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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Preconceitozinho

Já que é um assunto muito ~em voga~, vamos falar de preconceito e fobias aqui no Varal Fult. O vídeo é realmente ótimo, um convite bem humorado a reflexão.

Por trás de discursos de diversos setores da sociedade, esconde-se um terrível preconceito. Muitas vezes, ele não é percebido nem por seus interlocutores. As verdadeiras aversões do povo brasileiro são aqui tratadas através de inversões. As contraversões dos discursos tornam-se mais claras quando mudam seus alvos. Fazendo do comum, bizarro, pretende-se mostrar uma outra versão do natural, que é, também, uma alteração.

Curta produzido em 2007.2 para a ECO - UFRJ


sexta-feira, 11 de março de 2011

Preconceito no Cinema



Tá bem, admito que quando fui ao cinema assistir Bruna Surfistinha tinha lá meus receios, achei que seria só sacanagem e blá, blá, blá. Mas, as poucas opções em exibição me forçaram a assistir. Agora dou o braço a torcer, o filme é bom sim. Recomendo a todas as pessoas e quando o cartaz dizia: "Leve seu namorado, seus amigos, mas vá sem preconceitos" tinha toda a razão.
Obviamente o filme todo terá cenas de sexo aos montes, ela é uma prostituta, uma missa que não cairia bem no contexto. E apesar de ver os peitos da Debora Secco o filme todo não o achei apelativo. A palavra que se encaixa melhor seria "agressivo". O primeiro programa ou quando ela faz fila pra fazer programas por vinte reais (Momento Vanessão) são afiadas, incomoda. Em outros pontos passa a ser normal, comum como ela mesmo via, como ela mesmo dizia não diferenciar seus clientes não diferenciava o sexo.
A fotografia é boa, me surpreendeu bastante, bem urbana, cigarro na janela, um ponto verde no cinza de um prostíbulo. Ponto alto pra trilha sonora também, teve seu encaixe. Alguns efeitos que me surpreenderam e que não costumo ver em filmes nacionais. Um roteiro que tem fôlego, boas atuações, no mais o filme em si é muito bom. Logo quando fui ler as críticas diversas pessoas indo contra o filme, dizendo ser apelativo, fraco, que passamos uma visão pejorativa pro público internacional com esse filme ou que as criancinhas do país teriam um péssimo exemplo. Bem, as adoráveis crianças tem acesso a internet o que faz elas saberam mais que a Bruna em si. Hipocrisia pura, se fosse uma cena de Almodóvar todos achariam arte, se fosse um clássico alemão todos comprariam o filme, mas por ser nacional as pessoas falam mal. Não levanto a bandeira de ninguém, admito nem ir muito com a cara da Bruna Surfistinha. Lembro que quando saiu o livro nem dei muita importância e tal, mas o filme eu recomendo e mais recomendo que as pessoas trepem mais.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Bang-bang nacional

Com o download, a pirataria, o DVD, o ato de ir ao Cinema entrou em declínio claro. O Cinema Nacional principalmente é renegado por muitos que da própria nação, dizem que não entendem, que é desnecessário, resumem a ponochanchada. Mas, de uns tempos pra cá tenho notado que ir ao cinema tá quase impraticável nos finais de semana, filas enormes e pra minha grande surpresa as salas lotadas estavam passando Tropa de Elite 2. Pais, filhos, amigos, namorados, todo mundo vibrando com o Capitão Nascimento, mandando a milícia tomar no cú no final do filme e o carinha que vende por 3 pratas o piratão tava vendendo que nem água, mas o cinema permanecia cheio.
É, criaram uma formula pro Cinema de Ação Nacional que tá dando MUITO certo. Hollywood nada, 007 tá irreal demais, o povo quer é ver tiroteio na favela, o pancadão tocando, o tráfico que ele convive, o bang-bang mais nacional possível. Falar da nossa própria ação tá dando certo. Carandiru, Cidade de Deus, Cidade dos Homens, Tropa de Elite 1 e 2 todos eles tem lotado as salas e refletindo a nossa imagem lá fora. E por incrível que pareça, gringo ainda gosta de favela. A lista tá crescendo, logo, logo entra em cartaz Federal e outros do gênero.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Blue Eyed – De olhos Azuis

Todo mundo tem uma lista particular com alguns filmes para levar na memória ou na estante pelo resto da vida. Muitos desses filmes são belos romances, histórias de superação com fotografia impecável e trilha sonora inesquecível ou comédias divertidas e emocionantes. Na minha lista particular que é bastante restrita, figura um excelente documentário do ano de 1996 chamado Blue Eyed. Sim, um documentário. Esse é um daqueles filmes que são obrigatórios, que ninguém deveria deixar de assistir tamanha a sua relevância e sensações que provoca



No documentário, a professora e socióloga estadunidense Jane Elliot aplica um workshop para trabalhar sobre a discriminação racial inerente à sociedade norte-americana. Para tal, ela divide os participantes em dois grupos: um grupo com olhos claros e outro grupo de pessoas com olhos escuros. Todos conhecem as regras do “jogo”, porém sem saber muito bem o que estava por vir. Jane, com maestria admirável e invejável, conduz o exercício desconstruindo a ordem social vigente, onde brancos têm vantagens sobre os negros, levando-os para o outro lado da história, criando então um microcosmo para isso. Parece simples como criar um teatrinho de “faz de conta”. E é simples. Contudo, as reações são surpreendentes e também comoventes.

Durante o exercício realizado, quem participa e quem assiste são levados a pensar sobre todos os seus preconceitos, não apenas o preconceito racial tão bem camuflado no Brasil. É impossível descrever na íntegra as tantas feridas onde o documentário toca, e tamanha a intensidade com que tudo acontece. Poucos filmes me despertaram tantas emoções e reações, é verdadeiramente atordoante, emocionante e absolutamente imperdível. Não há como ficar indiferente após assisti-lo.

O vídeo está disponível no YouTube e está dividido em 12 partes. Pode ser trabalhoso, mas vale a pena. Abaixo, a primeira parte, e a partir desta facilmente encontrarão link para as demais: