O Blog:

Não importa se fútil ou cult, aqui tem o que agrada, desperta curiosidade, riso e coisas assim. Sem rótulo e sem pudor, seja fult com a gente!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Brasil, eu te amo

Não, não é patriotismo e muito menos Copa do Mundo, aliás esses enfeites nas ruas e bandeiras nos carros me irritam profundamente. Enquanto escutava o Cine Inffinito na MPB FM (www.inffinito.com.br) ouvi a notícia que o Rio foi escolhido para rodar 10 "histórias" de diretores diferentes para fazer um longa no mesmo esquema de Paris, eu te amo e New York, eu te amo. Encontram-se na lista nomes como do diretor Fernando Meirelles.
As filmagens estão previstas para a primavera desse ano e chegarão as telas de Cinema só no ano que vem. Já assisti Paris, eu te amo e o formato é bem interessante. Exceto, nas partes ondem tentam levar para o lado do humor. É fato de que francês não sabe ser engraçado. Nunca assisti uma comédia francesa onde pudesse dar ao menos uma gargalhada. Podem falar o que quiser do humor nacional, mas pra mim é o melhor. Todas às vezes em que assisti Os Normais - O filme (o 1, já que o 2 foi mais ou menos) minhas bochechas ficaram doloridas de tanto rir.
Bem, agora é só esperar até o ano que vem e conferir o longa no Brasil.

Pra quem quiser conferir Paris, eu te amo

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Unção!

Estava com saudades de escrever sobre futilidades por aqui, então vim hoje para matá-la. Trouxe um vídeo muito ungido pra vocês, criancinha e adultinho. É educativo, é divertido, é necessário, é inspirador, é divino. HA!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Entrevista com Nô Stopa



Lembro-me bem até hoje quando conheci a Nô Stopa. Achei o nome engraçado, as letras tão únicas, a melodia leve ("leve como uma pena leve"). O tempo passou e aqui estamos nós com uma belíssima entrevista com a querida Nô. Pra aqueles que já conhecem é bom pra desvendar um pouca essa figura tão ímpar e pra quem não conhece vale a pena ser modificado por suas canções.

Entrevista

01 - A música está na sua casa, na sua família, na sua vida desde o comecinho. Seu pai é o compositor mineiro Zé Geraldo e sua mãe tocava piano clássico. Teve e tem envolvimento com as artes circenses e dança. Gravou dois cd's (Camomila e distorção e Novo prático coração) e ainda tem um projeto com teatro de bonecos, circo e música infantil. É integrante da Banda Mirim, um grupo que vem chamando a atenção no meio do teatro musical. Ainda faz trabalhos extra-musicais com os grupos Pia Fraus (teatro de bonecos) e P.U.L.T.S. Teatro Coreográfico (dança). Ainda tempo nessa agenda lotada pra mais projetos?

(Nô) Atualmente estou envolvida em três projetos: meu trabalho autoral (acabo de lançar meu disco Novo Prático Coração), vou estrear um novo espetáculo com a Banda Mirim no início de junho e danço num grupo de dança contemporânea infantil chamado "Giz de Cena". Acho que é suficiente pra eu me realizar enquanto artista e conseguir criar meu filho. De vez enquando me arrisco numa coisa ou outra, por exemplo, no fim de maio realizei o sonho antigo de levar meu som pro picadeiro. Fizemos o show do Novo Prático Coração na Lona do Circo Roda (da Pia Fraus e dos Parlapatões), com intervenções de circo, teatro e dança. É um projeto que pretendo levar adiante.

02 - Algumas apresentações realizadas com O Teatro Mágico, que consegue (mesmo tendo um trabalho totalmente independente e de fácil acesso) um grupo bem diversificado e até ser divulgado na grande mídia. E ainda apresentações com a Roberta Campos, que vem crescendo nas rádios. Como lida com esse mercado mais independente e com quais nomes pretende ou deseja trabalhar?

(Nô)Ser independente hoje e conseguir sobreviver no mercado, é motivo de orgulho. A música independente está bastante diversificada, democrática e ganhando espaço na mídia cada vez mais.
Eu confesso que sofro um pouco com algumas portas que não se abrem.Mas estou fazendo a minha parte, trabalhando bastante e contando com amigos queridos e talentosos que sempre dão uma força.Gosto de trabalhar com quem gosta de trabalhar comigo, isso ocorre naturalmente, não sou de forçar a barra e não tenho idéia de quem estará comigo no próximo trabalho
.


03 - Sabemos que seu nome de registro é Aniela, agora queremos descobrir o motivo do seu nome artístico ser Nô Stopa.

(Nô)Quando nasci, minha irmã mais velha não conseguia falar Aniela e falava Noela, virei Nô desde o berço. Stopa é meu sobrenome por parte de mãe, italiano.

04 - Em 2004 lançou seu primeiro disco solo com selo próprio (Sol do meio-dia). Já são 6 anos de estrada, muitos admiradores, mas o grande público desconhece seu trabalho. A mídia tem excluido com frequência nomes primorosos do nosso cenário musical. Pretende ainda alcançar esse mercado ou pensa que o caminho é esse mesmo de manter-se com um público mais íntimo e fiel?

(Nô)Pretendo trabalhar e alcançar o que está reservado pra mim. A mídia tem diversas camadas, mas ainda estou muito abaixo da que gostaria de estar, e não quero me contentar com o que tenho hoje, minha batalha é pra crescer e ter condições dignas pra poder trabalhar.

05 - Versos simples, delicados, com sonoridade impecável acompanhada por sua voz aveludada. De onde tira tanta doçura mas que ainda assim carrega nas entrelinhas o amargor da vida de todo dia, a maturidade de uma mulher feita, contudo com ares de menina?

