O Blog:

Não importa se fútil ou cult, aqui tem o que agrada, desperta curiosidade, riso e coisas assim. Sem rótulo e sem pudor, seja fult com a gente!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Juliano e sua lama

Tendo em vista a MPB como aquilo que junta tudo o que é realmente popular, acabamos de ganhar um dos maiores compositores/intérpretes dessa linha. 



Juliano Guerra,  nascido em Pelotas, acaba de lançar seu primeiro álbum, "Lama". Autor de todas as canções, Juliano brinca com a ciranda, samba, bolero e emociona com suas músicas extremamente bem escritas. São 10 faixas onde o cantor brinca entre o lúdico e o irônico, passa pelo protesto e abaca nas canções de amor, que tanto lembram Chico Buarque, Tom Jobim e Adoniram Barbosa. Destque para as excelentes "31 de Dezembro", "Transeunte",  "Inclemente" e para "A Lama", onde Juliano levanta bandeira contra a hipocrisia e desamor, faz menção aos absurdos que somos quando deixamos de ser nós mesmos, fala sobre desigualdade e suas estranhezas sobre o mundo com muito humor.

O CD está diponível para download gratuito no site do cantor e todas as informações de shows, sobre o CD e o cantor, na sua Fanpage no Facebook.



Lama - Juliano Guerra (2012).

01 - Ócio.
02 - 31 de Dezembro.
03 - Valsinha.
04 - Camélia.
05 - Piedade.
06 - Transeunte.
07 - Inclemente.
08 - Bolero.
09 - Samba Pela Ordem.
10 - A Lama.

Faça o download do CD AQUI.



terça-feira, 14 de agosto de 2012

Pas de Deux

Ainda esse mês sai o tão aguardado segundo álbum de Thiago Pethit. Depois de uma estréia bastante aclamada, Thiago volta com Estrela Decadente, que já gerou inúmeras notas e matérias nas mais diversas revistas e sites. O primeiro single desse trabalho é Pas de Deux, que já ganhou clipe e abre alas para o novo trabalho. Particularmente, não curti muito a música, mas o clipe é caprichado, Pethit -também ator- é atento aos detalhes e sabe impressionar.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O novo de Tulipa


Tulipa Ruiz, a cantora percussora do pop-florestal, lançou-se na música em 2010 com seu álbum de estreia Efêmera. Conquistou o título de melhor álbum do ano, cantora revelação, música do ano com a faixa homônima ao disco "Efêmera", de sua autoria, que acabou chegando ao FIFA 11. Tanta coisa conquistada com seu primeiro álbum e a expectativa pelo segundo álbum não podia ser outra senão grande.

Pois Tulipa lançou em julho seu segundo CD "Tudo Tanto", com produção de seu irmão Gustavo Ruiz e lançado pela Natura Musical. E para quem esperava a continuação de Efêmera, com músicas de temas florestais, às vezes muito simples, decepcionou-se. Tulipa está diferente, dentro daquilo que sempre se propôs a fazer, música brasileira sem intenções de sê-la tradicionalmente influenciada pela Bossa Nova ou Samba.


São 11 faixas e o álbum já começa com a excelente "É", já com videoclipe rolando pela rede, com takes feitos na Europa durante sua turnê Internacional em 2011. O clipe é lindo, sensível e traz Tulipa em diferentes situações, da mesma forma: leve.

Em Tudo Tanto, a cantora brinca com o pop, o rock alternativo e por vezes com o drama adquirido por Gal, Adrina Calcanhoto e Bethânia, com sua MPB rasgada. Destacam-se, além de "É", as faixas "OK", "Dois Cafés" com a participação do sempre delicioso Lulu Santos", "Like This", "Expectativa" e "Víbora". Aliás, com Víbora Tulipa mostra o porquê tem sido tão aclamada pela crítica. Se desdobra nos agudos que a fizeram conhecida e traz para a música a intimidade necessária para se ouvir e chorar. 

