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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Frango com ameixas

Frango com ameixas retoma Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud as telas de cinema (os mesmos idealizadores de Persépolis). Adaptação da HQ da própria Satrapi, vêm ganhando movimento no cinema. A história acontece em Teerã, no Irã, onde um renomado violonista decide morrer após sua esposa quebrar seu instrumento. Nos oito dias que antecedem sua morte diversos acontecimentos que esclarecem o rumo da história são mostrados.



Grandes cenas são marcadas pela fumaça dos cigarros em várias gerações. O nascimento, a morte, as decisões que marcam todas as ramificações das histórias são contadas de forma incrivelmente lúdica e tristonha. No desenrolar dos fatos tudo muda, os personagens e sua ideia quanto a eles próprios. Triste e totalmente arrebatador. Recomendo.









terça-feira, 8 de novembro de 2011

Melancolia




Minha maior decepcção cinematográfica do ano e quiçá da carreira do perturbador diretor Lars von Trier. Melancolia se divide em dois blocos onde tem a visão de cada uma das irmãs sobre a presença do planeta Melancolia que ameaça se chocar com o nosso. Plásticamente têm cenas bem amplas, agradáveis visualmente. Alguns diálogos são instigantes, o filme no todo sempre parece que vai "pegar no tranco", ir pro ápice, mas é totalmente morno, sem função, falta o nó na garganta que é marca do Lars. Quem já assistiu Dançando no escuro, Ondas do destino ou Idiotas, vai ficar aguardando a mesma sensação de ser pisoteado por toda a humanidade no final da trama, mas na verdade esse filme nem melancolia conseguiu me transmitir. Totalmente decepcionante, parco, aguado, sem função, sem gosto.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Thalmíssima

Hoje no twitter a cantora e atriz Thalma de Freita disponibilizou seu ensaio caseiro com o ótimo violonista Paulão Sete Cordas. O ensaio reúne pérolas como A Flor E O Espinho, Não Foi Em Vão, O Meu Mundo Caiu e até a antiquíssima Risque, que aprendi a cantar ouvindo um LP pura mágoa do Altemar Dutra que minha mãe tinha. É pra dilacerar sem dó, Thalma e sua precisão técnica aliada a emoção:


segunda-feira, 28 de março de 2011

O Palhaço


Hoje, dia 28/04, foi divulgado o trailler do filme O Palhaço, que conta com Selton Mello como diretor, redator e protagonista. Selton estreiou como diretor em longas em 2008, com o cansativo drama Feliz Natal (muito bem criticado pela mídia). O ator e diretor volta às telas com um drama, mas pelo visto bem mais leve e dinâmico.

O Palhaço, que começou a ser rodado no dia 2 de março, em Paulínia, São Paulo, conta a história de Pangaré, um palhaço que atravessa uma crise existencial. Paulo José vive Puro-Sangue, pai do personagem de Selton. As filmagens terminaram em 13 de abril e teve também locações em Ibitipoca, Minas Gerais.

Pelo trailler logo abaixo, podemos esperar uma fotografia muito bonita, que à primeira vista me remeteu ao estrangeiro Peixe Grande. O filme contou com um modesto orçamento em torno de 5 milhões de reais. Segundo o próprio Selton, a idéia do filme surgiu num momento depressivo onde repensava sua vida e estava insatisfeito com sua carreira. Apesar disso, o personagem não é autobiográfico, mas sim metafórico. Particularmente, penso que momentos assim sempre rendem ótimos trabalhos. Vale a pena conferir!