(Nô)Agora que sou mãe percebo muito esse contraste. A gente trabalha demais pra sustentar a família, bate a cara várias e várias vezes, mas tem que ter doçura e leveza pra encarar a vida. Pra criar um filho feliz, você tem que mostrar felicidade, quanto mais amor você dedica, mais você está fazendo do seu filho uma pessoa boa e linda. Essa lição eu busco aplicar em tudo o que faço.

06 - Assumir-se artista e querer viver da sua arte no país é muitas vezes difícil, tanto por questões financeiras quanto por questões comerciais, sociais etc. Já pensou em seguir outra carreira? Hoje em dia é possível viver só da música?

(Nô)Antes de compôr eu estudava Espostes na USP e pensava em ser técnica de Ginástica Olímpica, ao mesmo tempo em que ingressava num grupo de dança profissional, o PULTS. Depois da música, tranquei a faculdade e qualquer possibilidade que fazer outra coisa que não fosse arte. Fui pro circo, dancei no PULTS por alguns anos, me apresentei com a Pia Fraus, os Parlapatões, os Fractons, e hoje posso dizer que vivo de música, mas ainda não só do meu trabalho autoral.

07 - Quais são suas influências? Outras artes como cinema, literatura e artes plásticas também influenciam no seu som?

(Nô)Minha influência é o cotidiano, o ser humano, a rua, o rio... Posso ir ao cinema e voltar pra casa com vontade de compôr, não exatamente sobre o filme, mas a motivação veio dalí.O mesmo acontece com um show, uma balé ou uma exposição. Às vezes simplesmente acordar pode ser inspiração. E às vezes acho que nunca mais vou escrever nada, fico um tempão sem criar, mas é cíclico, como uma entressafra, uma respiração, depois volta.

08 - Quando os filhos são pequenos, o sonho normalmente é seguir a mesma carreira dos pais. Mas depois que crescem e entram na adolescência há o ímpeto de querer ser diferente ou pelo menos há dúvidas em relação ao que seguir. Você passou por essa fase de incertezas ou sempre soube o que quis? Conte-nos um pouco sobre seu começo de carreira.

(Nô)Achava que seria técnica de ginática olímpica, porque eu era atleta, apaixona pelo esporte, aí fui pro circo, pra dança, e depois veio a música. Nunca tive certeza de nada, as coisas foram se apresentando pra mim.


09 - Todo mundo que cria tem como xodó alguma coisa própria. Das músicas que já gravou, qual a que tem mais apreço e por quê?

(Nô)Não tenho uma predileta. Gosto muito da sonoridade do disco novo, mas tenho saudade da maneira de compôr do primeiro trabalho.

10 - Depois de anos de carreira é possível definir uma identidade musical para Nô Stopa, mas qualquer tentativa seria apenas um "achismo". Por você mesma, qual a identidade artística da Nô?

(Nô)Difícil. Eu me vejo entre o suave e o rock. Gosto da distorção, mas tenho voz pequena. Gosto de suavidade, mas tem que ser envenenado. Procuro esbarrar no folk, no pop e no rock, sem perder a brasilidade e a leveza. Quero também ter liberdade pra fazer o som que me der na telha, por isso acho que rotular não é legal.





Queríamos agradecer (eu e o Darlan) pela honra da entrevista. Pra quem quiser saber ainda mais sobre o trabalho da Nô é só conferir os links abaixo:

http://www.myspace.com/nostopa
http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/no_stopa
http://www.lastfm.com.br/music/N%C3%B4+Stopa

sábado, 29 de maio de 2010

Passarinho com cabelos de Rita Lee

Estava eu muito bem na internet, cafucando umas coisinhas e li que a Tiê tinha participado ontem (28 de maio) no programa da Rede Globo Som Brasil na homenagem da Rita Lee. Elogios mil (tirando sobre o novo corte de cabelo dela). Fui eu conferir e quase caí da cadeira. Nossa, ficou lindo, do jeitinho da Tiê mesmo. Bem, taí procês se deliciarem

_pra mim o melhor_





_ficou bem boa também_


Apaixonei por tudo, tirando a roupa de peixe de festa dela :X

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Epifanias Bizarras



Bem, hoje me deparei com uma colocação absurdamente infeliz pela Internet, uma espécie de epifania bizarra, mas antes de falar exatamente a respeito, vamos a uma pequena apresentação sobre Rick Bonadio.

Para quem não o conhece, ele é um produtor badalado no mercado fonográfico brasileiro. Já produziu um monte de bandas, em sua maioria pop rock, como Titãs, Charlie Brown Jr, Br’Oz, Luiza Possi e as bandas mais recentes e badaladas como Nx Zero e Fresno. Ah! Não posso deixar de citar que o sapiente Rick produziu o álbum da dupla Et & Rodolfo também.

Não vou aqui falar da qualidade musical das últimas bandas que ele produziu, cada estilo encontra seu nicho mercadológico, e se estão aí até hoje é porque agrada alguém, mesmo que os agradados sejam ouvidos minimamente exigentes. Rick tem seus méritos, seus trabalhos como produtor estão aí pra todo mundo ver e ouvir, azucrinando os ouvidos alheios.

Tudo em paz, cada um no seu quadrado, até que o produtor concede uma entrevista ao “Vírgula” e fala coisas como “fornecer musicas grátis na Internet é burrice” e “banda sem sucesso é porcaria”. Só penso uma coisa: está desesperado vendo que a carreira dele pode ter um fim breve.