Tudo Tanto já está à venda pela Livraria Cultura ou pelo e-mail da cantora: discodatulipa@gmail.com. Além disso, a cantora disponibilizou o CD para download gratuito em seu site.

Tulipa está de volta e está tão boa quanto, senão melhor.

sábado, 4 de agosto de 2012

Ardidinha

Não é novidade para ninguém que Mallu Magalhães não é mais aquela criança estranha que usava frases desconexas nas entrevistas. A moça cresceu fisicamente e musicalmente, seu último álbum é uma agradável surpresa, ainda que com a clara influência de Marcelo Camelo nas letras e melodias. O que eu não sabia é que Mallu andava por aí quase tendo orgasmos no palco, e olha, viagem delícia. E sim, Mallu tem autenticidade.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Viva Elis

Como muito já devem saber, Maria Rita está em turnê com um show com músicas do repertório de sua mãe, Elis Regina. O show é patrocinado pela Nivea e começou na intenção de poucas apresentações, mas como já era esperado, virou turnê e logo deve sair em DVD. Enquanto isso não acontece, vai aí um vídeo do show completo. É lindo, verdadeiro e Maria Rita é ótima!



Créditos para o Marcelo (@celozudo) que me passou o vídeo!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Desapego

Detachment, 2011 / Dirigido por Tony Kaye



Incômodo, essa é a palavra que me veio a mente após ver o filme. As cores, o som, os alunos, o cuspe na cara, tudo incomoda nesse filme, tudo faz revirar na cadeira. Inicialmente tem ares de indiferença humana e como isso pode ser modificado pela educação, dando pistas de ser um discurso didático, mas não é. É definitivamente um drama totalmente humano, onde os alunos e professores são pessoas além da sala de aula e onde todos se esbarram nas suas frustrações e buscam focos de esperança.


Um filme agressivo com cenas lentas, planos de cenas que hipnotizam, roteiro que mescla tantas histórias que se explicam (ou não) em momentos inesperados. Atuações que se destacam com ponto alto para Lucy Liu e sua cena explosiva como psicóloga com alunos despreocupados. Adrien Brody apaixonante em toda a sua tristeza, fúria e olhar tristonho mais bonito do cinema. Terminei o filme sem chorar, soluçar ou fazer estardalhaços, mas ninguém sai ileso a indiferença. Citação final do Poe dislacera (somente essa palavra descreve a sensação).


"Um senso de insuportável tristeza invadiu minha alma."


Recomendo!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Mariô

Lançado recentemente, o novo clipe do Criolo é um dos mais ricos que vi nos últimos tempos. Totalmente metafórico, as locações e cenas fazem referências a Ogum, orixá do da forja do ferro e dono dos caminhos na Terra. A direção é de Del Reginato e a composição é do Criolo e de Kiko Dinucci, diretor do curta-metragem Dança das Cabaças que eu postei aqui há pouco também e também integrante do primoroso trio musical Metá Metá. O resultado é incrível, um ótimo clipe a altura de Mariô, para mim, uma das melhores música do seu álbum Nó Na Orelha. Segue o vídeo:



sexta-feira, 20 de julho de 2012

Som do bom

Sei bem pouco sobre os caras que estão fazendo esse som no vídeo. Na verdade, não sei nada sobre eles, um amigo me passou o vídeo e curti muito a qualidade do que fazem. Vale a pena se expandir!


segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Volta de Ana Cañas

Após três anos de hiato, Ana Cañas nos apresenta seu terceiro álbum, Volta, lançado dia 15 de junho. O álbum segue o que já pudemos ver em seus dois primeiros trabalhos, a pluraridade de estilos e a avidez. Ana quer inovar, quer arrojo e ora consegue, ora não. Acho experimentações válidas e, ao contrário de muitos críticos, gostei de Volta. Tem canções preciosas como No Quiero Tus Besos (Natalia Lafourcade e Ana Cañas), Urubu Rei e Volta (Ana Cañas), esta última um deleite à parte, puro tesão. Vale a pena ouvir!