Benjamim (Selton Mello) e Valdemar (Paulo José) formam a fabulosa dupla de palhaços Pangaré e Puro Sangue. Benjamim é um palhaço sem identidade, CPF e comprovante de residência. Ele vive pelas estradas na companhia da divertida trupe do Circo Esperança. Mas Benjamim acha que perdeu a graça e parte em uma aventura atrás de um sonho.

terça-feira, 22 de março de 2011

1 + 1 = 1



O filme Incêndios (Incendies) traz a história de uma mãe ausente com gêmeos, após sua morte eles recebem um testamento dizendo pra procurarem o pai (que consideravam morto) e mais um irmão desconhecido para entregar uma carta. Uma mãe distante que em um país distante, em guerra, esfacelado conta sua história, suas torturas, seus pesadelos e seus segredos.
Sua filha vai até o Oriente Médio pra buscar pistas sobre o paradeiro de ambos. Descobre sobre a vida dela, da mãe, do irmão gêmeo, do irmão desconhecido e do pai que está vivo. Rejeitada em um país desconhecido, língua, costumes diferentes, tudo é arisco.
O filme já começa demonstrando uma trilha sonora peculiar que se encaixa de forma primorosa na trama. Planos interessantes, cortes de cena que se encaixam bem, fotografia perfeita. Diálogos e leituras de cartas que deixam o espectador com água nos olhos. Sim, eu chorei no fim do filme.
O filme pode se alongar de certa forma, mas quando tudo se encaixa é totalmente perdoável. Lindo, tocante, humano e surpreendente. O melhor filme do ano, de longe merecia o Oscar de filme estrangeiro. Recomendo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sessão Dupla

Pleno domingo, pegar sessão dupla na Estação Botafogo *__*

Primeiro filme: Você vai conhecer o homem dos seus sonhos - Woody Allen

Algumas histórias que se cruzam, mesclam e muda no final. Tem seus pontos altos, mas não é um bom filme. E eu sempre vou dizer que esse filme NÃO É DO WOODY, NÃO É!
Ele começou a me "desagradar" logo quando fez Vicky Cristina Barcelona. Não é a mesma coisa. Sim, ele tem direito de novos rumos, novos estilos, mas sempre saímos do cinema com aquela sensação de que não tem os dedos do Allen na história. Alguns pontos são bem manjados, não tem nada de surpreendente. Quem assiste até se esforça por ser o Allen, contudo a história é monótona e nada muda isso. O que vale o ingresso de cinema é a presença do Antonio Banderas e o desfecho da personagem Helena adoça o final de forma decadente e irônica.



Segundo filme: Biutiful - Alejandro González Iñárritu

Sim, é um filme bem longo, mas não tiraria nenhum minuto do filme. Eduard Fernández, o dono da bundinha mais sexy do cinema, tem o olhos molengas perfeitos pra esse drama. Os detalhes do filme o torna ímpar: o casal homossexual asiático explorador, os negros traficantes, as mariposas no teto, a mãe bipolar que enoja e dá vontade de abraçar por ela simplesmente demonstrar quem é e não ter medo disso. Ele ser médium e seus laços com o pai que nunca conheceu. Sim, vale muito a pena ver o filme.



Dica pro paladar:
Frappuccino no Starbucks, delícia.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Never Let Me Go


No dia 23 de outurbro de 2010 eu pibliquei aqui um texto da Folha que falava sobre o drama Não Me Abandone Jamais, contendo sinopse e crítica, texto esse que me fez ter muita vontade de assisti-lo. Só agora fui ver o filme, e posso resumir em uma palavra: paralisante.

É uma película sem respostas, que te deixa meio que sem reação por gerar tantas perguntas. Um drama dos bons, onde a natureza humana e o amor são explorados de forma sutil e profunda ao mesmo tempo.

É uma distopia sobre o silêncio, a aceitação, a natureza, a impiedade, os limites, a pequeneza do homem, a fragilidade e a alienação. Imperdível e está mais que recomendado! A fotografia melancólica é um deleite a parte.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Black Swan