A exemplo do Wado, recentemente entrevistado aqui no Varal, e de tantos outros artistas, fornecer a música para download gratuito é um grande passo de adaptabilidade à realidade do mercado fonográfico, estabelecendo com os fãs um novo tipo de relação, e em nada se relaciona a pouca qualidade do trabalho.

É difícil antever processos e fenômenos, ainda mais num momento onde os vinis voltam a ser fabricados e muito procurados, mas é certo que a indústria da música não funciona mais do mesmo modo, em especial com a Internet alcançando as classes D e E. Logo, os artistas que cedem suas músicas para download dão um passo corajoso para esse futuro incerto.

Aliás, com um pouco de habilidade, um computador com softwares certos e mais alguns poucos equipamentos, é possível gravar um EP ou até mesmo um álbum dentro de casa, sem custos absurdos, sem arcar com um PRODUTOR! Isso deve ser realmente assustador para um profissional da área. E o que descrevi é feito por um número crescente de artistas, usando a Internet para alcançarem público, sem gastar milhares para isso, sem se render aos caprichos de um produtor ou à censura de uma grande gravadora.

Outro fala infeliz dele foi querer relacionar sucesso e qualidade musical. Bem, acompanhando esse pensamento tão primoroso, podemos afirmar cegamente que a maior cantora do Brasil é Joelma do Calypso. E o melhor cantor seria sei lá. O Latino? O absurdo me diverte.

Bem, fica aqui o aviso para deixar de se assustar com o que as rádios andam tocando, se depender desse senhor isso não muda tão cedo, afinal, música boa é isso aí que está rolando. E viva a cena independente e os festivais! \o/

Veja a entrevista em vídeo e texto AQUI.

sábado, 22 de maio de 2010

Entrevista com Wado



Essa semana trazemos a entrevista que eu e a Diana fizemos com o Wado. Cantor e compositor "alagoano" que já conhecemos há um tempo e gostamos bastante. De som diverso e singular, Wado mescla poesia de lirismo apurado com crítica social e experimentalismo bem sucedido. Antes da entrevista, vamos a um pequeno hitórico:

"No ano de 2001 Wado lança o seu primeiro CD e chama a atenção dos brasileiros para a nova safra de compositores que fazem “música inteligente”, como bem afirma o jornalista Pedro Alexandre Sanches em matéria para o jornal Folha de São Paulo.
Foi a partir deste trabalho que Wado começou a ser reconhecido e respeitado em outros estados do Brasil, figurou em muitas listas de disco como o melhor do ano. Alexandre Matias, não só colocou o Cd de Wado no topo de sua lista com também escreveu uma crítica com declarações sobre tal escolha, “e agora vem Wado, com seu excelente O Manifesto da Arte Periférica, até agora o melhor disco de 2001. Sai Daft Punk, sai Vídeo Hits - o lugar é deste catarinense radicado em Maceió que conseguiu fazer um disco com sotaque, mas sem soar pós-mangue beat."

Bora pra entrevista!

Desde o seu primeiro CD que você vem obtendo reconhecimento e sendo valorizado através de sua música, que é muito marcada pelo regionalismo até mesmo pelo seu sotaque forte. Alguns artistas que despontam fora do Sudeste do país e pretendem alcançar este mercado, tendem a afastarem-se das referências locais, ou ao menos atenuá-las. Depois de quase 10 anos de carreira percebemos que você ainda mantém-se alagoano, com seu sotaque e sua identidade regional, e ainda assim já alcançou outras praças fonográficas e fez shows pela Europa. É difícil levar seu trabalho a um público cada vez maior e globalizado e ainda assim manter a identidade e continuar autêntico?

No meu caso acho natural ser assim, e considero mais brasileiro que regional o pacote todo das coisas que faço, pois tem muito samba, afoxé e funk carioca nas músicas que ando fazendo. Esses ritmos tem matizes no Nordeste e também no Sudeste. Estou morando em Maceió então isso acentua ainda mais, pois isso e muito a vida diária aqui.


Apesar de acumular premiações, críticas elogiosas e de ter entrado na trilha sonora de Caminho das Índias, ainda não conseguimos te ver como um artista (re)conhecido pelo grande público e frequente em programas de TV com abrangência nacional. Isso gera alguma frustração ou o meio virtual junto dos artistas e do público da música alternativa satisfazem suas necessidades enquanto artista?

Teve momentos que já fiquei sim frustrado, mas isso era um desajuste de percepção minha, acho que a configuraçã da nova cena é essa mesmo, estou num dia a dia viável, aprendi a ser outras coisas além de músico/compositor e isso me fez bem. A vida está boa.


O apoio do governo federal através da Funarte e do Ministério da Cultura mudou o que na sua carreira no que se refere à visibilidade e e criação?

Ano passado foi um ano muito bom por causa disso, sem o Pixinguinha não tinha feito o Atlântico Negro, que me trouxe muitas coisas boas e shows pelo Brasil.


A Farsa do Samba Nublado é para muitos seu melhor CD. Pela qualidade sonora, técnica e até mesmo poética. É também o seu preferido ou tem algum outro xodó?

Meu preferido é o Terceiro Mundo Festivo, mas isso varia de tempos em tempos. Já foi o Cinema Auditivo por um tempo. Depende da época.


Outras artes como cinema, literatura e teatro influenciam na sua música? Se sim, o que mais te inspira? Percebemos também a natureza com uma presença marcante nas suas letras o quanto ela está presente nas suas composições e própria vida?

A vida toda inspira né, as canções brotam de temas, fatos e observações bem inusitadas. Moro numa cidade praiana, gosto de surfar, caminhar na praia, gosto de lugares verdes no frio quando viajo, isso tudo reflete acho pois compor é também uma atividade comtemplativa.