Volta - Ana Cañas (2012)

1. Será que Você me Ama? (Dadi e Ana Cañas)
2. Difícil (Ana Cañas)
3. Urubu Rei (Ana Cañas)
4. No Quiero Tus Besos (Natalia Lafourcade e Ana Cañas)
5. Diabo (Ana Cañas)
6. La Vie en Rose (Louiguy e Edith Piaf)
7. My Baby Just Cares For Me (Walter Donaldson e Gus Kahn)
8. Feito pra Mim (Ana Cañas)
9. Todas as Cores (Dadi e Ana Cañas)
10. Volta (Ana Cañas)
11. Rock and Roll (Jimmy Page, John Paul Jones, John Bonham e Robert Plant)
12. Foi Embora (Ana Cañas)
13. L’Amour (Ana Cañas)
14. Falta (Ana Cañas)
15. Amar Amor (Ana Cañas e Dadi)
16. Stormy Weather (Harold Arlen e Ted Koehler)

domingo, 1 de julho de 2012

Michael





Um tema bem indigesto, que comove e levante polêmica entre a massa: pedofilia. Esse é o tema básico do longa Michael de Markus Schleinzer (mesmo diretor de A fita branca). Com baixa bilheteria, mas aclamado pelo Festival de Cannes, o filme divide o público. Um desenrolar bem lento e engasgado, incomoda nos diálogos pela naturalidade desumana entre sequestrador e vítima. O olhar da criança abusada sexualmente, os afazeres cotidianos de um pedófilo não reconhecido pelos que convivem, pela família. Um desfecho que abre margem pra o alívio do expectator que deseja o seu próprio "julgamento".

sábado, 30 de junho de 2012

Açúcar ou Adoçante?

Ontem o Cícero lançou sue mais novo clipe, da música Açúcar ou Adoçante, uma das minhas preferidas do seu álbum Canções de Apartamento. O clipe está muito bonito, o cara não deixa nada a desejar.


domingo, 24 de junho de 2012

Dança das Cabaças

Dança das Cabaças é um documentário de 51 minutos que descobri há pouco tempo e fala sobre a divindade Exu no Brasil, relevando sua natureza, sua história mítica e o modo como é cultuado no Brasil. É um filme interessantíssimo para desfazer os mitos criados pelos pilares judaico-cristãos que regem a sociedade ocidental. Um filme muito lúcido e emocionante em diversas passagens. Ótimo para quem pouco sabe e também para quem conhece o culto aos Orixás e entidades. 

SINOPSE: Trazido pelos escravos com outros Deuses do panteão Yoruba, Exu foi colocado à margem e passou por um processo de demonização que se inicia na missão católica na África e se estende no período colonial brasileiro, onde seus atributos originais foram ocultados.

Exu que na África era caracterizado como o princípio da vida, a força que move os corpos, a dinâmica, o senhor dos caminhos e das encruzilhadas, a principal ponte entre os mortais e as divindades que habitam o além, passa a ser visto como a personificação do mal perante o modelo cristão, devido ao seu seu símbolo fálico e seu comportamento astucioso.

Dirigido por Kiko Dinucci, o filme passa pelas diversas vertentes das religiões afro-descendentes, dos candomblés (de tradição Nagô, Gege, Bantu), Tambor de Mina, passando pela Umbanda e Quimbanda. Dança das Cabaças - Exu no Brasil conta com participações de Sacerdotes e estudiosos.

Filme completo:


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Lapidada

Adriana Calcanhotto está numa fase preciosíssima. Segue o vídeo que dispensa maiores explicações.


sábado, 26 de maio de 2012

Maïa Vidal

Se tem um ritmo que eu abandono mas sempre volto a ele é o folk. Quando insistem os dias frios não tem como acordar cantando samba, é sempre o folk que grita mais alto. Confesso que passei todo o verão longe desse universo, mas também não vi nem resquício de algo novo e empolgante que o envolvesse. Isso mudou essa semana quando conheci Maïa Vidal. 