Dia desses olhando um blog vi uma lista dos filmes mais esperados de 2011 e entre eles estava Cisne Negro, achei o cartaz bonito, mas nem me importei em ler a sinopse. Algumas semanas depois procurando um filme qualquer para baixar me deparei com Cisne Negro legendado e coloquei pra baixar sem, de novo, ler a sinopse.
Comecei a assistir e nas primeiras cenas do já comecei a ficar inquieta. É um filme perturbante e sobretudo cativante, te faz sentir todas as agonias e dúvidas da protagonista, te faz querer dançar balé, quebrar as barreiras e o principal: faz com que tenhamos vontade de nos sentir perfeitos e inteiros.
Apesar de ser um filme curto, só 1h47min, quando acaba você está exausta e existem algumas perguntas que não lhe saem da cabeça. Ela morreu? A rival realmente existia (no sentido de ser rival)?
É um filme de terror psicológico onde a protagonista enfrenta todos a sua volta, e principalmente, enfrenta a si mesma.
É como uma frase do filme 'A única coisa que fica no seu caminho é você.' E não é assim com todos nós?

Natalie Portman está com atuação impecável e mais graciosa que nunca. Dança perfeitamente.
Vincent Cassel é capaz de manipular quem está assistindo e Mila Kunis está encantadoramente perversa.

Não vou falar da direção porque não sei absolutamente nada sobre. Só posso dizer que as cenas são perfeitas e a fotografia é linda.

Para quem ainda não viu o trailler:

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Nicholas Gunty


Entro no meu twitter e percebo a presença de um novo follower. Nicholas Gunty. Minha primeira reação, claro, foi me perguntar “quem é esse ser?”. Abri seu perfil e li sua biografia, que traduzi livremente, “Músico indie folk de South Bend, Indiana, influenciado por Fleet Foxes, Iron & Wine, Paul Simon, Andrew Bird e Good Old War”.

Quando li isso não pude deixar de ouvir, até porque das seis bandas/artistas citados cinco são bandas/artistas que gosto muito, e isso porque nunca cheguei a ouvir Good Old War. Entrei na página do MySpace dele e pus-me a ouvir.

A música é caracterizada como o típico folk americano, voz e violão, com eventuais entradas de violinos, pianos e bandolins. Porém o que chama bastante atenção é a voz suave e agradável com a qual canta, lembrando algumas vezes Joshua Radin, mas ainda mantendo sua identidade.

Possui apenas um álbum, homônimo, gravado, produzido e editado por ele mesmo. O álbum possui doze maravilhosas músicas, maioria disponíveis para serem ouvidas em seu MySpace e outras apenas disponíveis para compra no iTunes.

Como todo bom folk, tem tom um tanto triste, solitário, lembrando interiores remotos e campos vastos, algo para se ouvir em momentos específicos para não correr o risco de não entender sua genialidade. Bem, mas mesmo fora destes momentos ainda é uma ótima lista de reprodução.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Achados os perdidos – Parte II

No masculino da música brasileira, como já disse aqui no Varal, Vinicius Calderoni foi meu grande achado de 2010. Compositor e cantor moderno, de musicalidade contagiante, antenado em nas diferentes linguagens, enfim, um cara que realmente merece atenção e está na ponta do movimento musical contemporâneo.

Pois bem, hoje venho apresentar meu grande achado no lado feminino da música: Áurea Martins. A intérprete contrapõe quase que totalmente ao Calderoni: ela é clássica, daquelas tipicamente clássicas. Excelente e intensa, mas também obscura, melancólica e rasgante. Penso no tempo que perdi por não conhecê-la antes


Hoje com 70 anos e mais de 50 de carreira, ainda circula pelo circuito undergound de bares e clubes do Rio de Janeiro, sua cidade natal. Seu álbum Até Sangrar, de 2008, faz jus ao nome que tem. A cantora dá às composições de Lupcínio Rodrigues o peso certeiro que deve ter, e até uma composição sutil de Herbert Vianna e Paula Toller (Nada Por Mim) ganha peso e intensidade na sua voz marcante. É uma grande viagem ao tempo. Não chega a ser um álbum de fossa, mas certamente é algo para se ouvir sozinho em alguma noite qualquer. Embriagando-se de álcool ou de mágoa.

