011):
1 - "Moon"
2 - "Thunderbolt"
3 - "Crystalline"
4 - "Cosmogony"
5 - "Dark Matter"
6 - "Hollow"
7 - "Virus"
8 - "Sacrifice"
9 - "Mutual Core"
10 - "Solstice"


Músicas do digipak:
11 - "Hollow" (versão original de 7 minutos)
12 - "Dark Matter" (com Choir & Organ)
13 - "Nattura"

Clique AQUI para ouvir o álbum na íntegra.