Vidal nasceu na Califórnia mas foi criada em Nova Iorque, estudou violino ainda quando criança e formou uma girl band  com influências punk ainda na adolescência, com a qual começou a alcançar reconhecimento depois de participar de uma série local patrocinada pela Coca-Cola.

Ao se mudar para Barcelona, Maïa aventurou-se como artista solo em trabalhos diversos, tanto fazendo covers quanto participando de outros grupos e banda, concomitante ao processo criativo do seu álgum God Is My Bike, lançado no fim de outubro de 2011. 

O álbum foi muito bem recebido na Europa e até no Japão, onde Maïa se fez três apresentações com casa lotada. O seu som é delicado e o acordeão nas faixas lembra Beirut. O clima é bucólico e lúdico, com uma distorção ou outra que a afasta do melancólico enjoativo. Vale a pena conhecê-la, não somente pelo som, mas por todo o conjunto, que inclui referências visuais de encher os olhos. 

God Is My Bike (2011) - Maïa Vidal
1
The Waltz Of The Tick Tock Of Time

2
The Alphabet Of My Phobias

3
God Is My Bike

4
La Jaula Dorada

5
Follow Me

6
Le Tango De La Femme Abondonnée

7
My Love Song

8
Poetry

9
I'll Sail All Night

10
It's Quite Alright

11
J'Suis Tranquille

12
Waltz

terça-feira, 22 de maio de 2012

Oslo, 31 de agosto



Segundo longa-metragem de Joachim Trier (até onde sei sobrinho de Lars von Trier). Oslo, 31 de agosto retrata o dia de "liberdade" de um dependente químico em tratamente. Seus impulsos controlados quando em grupo com aqueles que compartilharam de momentos degradantes ao seu lado no passado. A vontade costante de morrer, perceber que o passado está e estará sempre como pedra no seu sapato. Câmera inconstante, lembranças de uma Oslo que não mais existe como um prédio antigo que cai. Duas cenas chamam muito a atenção: quando os dois casais andam de bicicleta com os instintores, fotografia explêndida em meio ao caos e logo no início quando Anders tem uma tentativa frustrada de suicídio no rio. Somente os diálogos me incomodam no longa, um tanto herméticos, verborrágicos. Bem, recomendo.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Viva Elis!



No último sábado a cantora Maria Rita esteve em São Paulo com o show Nívea Viva Elis!. Projeto de Marcelo Boscoli, seu irmão e músico, em parceria com a Nívea. A turnê de cinco shows que já passou por Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e São Paulo, e terá sua última apresentação no Rio de Janeiro, dia 13, serve de homenagem aos trinta anos desde a morte de Elis Regina, um dos nomes mais importantes da Música Popular Brasileira.

O show de São Paulo aconteceu no Parque da Juventude e teve tanta gente acompanhando que, decidi procurar pelos números de público e resolvi desistir. A polícia informa um tanto, a organização outro. Mas a verdade é que estava lotado. Quando Maria pisou no palco, não houve quem não chorasse. Ali não estava só a filha de Elis, a tão criticada Maria Rita, a que copia o modo, a afinação e os trejeitos da mãe. Era a Maria Rita incoporada por Elis. Tudo foi pensado e estudado para que quem assistisse visse no palco, Elis.

E deu certo. Quem esteve por lá e viu a performance de “Saudasosa Maloca” não se conteve. Gritou, chorou, quando Maria arranhava a voz junto à composição de Adoniran Barbosa. Quando gritou e levantou os braços em “Como Nossos Pais”. Quando deixou-se emocionar ao cantar “Me Deixas Louca”. Quando, no ponto alto do show, cantou, sem acompanhamento, “Fascinação”.