Esse álbum necessário você encontra AQUI.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Dedo de prosa



Bem, como todos sabem, eu e o Darlan (mais conhecido como Darlanhouse pelo twitter) somos os fundadores do Varal Fult. Foram muitas matérias, entrevistas, vídeos, novidades e raridades. Resolvemos que pra dar uma melhorada no nosso espaço vamos convidar outras pessoas para fazer um post-teste. Isso consiste em um post comum, nos moldes de texto+vídeo+imagem+link's+algumacoisaqueoautorqueira. Bem, depois de todos os convidados postarem vamos fazer uma pequena votação com direito a coquetel e tudo mais. Aí, teremos o novo integrante desse humilde espaço. Em breve vem post-teste aí, fiquem de olho.

sábado, 23 de outubro de 2010

Não Me Abandone Jamais

O filme, baseado no romance homônimo de Kazuo Ishiguro, acompanha a vida de três britânicos desde que são crianças num colégio interno no interior do país.

Lá, a disciplina é rígida. Eles têm que comer bem e se exercitar muito para manter o corpo saudável. São crianças tristes, parecem normais, até que um dia uma professora lhes conta a verdade. Estão sendo criadas apenas para doarem seus órgãos aos que ficam doentes.

Na ficção de Ishiguro, esta foi a saída encontrada pela medicina para aumentar a longevidade: trocar órgãos que não funcionam. A revelação não altera muito a vida dos três, interpretados quando adultos por Carey Mulligan, Keira Knightley e Andrew Garfield.

São muito amigos, vivem sempre juntos até que Ruth (Keira) e Tommy (Andrew) começam um romance, o que faz Kathy (Carey) se sentir traída e com ciúmes. O filme não se aprofunda nas questões éticas nem explica a criação dos doadores.

Para o diretor, Mark Romanek, o foco está na história de amor. "Apesar dos componentes de ficção científica, é um triângulo amoroso entre pessoas que conhecem seu destino e o aceitam", disse.

Romanek é um diretor competente, mas abusa de clichês para ampliar o drama: fecha a câmera numa bolinha de críquete esquecida no gramado ou em sacos plásticos presos a cercas. Mas o texto de Ishiguro, preservado na adaptação, garante uma certa qualidade a esse filme, que, mais do que qualquer outro, depende do estado de espírito de quem estiver assistindo.

O estado de espírito também determinou o efeito que as filmagens tiveram no trio de protagonistas. Andrew diz que ficou deprimido. "Quando li o roteiro pela primeira vez, senti um incômodo. Depois, passei a pensar muito na morte", afirmou o ator, que tem 27 anos.

É um filme para pensar sobre o sentido da vida, o papel que cada um tem na sociedade e sobre a morte.

Fonte: Folha Ilustrada

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Festa da Menina Morta (2008)

Há algum tempo já eu e a Diana vínhamos pensando em escrever juntos sobre esse filme tão singular, mas acabávamos adiando, até que essa semana esse texto a quatro mãos tomou vida. Bora lá então!O filme nasceu com uma expectativa enorme por o Matheus Nachtergaele ser o diretor, seu primeiro longa-metragem. Diferente do entediante Feliz Natal, estréia de Selton Melo como diretor, A Festa da Menina Morta empolga e faz-nos criar expectativas no que ainda estar por vir.

Com roteiro de Matheus e Hilton Lacerda, o filme retrata a vida de uma população ribeirinha do alto Amazonas, onde há vinte anos o menino Santinho (Daniel de Oliveira) recebeu em suas mãos, da boca de um cachorro, os trapos do vestido de uma menina desaparecida. Ela jamais foi encontrada. O vestido virou coisa sagrada. Desde então se celebra a tal a Festa da Menina Morta, quando, no ápice da festa cerimonial, a menina manifesta por meio de Santinho, as revelações para o ano que virá.