Sabemos que disponibiliza sua discografia completa pela internet. Como lida com esse meio tão abrangente e que não lhe rende lucro diretamente? E o que pensa a respeito das grandes gravadores e seus meios de comunicação em massa que de certa forma restringuem o grande mercado?

Faço isso como estratégia de mercado, acho natural esse fluxo, só torço pra que ele não seja tão voraz e unilateral. Com um Estado maduro e forte pode se ter um pouco mais de legislação e fiscalização, isso acho que é uma coisa pra gente lutar. É um pouco o que diz a canção Reforma Agrária do Ar.


Apesar da mídia ainda renegar o mercado independente ele vem crescendo e cativando público fiel. Com quais nomes desse cenário você trabalha ou prende, quais admira?

Gosto e tenho parcerias com Rômulo Fróes, Lucas Santanna, Momo, Zeca Baleiro, Numismata, Fino Coletivo, Fábio Góes. Acho uma geração muito boa essa minha e tem ainda mais um monte de gente.


Sua trilogia tá completa ( A farsa do samba nublado, Cinema auditivo, Manifesto da arte periférica). Planos pra um próximo projeto?

Esse ano vou fazer um cd/DVD de inéditas. Mas só pro segundo semestre. Será o sexto disco, poderíamos considerar duas trilogias :), nunca pensei assim, mas pode ser que até caiba.




Wado, via e-mail.

Para mais ionformações e para ouvir o som do cara, seguem os links:
http://www2.uol.com.br/wado/
http://www.lastfm.com.br/music/Wado
http://twitter.com/wado

Agradecemos e muito ao Wado pela gentileza em conceder a entrevista.
Abraço a todos!

sábado, 8 de maio de 2010

Violência

Lá vai uma listinha com as cenas mais violentas do Cinema. Cenas geralmente clássicas e pra quem gosta imperdíveis.

Old boy - Eu amo esse filme, fundamental na minha listinha básica. A cena na qual ele briga em um corredor com vários homens e um martelo na mão é impecável e sem cortes e sem dublê. Ele treinou especialmente pra essa cena que ficou impecável. O filme por si só é forte, seco, violento e transformador.

Dogville - Tá, geralmente não iríamos ver esse tipo de filme em uma lista de cenas violentas, entretanto a cena final, o grande soco na boca do estômago ao final do drama explica o motivo (não vou entrar em grandes detalhes pra não estragar a história).

Taxi Driver - Vi recentemente. Clássico inegável. Uma violência com sabor de vingança, de justiça, limpeza de toda a sujeira humana que nos cerca. Bão demais.

Irreversível - Polêmico até o caroço.A cena de estupro com requinte de detalhes assustadores de Monica Bellucci torna-se a marca do filme. Tons de vermelho, cinza, preto.

Baixio das Bestas (nacional) - É daqueles filmes que lhe dá tonturas no final, um nojo das pessoas, do espelho. Matheus Nachtergaele violenta Dira Paes com um objeto e ao final depois de gritos e cachaça no corpo, lambe suas partes íntimas. Um pedaço sujo, seco, estéril de Pernambuco. Ótimo filme.

Albergue - Eu realmente não sei como classificar esse filme, pois metade dele eu passo rindo. Quando um carinha come a perna do outro vivo a luz de velas e música ambiente eu quase caí do sofá com as gargalhadas. Mas, admito que tem umas ceninhas bem tensas.

Kill Bill - O povo acha o Tarantino tenso, sangue demais e blá, blá, blá. Nem acho. Ele tem um lado pop, as trilhas sonoras, essa jogada de mangá, revista em quadrinho. Como em Bastardos Inglórios onde começa a ficar pesado demais ele coloca o Brad com aquele jeitão torto e grosso pra aliviar.

Cães de Aluguel - Tá, o povo pode dizer que é tenso. É verdade. A parte quando cortam a orelha do tira e jogam gasolina nele todo é eletrizante. Aliás, o filme todo é.


Aí vai o triller de Irreversível que dá pra sentir como é o clima do filme.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Entrevista com Bruna Caram


Tempos atrás comecei a escutar um albúm de uma cantora ,até então desconhecida para mim, chamada Bruna Caram. Ouvi uma, ouvi duas e na terceira percebi que aquilo me encantava de uma forma diferente. Quando tocou Um blues não consegui mais parar de ouvir (e olha que essa nem é a música "de trabalho"). Joguei no google, ví clipes (maravilhosos diga-se de passagem), li entrevistas, depoimentos sobre ela, li um pouco da sua vida tão diversificada, tão aberta pra cultura em geral e tão aberta pros seus admiradores. Encontrei seu blog, onde conta sua vida, sua carreira, suas grandezes e miudezas de uma forma tão simples, tão gente de verdade. Aí (abusada mais uma vez) dei a cara a tapa e tentei uma entrevista, e não é que deu certo mais uma vez. Bem, agradeço a Bruna que desde o comecinho foi um doce de pessoa comigo sem nem ao menos me conhecer e a sua produção a Ana Paula Aschenbach, que também foi super atenciosa e atendeu o pedido da entrevista de forma super profissional sem deixar de ser agradável.
Espero que gostem e que seja prazeroso ler como foi pra mim fazer essa entrevista.

Entrevista

01- A música te acompanha desde o berço, com seus familiares, ocupa o ar da sua cidade natal (Avaré - SP), começou a carreira bem cedo e já com 19 anos lança seu primeiro Cd (Essa menina). Quase formada em Educação Musical pela UNESP. A voz e a biografia da Elis Regina mudou sua vida. Em qual ponto ou fato percebeu que a música era fundamental e inseparável da sua vida pessoal e profissional?