Maria é uma das melhores intérpretes dos últimos anos, tão diferente de sua mãe e que precisou fazer um show em homegem a Elis para que a prova fosse dada. Elis não morreu, está viva em cada fã e em sua filha: na gana de cantar, no corpo e na alma.

Um pouco antes das luzes se acenderem e o espetáculo ter acontecido, por duas ou três vezes, a realização do show decidiu passar um documentário sobre o projeto e, dentro dele, algumas cenas do Programa Ensaio, da TV Cultura, em uma das aparições de Elis. Em determinado ponto ela diz que a sua música não havia mudado, mas sim ela mesma havia, a sua alegria e os seus nervos; ela era outra e sendo a música a transa maior da vida dela, isso se refletiria.

A transa maior de todos nós, fãs de Elis, foi vê-la de novo, trinta anos depois de sua morte, no corpo de outra pessoa. Mais uma vez.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Gente grande

Clóvis Struchel, já apresentado aqui no blog ano passado, há pouco lançou seu primeiro romance pela editora Multifoco e agora dá prosseguimento ao seu trabalho musical como cantor e compositor (excelente, por sinal). Quem estiver pelo Rio e redondezas pode conferir seu show  no Espaço Multifoco (Av. Mem de Sá, Lapa, 126, Rio de Janeiro), a partir das 20h30. Os convites custam R$10 e o show conta com a participação de Elvis Marlon. Ótimo programa!


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Gaby Amarantos - Treme

Desde Fafá de Belém e Walter Bandeira que o Pará não recebia tanta atenção da indústria fonográfica. Até que vi Gaby Amarantos pela primeira vez e confesso que achei tosco e não entendi o espaço cedido. Foi no Programa do Faustão, onde foi apresentada como a Beyoncé do Pará e mais outros adjetivos exagerados como só o Faustão sabe compor. Era uma época de tosqueiras como Stefhany, pensei que Gaby estivesse no mesmo saco e nem liguei.

Passado um tempo, Gaby ressurge como figura icônica do estado do Pará e toda a regionalidade concentrada. Trouxe à tona ritmos como o carimbó, o melody paraense e até mesmo deu visibilidade a grandes e pioneiros nomes, como o de Dona Onete (autora de Paixão Cabocla, meu orgasmo musical, hahaha). Definitivamente o Pará está num ótimo momento de visibilidade artística de modo geral e, musicalmente, Gaby vem à frente aglutinando influências externas e toda a sua brasilidade, que deixa de ser puramente regional quando abusa dos sintetizadores, faz lambada e música brega que nos remete ao nordeste. 

A MTV tem papel importante na conquista de espaço, já que muito antes do CD sair divulgou clipes e convidou Gaby para participações em programas diversos e apresentações ao vivo, jogando-a para o gosto popular. A coroação de Gaby Amarantos, queira sim, queira não, veio com a inclusão de sua música na novela Cheias de Charme, Ex Mai Love. E não é pouca coisa, é música de abertura, vai tocar por 8 ou 9 meses seguidos na casa de milhões de pessoa, visibilidade maior impossível. 

Todo esse bafafá gerou grande expectativa para o seu CD, que é como se fosse o primeiro para o grande público. Estimativa superada, ainda bem! Treme foi recém-lançado e está ótimo. Tem ritmos diversos, todos alegres e dançantes, música brega, deboche, romantismo e erotismo. É um álbum pra colocar no fim do churrasco com todo mundo bêbado e fazer fotos vergonhosas para a eternidade enquanto toca Merengue Latino ou então Mestiça. 

Treme ainda traz a participação improvável de Fernanda Takai, na regravação de Pimenta Com Sal (da ótima Euterpe) e a regravação de Coração Está Em Pedaços, sucesso antigo de Zezé di Camargo & Luciano. Ainda há outras que estão longe de ser grandes músicas, mas ganham pela empolgação, como Galera da Laje. Vale muito a pena. Despretensioso e delicioso!