A figura afetada do Santinho, cheio de vontades e que se afoga no próprio ego dá sustentação para todo povo da cidade e região. Gente pouco instruída, mas com muita fé, por ser a fé o bem maior que possuem. A mesma cidade que se ajoelha e beija os pés do Santinho, pede graças, faz do dia da Festa da Menina Morta um evento onde a essência religiosa é perdida e entra os costumes pagãos, como a barraquinha de churrasco com cerveja e cachaça, a dança e a diversão.

Este é um filme de grandes interpretações, com destaque especial para Daniel Oliveira, supracitado, e o pouco conhecido Juliano Cazarré (Tadeu), que dá vida a um dos personagens mais dramáticos e complexos da história, o irmão da menina morta, que sofre com o drama de perdê-la e ver um circo armado em torno da fatalidade.

De modo até mesmo um pouco cruel, o roteiro nos mostra como é fácil a mitificação de um ato banal, onde um povo que vive numa terra remota e esquecida pelos seus compatriotas e quem sabe até por Deus. Um povo de tantas carências encontra força na fé, por mais absurda que essa fé possa parecer aos olhos estrangeiros. Portanto, este não é um filme sobre ocultismo ou sobre cultura popular, é um filme sobre comportamento, construção de identidade social. As cenas são arrastadas, por a vida lá ser assim. A câmera foca cenas numa tentativa de compreensão.Alguns dizem que é um filme arrastado, entediante, frustrante e em certos pontos com cenas desnecessárias e grotescas. Creio que as pessoas lançaram o mesmo olhar frio que o filme lança pra pessoas que o assistem. Não há como querer assistir A festa da Menina Morta e querer sair ileso ou encontrar uma história regionalista bonitinha e nada mais. Por vezes, há um exagero sim, mas é bonito de se ver, perturbador, dúbio, provocante, humilde e imperdível!

Mais motivos pra ver A Festa da Menina Morta:

- A interpretação da Cássia Kiss é excelente. Ela não precisa de falas, de grandes cenas, de nada. Ela dialoga com os olhos e isso basta. A cena na qual ela canta Io Che Amo Aolo Te é deslumbrante. Ela só precisou da própria voz, a luz certa, água pra lavar os cabelos e aqueles olhos que dizem tudo. Mas não só por ela, é admirável e comovente ver um elenco inteiro entregue aos seus personagens doentes barrocos, absurdamente humanos;

- Daniel de Oliveira que se propõe a um personagem que segura toda a história e faz do enredo algo ímpar. Há entrega total, um ator sem vaidade, a serviço de sua arte. Faz de Santinho alguém real, palpável, asqueroso e ao mesmo tempo cativante;

- É desagradável, tem cenas que incomodam, tem o tempo que faz contorcer na cadeira. A intenção é incomodar, te fazer ficar 3 dias depois ainda pensando no filme;

- A fotografia de Lula Carvalho é um deleite à parte. Lembra a estética de Amarelo Manga e Baixio das Bestas, do cineasta Cláudio Assis, ídolo declarado de Matheus Nachtergaele.

domingo, 4 de abril de 2010

Feliz Natal


O primeiro longa do Selton Mello como diretor. Com Darlene Glória (Toda nudez será castigada), Leonardo Medeiros (filho) e Paulo Guarnieri (filho de Francesco Guarnieri). Tá, o povo ficou naquela expectativa e depois falou mal do cara. Bem, vou levantar os pontos positivos e negativos, aí vocês decidem se vale a pena ou não.
1 - Entra como marco na carreira do Selton, pra quem é fã, vale a pena. Porém, não se pode esperar que seja parecido com as obras dele como ator. Suas influências são de suas atuação de modo mais sutil. Ele tem um toque de Lavoura Arcaica (Luiz Fernando Carvalho) no seu modo de filmar, nos pedaços, nas nuances. E uma levada de Cinema Argentino apreciado pelo diretor.
2 - O maior problema do filme foram as falas, afundou boa parte das cenas. Creio que na tentativa de tornar tudo mais natural sem perder o peso, tornou arrastado demais. Tanto que as cenas que funcionaram melhor foram as sequências sem falas.
3 - As cenas da Mércia (Darlene Glória) foram de importância fundamental. Apesar de achar que a cena final dela com a maquiagem foi batida demais, passar batom na cara toda é truque manjado.
4 - No meio do filme, creio que na conversa dos irmãos, tem um corte horrível, porco, desagradável e desrespeitoso sem a menor explicação e função.
5 - A iluminação e o modo de filmagem foi inovador e incomoda. Luz fraca, focos bem na cara dos personagens, poucos irão gostar ou se acostumar.
6 - o filme tem cenas bem planejadas e outras soltas demais. A cena do almoço de Natal é impecável, passa bem a ideia. Já a parte da briga nora/sogra não funcionou.
7 - Esse pode ser um filme que você vai assistir hoje e achar desagradável, inútil. Mas, vai lembrar dele durante uns três dias, ele vai te incomodar, vai achar que deixou algo passar e vai querer levar esse tapa na cara de novo.




Bem, pensem com carinho. Recomendo!

sábado, 13 de março de 2010

Ken Park


Esse não é um filme belo, tampouco um filme primoroso. Contudo, ainda assim é altamente recomendável assisti-lo. Antes dos porquês, vamos à sinopse:

“A rotina de quatro adolescentes da cidade de Visalia, Califórnia. Shawn (James Bullard) é um skatista que transa com a namorada e com a mãe de sua namorada. Tate (James Ransone) gosta de se masturbar várias vezes seguidas e tem um cachorro de três pernas. Ele é criado pelos avós, que não respeitam a sua privacidade, o deixando furioso. Claude (Stephen Jasso) é agredido seguidamente pelo seu violento pai, um alcoólatra que o acusa de homossexualismo, e é consolado pela sua apática mãe grávida. Peaches (Tiffany Limos) anseia por liberdade, mas tem de cuidar de seu religioso pai, um cristão fundamentalista, que a espanca após vê-la transando. Embora conversem o tempo todo, cada um dos personagens não sabe dos problemas enfrentados pelos outros.”


O filme data do ano de 2002 e tem cenas de sexo explícito bem interessantes de se ver, embora às vezes pareçam apelativas. Aliás, sem as cenas de sexo talvez o espectador não conseguisse ver o filme até o fim. O roteiro não é dos mais elaborados e os diálogos que poderiam ser mais funcionais e até mesmo intensos, são apenas superficiais. A exmeplo disso podemos citar a trama paralela que retrata a difícil relação entre um jovem skatista e o seu pai alcoólatra, que o rejeita cruelmente, num claro conflito de gerações que envolve preconceito e intolerância. O motivo para assistir Ken Park está na crueza como tudo é retratado; os dramas da adolescência, os conflitos e as descobertas. O filme nos mostra como cada um tem sua tragédia particular, e como a falta de autoconhecimento pode interferir no modo como lidamos com o meio externo e conosco mesmo. É um filme bruto, sem lapidação alguma, singular no cinema norte-americano. Um filme de extremos. Vale a pena conferir!

Update: A diferença entre O Sonhadores e Ken Park é que o primeiro, trata com poesia a vida dos jovens, fala de sonhos e anseios típicos da juventude, as utopias; é um filme que mostra buscas impulsionadas por um sonho lírico. Já Ken Park, é duro, é realmente cru; os jovens do filme não se movem pelos sonhos, mas sim pelo incômodo que sentem, pelo drama de cada um.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O sétimo selo