(Bruna Caram) - Acho que são duas coisas diferentes. Na minha vida pessoal, a música sempre foi fundamental. Em casa e na minha família, a maneira de a gente estar junto sempre foi cantando e tocando, todos os meus tios e primos estudaram piano e cantam bem, minha mãe foi professora de piano quando eu era menina, e meu avô paterno sempre fez memoráveis rodas de choro no quintal de casa, com os melhores músicos dessa área, e eu sempre os assisti, até o dia que resolvi me meter na roda e começar a cantar. Agora, quanto a ser cantora, é diferente. Resolver ser artista de fato é uma coisa séria, e uma responsabilidade. Basta pensar nos artistas que marcaram sua vida: eles mudaram seu jeito de pensar, de sentir, de ver as coisas, marcaram sua história, fizeram você sair de casa só para ouvi-los. Foi quando eu era adolescente, com uns 14 anos, que percebi, ao começar a estudar canto, que podia fazer algo para mu dar o que existisse ao redor. Minha professora na época, a Lucila Novaes, chorava na aula enquanto eu cantava. Foi quem me abriu os olhos, pensei: Aí tem coisa...


02 - Seu primeiro album foi lançado até no Japão. Apesar de ser seu primeiro trabalho teve uma boa repercussão. Qual foi sua reação ou espectativa com esse trabalho e qual foi o lugar mais inusitado ou inesperado que sua música alcançou?

(Bruna Caram) - Acho que o lugar mais inusitado foi o próprio Japão! (Risos) Que eu saiba, claro. Porque a música, ainda mais hoje, tem disso: voa e voa e vai pra cada lugar que a gente nem imagina... Isso é que é bonito. Não tive o privilégio de cantar no Japão, mas aqui no Brasil já vieram japoneses me assistir cantar por causa do sucesso lá. É inacreditável.


03 - Seu primeiro album tem como compositor principal Otávio Toledo, já o segundo tem uma grande mistura com nomes conhecidos (Lô Borges, Caetano Veloso,Guilherme Arantes) e nomes mais recentes ou não tão conhecidos (Pedro Altério,Dani Black).Você acredita que gravações de nomes mais conhecidos envolvem alguma tática comercial para maior aceitação do CD no mercado fonográfico? Qual sua pretensão pra um terceiro album?

(Bruna Caram) - No meu caso, de jeito nenhum. Nunca pensei em gravar o que ia vender mais fácil. Pensei, sim, em gravar o que as pessoas estão sentindo falta de ouvir. E eu acho que a novidade está mais em falta do que a repetição de sucessos que já foram. Por isso, das 25 músicas que já gravei, apenas 3 são de compositores conhecidos, e todas em versões bastante diferentes das originais. Como sou essencialmente intérprete, gosto de cantar os grandes nomes, mas gosto mais ainda de descobrir novos. Gosto dessa relação com o compositor, de vir em casa, de mostrar, que retocar, de deixar, de dar a música para você gravar. Isso é lindo. Agora, quanto ao terceiro álbum, não posso dizer nada, nem estou pensando nele ainda...

04 - O cenário musical independente tem crescido e sendo respeitado cada vez mais. Artistas enfrentam essa selva e merecem com louvor o lugar alcançado. Como você tem se mesclado com esse grupo e quais nomes pode nos indicar?

(Bruna Caram) - Tenho uma convivência muito grande com vários desses novos artistas que são apontados - inclusive dentre os compositores que gravei estão grandes amigos. Pedro Altério, Pedro Viáfora, Dani Black, Caê Rolfsen, Janaína Pereira (vocalista da banda de forró Bicho de Pé), os meninos do grupo Cinco a Seco, a Trupe Chá de Boldo, o Pitanga em Pé de Amora (do qual participei nos primeiros anos), esses paulistanos são meus irmãos e referências que posso indicar sem medo.

05- Bem, somos curiosos e queremos saber qual o significado dessa tattoo que você tem perto da nuca (e sim, temos 15 minutos pra escutar rs).

(Bruna Caram) - Hahahahahahaa!!!!! Já sabem de tudo!!! Vai lá: esta é uma margarida que desenhei simbolizando minha avó materna, Maria Margarida (que foi cantora de rádio na década de 50), e toda a minha família materna: a margarida tem oito pétalas - minha avó tem oito filhos -, de cada pétala sai uma nova pétala com pequenos pontinhos - que são os filhos que cada filho teve. Além disso, a margarida foi tatuada vista de cima, como que plantada no sangue, e o centro dela, o pólen, o círculo, simboliza meu avô, o centro seguro da família... Isso quer dizer que uns 25 primos, todos os meus tios, eu, meus irmãos, minha mãe e meus avós estão todos tatuados na minha nuca! (Risos) Estão até faltando uns pontinhos, pois mais primos nasceram.. Mas ao lado das pétalas da margarida tem um sinal de crescendo, indicando que essa família continua ascendendo...


06- Sabemos que você mistura todo tipo de arte na sua carreira(música,literatura, dança, teatro), qual tipo de ramificação artística você quer ou pretende se aprofundar mais por agora? E qual delas te auxilia mais namúsica?

(Bruna Caram) - Eu quero a variedade!!! O centro, evidentemente, é a música, e acho que sempre será. Continuo estudando canto, gostaria de voltar a estudar piano, tenho pego ultimamente o cavaquinho, quero lembrar o violão, o pandeiro... Mas tem também o teatro, que estudo, a dança (sapateado e balé clássico, a paixão da minha vida), a literatura... No meu show piano-e-voz, um trabalho paralelo e novo que venho fazendo, já tem textos declamados, trazendo o teatro e literatura para o palco juntos, o que é um antigo sonho meu. Pretendo declamar cada vez mais!


07 - Gostaria de fazer um dueto com qual ícone musical?

(Bruna Caram) - Tantos... Lenine, Milton, Zélia, Gil, Chico, Ney, Stevie wonder (hahahaha)...


08 - Em qual projeto está envolvida nesses últimos tempos e quais lugares pretende cantar?

(Bruna Caram) - Estou de corpo e alma no meu Feriado Pessoal e neste novo show piano e voz, que vem trazendo a possibilidade de, de fato, podermos tocar em qualquer lugar, em qualquer formato. Um é intimista, outro é extravasado, um é para poucas pessoas, outro pode ser para milhares, um tem estrutura enorme com cenário e produção, outro é mais simples. Agora temos show pra dar e vender! Quero esse ano levar meu trabalho pessoalmente para o Nordeste, coisa que nunca consegui fazer, e viajar muito pelo Brasil.


09 - Até que ponto suas criações sonoras são profissionais e quando elas passam essa barreira e se tornam autobiográficas?


(Bruna Caram) - O profissional não descarta o pessoal. Cada música que cantei ou canto, no palco ou em casa, é autobiográfica! Ser artista é deixar a alma exposta ao público, não ter vergonha nenhuma. Quando gargalho ou choro no palco, o que acontece sempre, é tudo verdade, não é "profissional", nem é apenas treinado. O treino, assim como a direção cênica (assinada pela Cris Ferri), são coisas feitas para tornar o show mais espontâneo, não mais duro ou estático. Meu treino é para obter o maior número de ferramentas possível na hora H, para mostrar a verdade, ainda que a áurea seja de fantasia. O que vem para o meu repertório são coisas que vivi. O apuro é profissional, mas a essência é autobiográfica.


Entrevista por DIANA.



http://www.brunacaram.com.br/
http://www.brunacaram.com.br/blog/
http://www.myspace.com/brunacaram
http://twitter.com/brunacaram
http://www.lastfm.com.br/music/Bruna+Caram

Agradecemos e muito a Bruna pela gentileza e disponibilidade em conceder a entrevista e pela simpatia. Mas acima de tudo, agradecemos por compartilhar com todo mundo o talento encantador!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Os Negligenciados - Parte I

Hoje começo uma série de posts aqui no blog para falar de grandes talentos que temos e estão escondidos por aí, são pouco conhecidos por algum motivo. Não é pra falar de gente nova surgindo que quer oportunidade, é pra falar de grandes artistas com carreira consolidada, que criam, que acrescentam a música, mas ainda não alcançaram prestígio. Esses são de alguma forma negligenciados pelos grandes canais de TV, não tocam nas grandes rádios, não acham espaço na grande mídia. Muitos se deprimem por isso, deixam a carreira de lado por decepção ou por necessidades financeiras mesmo. Tantos outros lutam a cada dia para produzir shows, divulgarem seus trabalhos, ter grana pra gravar um CD. Então está aberto um espaço para esses artistas aqui, com intuito de apresentar ou relembrar grandes nomes esquecidos, e que seja proveitoso para todos nós!

Para iniciar, quero falar de um grande cantor (e também ator) que conheço há mais ou menos dois anos. Foi paixão à primeira “ouvida”, eu logo me encantei com o timbre desse cara que já revela pelo nome o quão preciosa é sua voz: Rubi.



Dono de voz distinta e atuação cativante, Rubi é um interprete que marca aqueles que o ouvem. Sua performance mostra um vocal talhado em centenas de shows e sua atuação interpretativa é fruto de sua formação em Artes Cênicas na Faculdade de Artes da Fundação Brasileira de Teatro. Juntas, essas duas facetas se unem em alquimia única, de resultado impactante e ao mesmo tempo afetuoso. Foi escolhido o melhor cantor no 8º Prêmio Visa MPB pelo voto popular. Sua arte é quente; evoca diversas imagens, cores, sabores e sensações. Por isso, vem conquistando cada vez mais admiradores pelo país afora.

Lançou três discos solo: “Rubi” (1998, fora de catálogo), “Infinito Portátil” (2005, selo Sete Sóis, disponível para compra apenas nos shows) e “Paisagem Humana” (2007, selo Eldorado, disponível nos shows e no varejo em geral). Já dividiu palco com Ceumar, Oswaldo Montenegro, Cássia Eller, Zélia Duncan, Chico César, Vânia Bastos e Elza Soares, entre outros. Como ator, participou de montagens como Mayã (Oswaldo Montenegro), La Fontaine em Fábulas (Dulce Bressane), A Família Titanic (Mauro Rasi), Negro Anjo Azul (musical escrito especialmente para ele por Ricardo Torres) e foi um dos solistas de Brasil Outros 500 (espetáculo com texto de Millôr Fernandes, músicas de Toquinho e Paulo César Pinheiro e arranjos de Wagner Tiso).


Lembro-me de um amigo no MSN falando de cinema, de atores e assuntos afins, quando comentou que o ator Gero Camilo era um bom poeta. Eu fiquei curioso, afinal, Gero Camilo é um ator também negligenciado, sempre faz de modo muito competente seus papéis porém sem a atenção que merece. Curioso em conhecer esse outro lado do ator, recebi a música Astrolábios, uma parceria de Gero com o excelente Kléber Albuquerque. E ouvi aquilo foi completamente sem precedentes, uma letra profunda e doída cantada por uma voz límpida, cristalina, completamente surpreendente.