PS: A capa é um lance à parte. Demais! 

01. “Xirley”
02 “Ela Tá Beba Doida (Beba Doida)”
03. Ex Mai Love”
04. “Merengue Latino”
05. “Pimenta Com Sal (com Fernanda Takai)”
06. “Gemendo”
07. “Vem me Amar”
08. “Galera da Laje (com Maderito)”
09. “Ela Tá No Ar”
10. “Mestiça (com Dona Onete)”
11. “Coração Está Em Pedaços”
12. “Chuva”
13. “Eira”
14. “Faz o T”

EXTRA!
Um pouco mais de Dona Onete num vídeo sensacional e belíssimo gravado num terreiro de Encanteria (ou Xangô, ou Catimbó) lá pras bandas do Norte. É de arrepiar a força na voz.


domingo, 6 de maio de 2012

MPB Até Quando?


A Música Popular Brasileira há muito já é indagada até que ponto é popular, agora, creio que é hora de indagarmos até que ponto é brasileira.

Na última década podemos notar um movimento de resgate da cultura nacional através de artistas que surgiam no cenário musical e outros tantos que já estão aí na estrada por mais tempo. Movimento especialmente concentrado no Rio de Janeiro e, mais recentemente, na região Norte.

São Paulo é um caso a parte, por ser uma metrópole sempre bebeu de muitas fontes externas, tornando difícil caracterizar seus frutos artísticos como autóctones. Como exemplo, temos Thiago Pethit, Tiê e Mallu Magalhães, que são artistas que cantam e compõem em outros idiomas e até veneram um estilo que não é característico do nosso cenário cultural. Já no Rio de Janeiro, onde a música brasileira sempre teve lugar cativo, algo vem mudando desde o último ano.

Na última década o samba voltou à tona, deixamos as influências do nosso rock oitentista para trás e nomes como o de Roberta Sá, Teresa Cristina, Casuarina, Diogo Nogueira e outros que mesmo não sendo sambistas, beberam da fonte e se influenciaram. Vale lembrar que até mesmo Adriana Calcanhotto, artista já consagrada há duas décadas, compôs e lançou um ótimo álbum de samba, O Micróbio do Samba. Ana Carolina vez ou outra grava um samba, compõe outro para alguém e daí por diante...

Contudo, não sei se numa tentativa de ser global ou por modismo, os últimos lançamentos dos artistas de música brasileira nos trazem gravações em outros idiomas. Isso não seria problema se estas se encaixassem nos seus respectivos álbuns, algo que, em minha opinião, não acontece.

Creio que o caso mais evidente desse estrangeirismo está no Mais Uma Página, aguardadíssimo CD de Maria Gadú. São três músicas em inglês/espanhol que destoam do restante do álbum, não encaixam ali e são as piores do álbum, fazendo um hiato no clima da coisa. Roberta Sá (Segunda Pele) e Mariana Aydar (Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo) também apresentaram gravações em língua estrangeira e o problema é o mesmo supracitado. Não é por bairrismo, mas realmente me soa artificial essa nova onda. Que não dure, amém.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Frango com ameixas

Frango com ameixas retoma Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud as telas de cinema (os mesmos idealizadores de Persépolis). Adaptação da HQ da própria Satrapi, vêm ganhando movimento no cinema. A história acontece em Teerã, no Irã, onde um renomado violonista decide morrer após sua esposa quebrar seu instrumento. Nos oito dias que antecedem sua morte diversos acontecimentos que esclarecem o rumo da história são mostrados.



Grandes cenas são marcadas pela fumaça dos cigarros em várias gerações. O nascimento, a morte, as decisões que marcam todas as ramificações das histórias são contadas de forma incrivelmente lúdica e tristonha. No desenrolar dos fatos tudo muda, os personagens e sua ideia quanto a eles próprios. Triste e totalmente arrebatador. Recomendo.