Impossível esquecer essa obra prima do cinema que todos, exatamente todos devem assitir. O sétimo selo é um clássico primordial na vida dos cinéfilos. As falas são de um lirismo adocidado apesar de toda a descrença em Deus e na Terra que o personagem principal carrega. A história é sobre um cavaleiro que volta de uma Cruzada da Fé e vê seu país devastado pela Peste Negra. É tudo uma grande reflexão sobre a vida e a morte se apresenta de forma surpreendora. A cena fundamental do filme é o cavaleiro jogando xadrez com a morte onde será decidido se ele morre ou vive. Ele brinca, ri e faz versos com a morte. Deus não aparece na trama, ele está nas discussões, mas somente a morte se faz presente com a face a mostra e uma longa veste negra. Ingmar Bergman (sueco) traz o existencialismo, o medo do apocalipse. Só que não é possível trapacear, os únicos sobrevivente são os artista, malabaristas, circenses. Eles se encontram, comem morangos silvestres. Eles de mãos dadas, dançam em meio ao sol fogem e escapam da morte. Eles, os flagelados. Somente eles escapam. Recomendo!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Foi apenas um sonho


O filme começa numa conversa boba, uma festa, um cigarro barato, um flerte. Decadência. Os primeiros 15 minutos, 20 minutos são extremamente maçantes, tediosos. Dá vontade de sair correndo daquilo tudo. Comecei a me desiludir com o filme. Até que me deparei com a reviravolta do caos minguado. A fuga pra Paris. Percebi (e me senti estúpida) que o tédio era proposital, aquela vida era uma casa grande, um emprego estúpido e saber disso, uma trepada com a secretária bobinha. Aí a vontade de desaparecer aumenta, de tudo, deles, do filho que ainda vai nascer. Esse feto tem 12 semanas pra se salvar e não rasgar os passaportes pra Europa. 12 semanas, esse é o tempo. Pra mais uma trepada no banco de trás com o vizinho, só que agora ela. Lágrimas que entopem a pia da cozinha. Ela não o ama. Nunca amou. Só o usou pra sair da sua própria vida renegada. Depara-se com o mesmo papo inútil de uma conversa que arrastou ao nada. Gritar, não ajuda, mas espanta. Gritar. O maluco no almoço de domingo fala a verdade. Tem pena, piedade dela. Ela foi arrastada por ele, pelos filhos e termina sendo arrasta pelos seus próprios atos de fuga.Leonardo Dicaprio é desnecessário, não brilha, não faz falta. Kate Winslet devora como sempre, encantadoramente fundamental.
Recomendo!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A brutalidade sutil


Intitulado de Pecados Íntimos no Brasil, este é um filme de extremos. Ora sutil com imagens adocicadas, ora brutal com cenas e diálogos agressivos. É um filme que precisa ter estômago, pois não é fácil de digeri-lo. Brutal, sutil, melancólico, vívido, atordoante... são muitos os adjetivos que cabem para descrever esse ótimo filme. Nas primeiras cenas repletas de pompa e glamour não somos capazes de antever o que está por vir. O luxo e glamour das cenas inicias do filme vão se desfazendo a partir que as personagens nos são apresentadas cruamente, exibindo suas patologias, suas manias e seu erros humanos num drama realístico, sem grandes excessos fictícios. Julianne Moore está impecável no papel da esdrúxula Bárbara, muito preocupada com seu status social e as regalias que consegue com seu sobrenome de Brooks (Stephen Dillane), seu marido, com quem concebeu o filho Tony (Eddie Redmayne). O filme dá saltos no tempo até a adolescência de Tony, vivida em Paris dos anos 60, que se tornou um garoto amargurado que busca no álcool saídas para seus dramas pessoais e autoconhecimento. A narrativa ágil sobrepõe cenas que mostram Bárbara sempre absorta em suas futilidades, Brooks ocupado com hobbies e Tony amargurado com o mundo ao seu redor e o casamento conflituoso de seus pais. São personalidades interessantíssimas, que acrescidas de temas tabus como homossexualidade, poligamia e incesto revelam uma trama de final verdadeiramente surpreendente e imperdível!


Pecados Inocentes (Savage Grace)
Nacionalidade: EUA/Espanha,
Ano: 2007
Duração: 97 min
Gênero: Drama
Direção: Tom Kalin
Roteiro: Howard A. Rodman
Elenco: Julianne Moore, Eddie Redmayne, Stephen Dillane, Elena Anaya, Belén Rueda, Hugh Dancy