Arde-me o siso
Coração ungido a ferrolho
Arde-me entorpecido
Vil vão
Novamente novo




Depois desse primeiro contato, eu não parei nunca mais de ouvi-lo. Foi difícil conseguir as músicas dele, informações ainda eram escassas. Tive de fazer algum esforço, mendiguei músicas com um monte de gente, confesso. Hahaha. E valeu muito a pena, o cara é foda! Uma voz, uma interpretação e uma energia inexplicável. É necessário conhecê-lo.


Diante do espelho
Não sou eu quem me conheço
São meus outros eus
A tilintar a esmo



PS: Destaque para a regravação da música De Onde Vem A Calma (Los Hermanos), uma das mais bonitas interpretações de Rubi. É linda e dói um bocadinho.

Abaixo, um vídeo do Rubi com o genial Vitor Araújo:




Fontes, MP3 e mais informações:
http://www.rubibr.com/
http://www.musicexpress.com.br/Artista.asp?Artista=184
http://xxxmenyyyzzz.wordpress.com/2010/01/21/rubi-_-cantor/
http://www.lastfm.com.br/music/Rubi

sábado, 24 de abril de 2010

Lulina



Pelas minhas andanças pelo LastFM (sempre caçando sons novos) deparei-me com um perfil com uma descrição bem diferente. Lembro-me que tinha uma mistura de sangue de alien, minhocas e ironia. Uma grande mistureba de Olinda+SãoPaulo+infantil+ironia+vozlenta+palavrões= Lulina. Até agora não sei o motivo ao certo de ter ido atrás, de ter procurado, mas Cara, valeu a pena. Lulina tem uma coisa diferente, um jeito lentinho, um sotaque gostoso, uma cerveja gelada em cada esquina. Ouvi, ouvi algumas vezes. Procurei, pesquisei, vi vídeos, um rostinho com cara de São Paulo calmo. Eu muito abusada, dei cara à tapa e me aventurei a entrevistar essa moça via e-mail. E não é que deu certo! Vida corrida, tempo curto, mas taí ó. Leiam, ouçam Lulina, vejam o vídeo e entre no site dela e viajem pela Lulilândia. Mais que recomendo!

- Entrevista!

01 - As principais influências geográficas do seu som é Olinda (terra natal) e São Paulo (cidade que te abduziu). Hoje em dia qual das duas te impulsiona mais a criar?

(Lulina) - São Paulo, sem dúvida, porque é onde vivo e onde as coisas acontecem comigo, as coisas que me levam a refletir, contestar, me aperriar e a compor, hoje em dia.


02 - Suas canções são claramente autobiográgicas. Na sua infância jogando playmobil, as bolhas na pleura (doença real), sua avó, as gírias paulistanas entrando na sua vida. Em algum ponto compor como se fosse um diário da sua própria vida lhe causou algum problema, constrangimento ou fato curioso que possa nos contar?

(Lulina) - Até agora não causou nenhum constrangimento, mas me fez por muitos anos esconder esses disquinhos, justamente porque eu não queria me expor tanto (e não achava que pessoas além dos meus amigos se interessariam por isso). Foi muito aos poucos, quando me mudei para São Paulo, que comecei a perder a timidez, quando percebi que várias pessoas estavam interessadas em ouvir e me pediam para colocar na internet. Mesmo sendo muito autobiográfico, uma tática que uso para não me expor tanto na hora de compor é abusar de metáforas, ironias e de ficção científica. Minhas histórias reais estão misturadas com ficção, escondo em minhocas as minhas nóias com morte, tento tirar algum proveito das desgraças transformando-as em músicas às vezes até engraçadas, acho que esse é meu jeito de digerir o mundo.

03 - Luciana Lins, mais conhecida como Lulina, tem jeito de criaça, fala de sangue de et's, solta palavrões no meio da música, usa versos ácidos brincando, voz de sussurro, um pouco sonolenta,sotaque gostoso. Mas,é comparada com Fernanda Takai (vocalista do Pato Fu) por muitos na internet. Como lida com isso? E com quais outros ícones gostaria de ser lembrada pra inflar seu ego ou seu sorriso?

(Lulina) - A comparação com Fernanda Takai é normal, porque ela foi a única cantora com voz mais suave que estourou para a massa brasileira nos últimos anos. Todas as outras cantam com aquele mesmo estilo mais vozeirão. Já estou acostumada a essa comparação, tanto que no primeiro disco caseiro que eu gravei, em 2001, tiro um sarro disso: imito ela cantando, como se ela estivesse fazendo uma participação especial no meu disco. Mas a comparação com qualquer cantora vem muito mais das referências de cada um. Já fui comparada à Nara Leão (pelos que gostam de bossa e samba), já fui comparada à Frances McKee do Vaselines (pelos indies), à Rita Lee por causa da ironia, enfim, cada um compara com as referências que tem. Eu acho engraçado a mania do ser humano de classificar tudo ao redor, de catalogar o que existe, como se algo não pudesse existir sozinho. Acho que é um jeito que a turma encontra de se sentir confortável, em terreno seguro, associando tudo o que já existe para organizar melhor na cabeça. Eu não me incomodo com nenhuma comparação, para mim isso é elogio.

04 - Sua carreira começou com muitos EP'S (nove pra ser mais exata), feitos na sua casa, de forma bem artesanal. Sabemos que seu CD Cristalina tem esse nome exatamente por ser feito de forma mais "limpa" onde sua voz aparece melhor, sem os ruídos da forma caseira, do cachorro latindo e a vizinha tocando a campainha. Como tem sido a recepção do público? Ele tem crescido após o nascimento do CD? Ou simplesmente ter parido esse trabalho já lhe basta?

(Lulina) - A recepção foi muito melhor do que eu podia imaginar. Cristalina é um lançamento independente, por isso eu esperava muito pouco, já estava contente com a alegria de colocar um filho no mundo. Aí, vem um monte de crítica elogiando em várias revistas e jornais bacanas, gente que eu admiro elogiando, e isso me deixou feliz da vida. O público vem crescendo, o disco tem se espalhado pela internet, dois meses após o lançamento já tinhamos vendido 700 cópias e agora está esgotado, estamos prensando mais 1000. Cada vez mais surgem convites para shows em lugares legais, lotamos o Sesc Vila Mariana, enchemos o Sesc Pompéia, então eu acho que tem mais gente diferente querendo conhecer o som, o que é muito bom. Tô feliz demais com essa surpresa.

05 - Compositora compulsiva, alguns trabalhos com nomes improváveis, pessoas "comuns" até. Quais nomes gostaria de incluir nessa lista? (pode ser vivo ou morto, pode ser quem quiser, pode delirar)

(Lulina) - Eu não entendi direito essa pergunta, mas li a palavra “delirar”, então vou responder delirando. Vou responder com uma lista das pessoas e coisas que eu mais agradeço a Deus por existirem nesse mundo: Tom Zé, Lou Reed, minha família, He-man, Dostoievski, meus amigos, cervejinha, pão com manteiga, feriados, cama.

06 - Está soltando seu som fora do país, já. Quais seus planos futuros, mais concretos e bizarros, ousados e simples?

(Lulina) - Não faço planos com música. Vou me deixando levar. O que pintar de oportunidade (como foi nessa turnê recente pelos EUA, por exemplo), a gente agarra.

07 - Tudo te influencia nas suas letras, das coisinhas mais simples e delicadas (infância, bebidas, príncipes,criações de michocas, margarida) e as mais ácidas e toscas (et's, palavrões,pleura,fixação pelo 13). Então diga 13 coisas que te impulsionam mais a escrever, cantar ou continuar sendo a Lulina.

(Lulina) - Vou resumir as 13 em uma: a vida, desgraçada ou feliz. É o que se vive fora e dentro da cabeça que cria em mim essa necessidade de compor, seja para tentar entender as coisas, para celebrar, ou para não chorar.

08 - Sua música se espalhou de uma forma independente (apesar de ter seu primeiro disco de uma gravadora e talz). O cenário musical independente vem crescendo de forma monstruosa e surpreendente. Quais nomes você aprecia ou convive mais desse cenário? Quais ainda não gravou, mas pretende ou gostaria?

(Lulina) - Tem muita gente boa na música brasileira independente . Eu fico empolgada demais com a cena. Tem Cidadão Instigado (a banda que eu mais indiquei com orgulho para os gringos, quando estive em turnê nos EUA esse ano), Romulo Fróes (que além de grande compositor e cantor, é um dos caras mais dedicados a movimentar a cena, a fazer a coisa virar), Marcelo Jeneci (que está para lançar disco esse ano e que eu já tenho certeza que vai ser um dos melhores de 2010), Tulipa Ruiz (uma das vozes femininas com mais personalidade da cena atual, uma coisa linda), Karina Burh (disco fodão lançado recentemente), Bruno Morais (o menino poesia), Nina Becker (que tá para lançar disco duplo), Lucas Santtana, Isaar, Pullovers, Stela Campos , Tiê, Thiago Pethit, Wado, eu posso ficar a tarde toda listando e parece que isso não vai acabar nunca. É tanta gente boa que não existe mais essa coisa de 2 ou 3 ídolos/ícones na música. Tem espaço para todo mundo e todo mundo se ajuda. Dividimos músicos, dividimos palco e público, inventamos de compor juntos em mesas de bar. Muitos dessa lista eu convivo ou troco idéia de vez em quando, outros eu nem conheço pessoalmente, mas admiro muito. Torço para a coisa virar.

09 - Em que parte a Luciana (que trabalha com propaganda e mora em Sampa) interfere na vida, nas idéias e nos anseios da Lulina que vive na Lulilândia?

(Lulina) - Luciana interfere o tempo todo na vida de Lulina, principalmente quando tem passagem de som às 17h e ela não pode comparecer por causa do trabalho. Ao mesmo tempo que ela atrapalha, com sua rotina, a vida de Lulina, é também sua musa inspiradora, já que é dos aperreios e alegrias de Luciana que a Lulina tira seus temas para compor. Tô me sentindo um jogador de futebol falando assim, mas tá valendo.

10 - Por que a necessidade e/ou vontade de ser Lulina? De onde e como surgiu a cantora e compositora?

(Lulina) - Comecei a compor com uns 15 anos, mas só lá para os 22 eu arrisquei gravar disquinhos em casa e mostrar isso para os amigos. Tudo surgiu muito por acaso, por diversão. E acabei tomando gosto pela coisa e ela foi crescendo em importância na minha vida, a medida que os problemas ficaram maiores e minha necessidade de compor e sublimar sentimentos também. Já tive fases de só escrever, ou de só desenhar, sem compor. Respeito essas fases e vou fazendo o que curto no momento.




http://www.lastfm.com.br/music/Lulina
http://www.myspace.com/lulina
http://lulilandia.wordpress.com/
http://tramavirtual.uol.com.br/lulina
http://www.lulilandia.com.br/
http://lulina.blogspot.com/

Dá pra conhecer o trabalho dela de cabo a rabo. Obrigada Lulina pela simpatia e pelo som. Fiquei muito feliz em poder trazer seu trabalho pro nosso Varal.